Reciclagem

5 de março de 2011

Reciclagem – Resíduos plásticos viram “madeira” de futuro bem promissor

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Publicado por: Maria Aparecida de Sino Reto
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    O panorama da reciclagem no país acena mudanças com a Política Nacional de Resíduos Sólidos (Lei Federal nº. 12.305/2010), regulamentada em 23 de dezembro de 2010. Ainda há muito a ser definido, mas as expectativas da indústria são de desatar os nós que emaranham o avanço desse setor em todo o seu potencial: a baixíssima taxa de coleta seletiva, que contempla apenas 8% dos municípios nacionais, questões tributárias e outros. De acordo com dados da associação Compromisso Empresarial para Reciclagem (Cempre), atualmente, 21% dos resíduos plásticos são reaproveitados, o equivalente a um volume de 556 mil toneladas no ano. A despeito das dificuldades, algumas aplicações diferenciadas despertam o interesse do mercado e de novos empreendedores em busca de opções para ampliar essa taxa de revalorização dos plásticos, como a madeira plástica.

    Plástico Moderno, Silvia Piedrahita, Reciclagem - Resíduos plásticos viram "madeira" de futuro bem promissor

    Silvia elogia a competência ambiental atrelada ao produto

    Na opinião da assessora técnica do Instituto Sócio-Ambiental dos Plásticos – Plastivida, Silvia Piedrahita Rolim, trata-se de um mercado promissoramente crescente, pela evolução tecnológica do produto e também pela ampliação na oferta de matéria-prima resultante da implantação da política nacional de resíduos sólidos, que deverá ter suas definições estabelecidas a partir do segundo semestre deste ano, segundo metas governamentais.

    “Haverá um aumento muito grande de matéria-prima”, acredita Silvia. No entender dela, uma boa parte dessa oferta será absorvida pela ociosidade atual da indústria de reciclagem, em torno de 30%, enquanto o restante deverá impulsionar a implementação de mais recicladoras e até incentivar o mercado da madeira plástica. “É de competência ambiental enorme pela questão de reutilização pós-consumo, a durabilidade é altíssima, o custo de manutenção baixíssimo, e reciclável”, elogia. As possibilidades de uso são tão amplas quanto aquelas relativas ao mercado da madeira natural, considerando que a tecnologia de sua composição e fabricação avança a passos largos e os produtos conseguem exibir ótimo acabamento.Plástico Moderno, Reciclagem - Resíduos plásticos viram "madeira" de futuro bem promissor

    Esse processo de refinamento, aprofundado nos últimos cinco a seis anos, nas estimativas de Silvia, alcançou nível capaz de oferecer uma aparência similar e um visual até mais bonito que o da madeira. Em visita à última edição da megafeira do plástico, a alemã K, realizada no ano passado, a assessora do Plastivida testemunhou a beleza da madeira sintética, exposta no evento como sinônimo de aplicação de alto valor agregado. “O apelo ambiental é inegável”, ela reforça.

    “Hoje substituímos algumas madeiras, como é o caso da maçaranduba, e com isso colaboramos para evitar o corte dessas árvores e suas consequências”, relata Geraldo Pilz, presidente da Cogumelo, do Rio de Janeiro-RJ. Há sete anos no negócio, com a madeira plástica batizada de Policog, a empresa fabrica perfis e também dispõe de uma linha de produtos prontos.

    Plástico Moderno, Rodolfo Queiroga, Diretor da Ecowood Rio, Reciclagem - Resíduos plásticos viram "madeira" de futuro bem promissor

    Rodolfo Queiroga elabora sua receita com diversos materiais reciclados

    Além de oferecer aos resíduos plásticos industriais e pós-consumo um destino interessante, o produto embute diversos outros aspectos de peso muito favorável: pode ser manipulado como a madeira natural, ou seja, cortado, furado, parafusado, pregado, colado; dispensa verniz, seladores e tratamentos contra pragas, como cupins; não mofa nem cria fungos. A limpeza: água e sabão, simples assim.

    “Não racha e não solta farpas, não absorve ou retém umidade, apresenta contração e expansão insignificantes sob temperaturas ambientes, resiste à corrosão natural ou química, e pode ser pigmentado, pintado, acrescido de antiultravioleta, antichama e até aromatizado”, elenca Rodolfo Queiroga, diretor da Ecowood Rio, também do Rio de Janeiro-RJ. Há cinco anos no negócio, fabrica a madeira plástica no formato de perfis, aplicados em decks e revestimentos.

    Com menos tempo de mercado (entrou para a atividade há três anos), a Wisewood, de Itatiba-SP, começou o negócio com a moldagem de dormentes, baseados em compósitos plásticos reciclados pelo processo de intrusão, e, desde o ano passado, produz também tábuas de madeira plástica por extrusão. “Nós desenvolvemos uma forma de reaproveitar quase 100% dos resíduos que, jogados na natureza, tornam-se passivos ambientais”, ressalta o diretor comercial Marcelo Queiroga (primo de Rodolfo).

    Plástico Moderno, Guilherme Bampi, Superintendente da Madeplast, Reciclagem - Resíduos plásticos viram "madeira" de futuro bem promissor

    Os projetos de Bampi incluem até exportação

    Na mesma sintonia, o superintendente da Madeplast, Guilherme Bampi, imputa ao produto o quesito sustentabilidade, pelo aproveitamento de resíduos industriais e urbanos, a não utilização de recursos naturais e a sua contribuição para a preservação das florestas. Preocupado com a questão do desmatamento, ele frisa o fato de não precisar derrubar sequer uma árvore para produzir a sua “madeira” ecológica. “São aproveitados restos de lascas de madeiras das serrarias certificadas e o plástico descartado da indústria; assim, o produto entra no patamar de 100% reciclável e reciclado”, relata.

    Receita do bolo – Segundo depoimentos dos fabricantes, todos os processos envolvem equipamentos de extrusão, porém diferenciados dos convencionais, adaptados para o uso específico e exclusivo de cada transformador da madeira polimérica. A fórmula desta igualmente varia de um produtor para outro e insere desenvolvimentos próprios. O diretor da Ecowood Rio não revela sua receita, informa apenas tratar-se de um conjunto de materiais recicláveis, entre os quais resíduos plásticos industriais e pós-consumo e fibras diversas. “Alguns plásticos não se adaptam ao nosso processo, como o PVC”, ressalva Rodolfo Queiroga.


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      2 Comentários


      1. Thiago

        Olá gostaria de saber uma pouco mais sobre as placas de plástico, trabalho fazendo sercados com madeira mais , mais quero uma matérial mais leve,


      2. Marco Antônio da Silva Ferreira

        Estou a procura de pranchas de madeira e vejo a possibilidade de trocar por plastico reciclado. Procuro no formato retangular de dimensões: 50 milímetros de espessura x 800 milímetros de largura x 1600 milímetros de comprimento.

        Favor entrar em contato.



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