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20 de outubro de 2015

Reciclagem: Reciclagem mecânica tem obstáculos fortes no país

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Publicado por: Jose Paulo Sant Anna
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    Os dados são da Plastivida, órgão que representa institucionalmente a cadeia produtiva do setor. A reciclagem mecânica de plásticos de vida curta pós-consumo movimentou R$ 2,4 bilhões em 2014. O valor é muito próximo ao alcançado em 2012, ano do último estudo publicado pela entidade. Ao todo, foram recuperadas 680 mil toneladas por 765 indústrias, 19,7% do total descartado pela população. Em 2012, foram computadas 762 indústrias e recuperadas 683 mil toneladas, 20,9% do total descartado. A atividade gerou 18,5 mil empregos diretos e, para cada emprego direto, de quatro a seis indiretos. Um esclarecimento: entende-se por plástico de vida curta pós-consumo todas as peças descartadas pela população até dois anos após elas terem sido transformadas.

    Plástico Moderno, Reciclagem: Reciclagem mecânica tem obstáculos fortes no paísOs números são preliminares e se referem ao estudo promovido anualmente pela entidade desde 2005. Naquele ano, o índice de reaproveitamento estava na casa dos 16,5%, considerado bastante satisfatório, considerando as condições de trabalho da atividade no mercado nacional. “Por aqui, a reciclagem ainda tem muito a avançar, a coleta seletiva está implantada em cerca de 20% dos municípios. Na Europa, onde se encontra em praticamente todos os municípios, o índice está na casa dos 26%”, informa Silvia Piedrahita Rolim, assessora técnica da Plastivida. É preciso ressaltar que, na Europa, além da reciclagem mecânica, também existe a energética, que transforma os reciclados em energia térmica ou elétrica, cujo número não está computado no índice de 26%. Por aqui, a reciclagem energética ocorre de maneira pífia.

    Um dado interessante, na opinião de Silvia, se encontra na capacidade ociosa da indústria brasileira de reciclagem, estimada em 40%. Hoje, a indústria brasileira é capaz de reciclar 1,88 milhão de toneladas – a capacidade ociosa é calculada tendo em conta também as reciclagens de resíduos industriais, tópico ausente do estudo dos dados de pós-consumo. Em 2012, a capacidade era de 1,7 milhão de toneladas. “Esse número vem aumentando e significa que as empresas do setor estão investindo”.

    Plástico Moderno, Reciclagem: Reciclagem mecânica tem obstáculos fortes no país“Caso seja adotada uma política de coleta seletiva mais eficiente, a indústria estará pronta para crescer rapidamente. Esse é o maior entrave”, avalia a assessora técnica. Com a aprovação, no final de 2010, da Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), a expectativa para os próximos anos é de forte potencial de evolução da atividade. Ainda em fase de regulamentação, a legislação deve proporcionar grande fôlego ao setor nos próximos anos.

    “O crescimento não vai acontecer de um mês para outro, acredito que vá demorar alguns anos para chegarmos à maior eficiência no reaproveitamento dos materiais”. Um passo importante será o da assinatura dos acordos setoriais relativos à regulamentação das leis. “O acordo setorial relativo às embalagens deve ser assinado a qualquer momento, o que significará um impulso muito bom para a atividade”.

    Otimismo à parte, as barreiras a serem enfrentadas para que as normas sejam obedecidas não são muito fáceis de serem ultrapassadas. A principal é a falta dos recursos necessários para as prefeituras se adequarem às imposições da lei. A dificuldade, por exemplo, causou o adiamento para 2018 da extinção dos lixões, uma das medidas previstas. A extinção estava prevista para acontecer em meados do ano passado.

    Plástico Moderno, Reciclagem: Reciclagem mecânica tem obstáculos fortes no paísPoliestireno expandido – Um material plástico tem sido reciclado com crescimento vigoroso, bem acima da média nos últimos anos. Trata-se do poliestireno expandido, o EPS. Esse material é um dos casos em que o nome comercial acaba sendo confundido com o de produto: estamos falando do isopor.

    Em 2012, o Brasil reciclou 13,5 toneladas, em torno de 34,5% do EPS pós-consumido. O faturamento da atividade gerou R$ 85,5 milhões para 22 empresas. A evolução pode ser avaliada pelos resultados de anos anteriores. Em 2011 o índice de aproveitamento estava na casa dos 25,4%. Em 2008, quando a atividade começou a ser acompanhada, era de 13,9%. Os números são de pesquisa encomendada pela Plastivida à Maxiquim, consultoria especializada no segmento industrial.

    “O EPS é um material comum no cotidiano, mas muitas pessoas não sabem que é um plástico 100% reciclável”, lembra Silvia. A construção civil é o maior mercado para o EPS reciclado, com cerca de 80% das aplicações (misturado em argamassa, concreto leve, lajotas, telhas termoacústicas, rodapés e decks de piscinas). Outras aplicações ocorrem na indústria de calçados (solados, chinelos), móveis (preenchimento de puffs, por exemplo) e na fabricação de utilidades domésticas (vasos de flor, floreiras, molduras de quadro), entre outros produtos.



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