Reciclagem

3 de julho de 2007

Reciclagem – País é líder mundial no reúso das embalagens de agrotóxicos

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Publicado por: Fernando C. de Castro
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    Uma pedra no caminho da indústria química começa a ser removida com iniciativas bem articuladas entre as empresas, organismos de fiscalização  de normas ambientais e com o aumento da consciência ecológica de segmentos sociais e econômicos. Quando o tema é a reciclagem de embalagens plásticas rígidas para defensivos agrícolas, o Primeiro Mundo fica aqui. Em percentuais, o País reaproveita 87% desses recipientes, seguido do Canadá (70%) e Alemanha (65%). Nesse aspecto, os EUA demonstram o menor índice de preocupação com a solução ecoeficiente e representam 20%.

    Os dados foram coletados em 2005 numa pesquisa encomendada pelo Instituto Nacional de Processamento de Embalagens Vazias (Inpev), uma entidade sem fins lucrativos, criada pela própria indústria de defensivos agrícolas. Em 2006, a reciclagem de embalagens provenientes do campo atingiu 17 mil toneladas, de um total de aproximadamente 19 mil e 500 coletadas. No total, os plásticos respondem por 75% e os demais materiais 25%.

    No detalhamento, o polietileno de alta densidade lidera o descarte com 55%. O polietileno multicamada, ou coex, representa 20%. O papelão fica em 8% e as latas de aço, 5%. O polipropileno, na forma de tampas de recipientes rígidos corresponde a 4%. O percentual restante é formado pelas embalagens flexíveis, que não podem ir à reciclagem, ou pelas rígidas guardadas inadequadamente, também destruídas por reação térmica.

    Plástico Moderno, Marta Elizabeth Valim Labres, responsável pela área agropastoril da Fundação Estadual de Proteção Ambiental do Rio Grande do Sul (Fepam), Reciclagem - País é líder mundial no reúso das embalagens de agrotóxicos

    Marta: seminários criaram a cultura de recilagem

    A tecnologia da informação é uma forte aliada desse esforço. O site do Inpev informa que resultam 12 produtos da reciclagem de embalagens rígidas de defensivos agrícolas, notadamente: barrica de papelão e embalagem triex para produtos químicos. Em termoplásticos, a indústria produz ainda tubos para esgoto, cruzeta de poste de transmissão de energia, embalagem de óleo lubrificante, caixa de passagem para fios e cabos elétricos, caixa de bateria automotiva, conduíte corrugado, tampa agro recicap, duto corrugado, saco plástico de descarte e incineração de lixo hospitalar e barrica plástica para incineração.A logística em termos de segurança é estratégica.

    O caminhão responsável pela entrega dos defensivos agrícolas nos pontos-de-vendas é quem leva embora o descartável no caminho de volta. A operação é denominada logística reversa. Existe apenas uma transportadora vinculada ao Inpev e credenciada com o chamado Manifesto de Transporte de Resíduos.

    O pedido para transportar é feito em um talonário semelhante ao de notas fiscais, emitido pelo Serviço de Emergência Ambiental. As normas de autorização variam conforme o Estado, mas o sistema de descarte e destinação final está previsto na resolução 237 do Conselho Nacional de Meio Ambiente (Conama) e na chamada Lei dos Agrotóxicos. Ninguém tem como fugir porque se trata de legislação federal.

    As embalagens de agrotóxicos foram classificadas em dois grupos. As primárias entram em contato direto com o produto e são plásticos e latas. As secundárias são papelão e embalam as primárias. Marta Elizabeth Valim Labres, responsável pela área agropastoril da Fundação Estadual de Proteção Ambiental do Rio Grande do Sul (Fepam), assinalou que as embalagens, por lei, ficam sob inteira responsabilidade dos fabricantes e das revendas. Por essa razão, as empresas formaram o Inpev.

    Plástico Moderno, Alfieri Sartoretto, presidente da Rede Âncora, Reciclagem - País é líder mundial no reúso das embalagens de agrotóxicos

    Sartoretto assegura eliminação completa dos resíduos

    Desde a criação da entidade, complementa Labres, foram realizados seminários para envolver cooperativas, sindicatos rurais e varejistas no sentido de criar a cultura da reciclagem e estimular a entrega das embalagens nos postos de recebimento. De acordo com ela, o sistema tem funcionado bem, pois existem postos e centrais nas principais zonas agrícolas do Estado, com algumas carências, como a região da serra.

    “A iniciativa resultou numa solução econômica importante porque é um plástico de qualidade”, explicou Labres. Ela ainda revelou que as centrais precisam empregar sistemas de segurança porque o material é alvo de ladrões. Com tudo isso, restam passivos ambientais mais antigos por conta de defensivos agrícolas vencidos guardados em galpões e embalagens de vidro, as quais praticamente foram retiradas do mercado. Para as duas situações, o Conama ainda não encontrou uma solução tecnologicamente viável.

    Óleos Lubrificantes – Da mesma forma, um outro grupo de indústrias foi obrigado por força da legislação a criar uma alternativa de reciclagem. Trata-se do segmento fabricante de óleos lubrificantes. Há alguns anos, o Sindicom do Rio Grande do Sul, o sindicato que reúne as oito maiores processadoras do produto, passou a coletar os frascos de óleo vendidos nos postos de abastecimento a um custo de R$ 100 mil por mês, cobrado de cada um dos oito associados.

    O recolhimento ocorre por conta da MB, empresa especialmente constituída com a finalidade de recolher as embalagens nos postos de abastecimento.

    A coleta é obrigatória e gratuita e as embalagens de polipropileno passam por reciclagem no Rio de Janeiro.Depois retornam ao mercado novamente como garrafas plásticas de óleos e outros produtos originários de refinarias.

    O volume de embalagens plásticas comercializado pelo Sindicom, ano-base 2004, foi de 243 toneladas, levando-se em conta aproximadamente 2 mil e 800 postos de gasolina, e foram recolhidos 5% do volume. Em 2005, os grupos Bardhal e Ingrax, não filiados ao Sindicom, passaram a recolher suas embalagens num volume de 98 toneladas. A previsão de coleta em 2007 aponta para 535 toneladas recolhidas para 2 milhões produzidos, um percentual de 27%. Já contabilizada a média dos quatro primeiros meses.


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