Reciclagem

27 de setembro de 2007

Reciclagem – Gerar energia e reaproveitar mais resinas norteiam novos programas de investimentos

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Publicado por: Maria Aparecida de Sino Reto
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    Do alto posto de um dos maiores índices de reciclagem mecânica de plásticos pós-consumo do mundo (16,5%), a despeito da falta de um sistema eficiente de coleta seletiva, o País agora busca opções para ampliar a taxa de reutilização e também de alternativas que permitam aproveitar os resíduos plásticos presentes no lixo urbano. Dois projetos recentes prometem contribuir para manter os brasileiros no pódio: o projeto Repensar, para revalorização do Isopor (poliestireno expandido), encampado pela Plastivida – Instituto Sócio-Ambiental dos Plásticos e por um grupo de empresas parceiras (produtoras de matérias-primas, de embalagens, de beneficiamento e de transformação); e a reciclagem energética, também incentivada pela Plastivida, que consiste em recuperar a energia contida nos resíduos sólidos urbanos na forma de energia elétrica ou térmica, tendo no material plástico a fonte combustível.

    O presidente do Instituto, Francisco de Assis Esmeraldo, estima em cerca de 520 mil toneladas a quantidade de plásticos recuperados em 2006, via reciclagem mecânica, 50 mil t a mais em comparação com o ano anterior. Ainda assim, as empresas recicladoras operaram com ociosidade da ordem de 40%, segundo ele.

    Plástico Moderno, Silvia Piedrahita Rolim, assessora técnica da Plastivida, Reciclagem - Gerar energia e reaproveitar mais resinas norteiam novos programas de investimentos

    Silvia: plástico desonera o processo de combustão

    Projeto para o EPS – Amplamente usado em embalagens industriais e em artigos de consumo, entre outros, o poliestireno expandido (EPS) ainda constitui um produto estranho aos olhos do consumidor. Todo mundo reconhece uma embalagem de Isopor (marca hoje pertencente ao grupo francês Knauf-Isopor, que, em 1998, adquiriu o controle do negócio), mas quase ninguém sabe identificá-lo como plástico, e, muito menos, como material reciclável.

    “São plásticos específicos e desconhecidos da população”, pondera Silvia Piedrahita Rolim, assessora técnica da Plastivida.

    Lançado recentemente pelo Instituto, o projeto Repensar tem por objetivo divulgar a reciclabilidade do material e seus benefícios. Segundo a assessora, trata-se de uma iniciativa pioneira no País. Há, porém, ações semelhantes adotadas em outros países da Europa.A campanha foi apresentada ao setor pela Plastivida e pelas empresas nela envolvidas durante a Brasilplast, realizada em maio deste ano, no Anhembi, em São Paulo. O estande exibiu peças feitas com o produto reciclado e distribuiu ao público material informativo sobre o EPS. Segundo dados do Instituto, a produção brasileira da resina expandida e espumada alcança cerca de 45 mil toneladas anuais.

    Da mesma forma que outros termoplásticos, o poliestireno, tanto o expandido como o espumado, é um material 100% reciclável, pelos processos mecânico, energético ou químico. De acordo com as indústrias do ramo, o EPS não contém clorofluorcarbono (CFC). Portanto não agride a camada de ozônio da atmosfera.
    O coordenador do Repensar, Geraldo Luis de Lorena Pires, consultor contratado pela Plastivida, conta que a idéia do projeto nasceu há cerca de um ano e meio, com a preocupação de conscientizar a sociedade de que o poliestireno expandido é um plástico reciclável e impulsionar a atividade. Uma das primeiras empresas a aderir ao projeto foi a Meiwa, de Arujá-SP, listada entre as maiores produtoras nacionais de embalagens de EPS.

    Plástico Moderno, Geraldo Luis de Lorena Pires, consultor contratado pela Plastivida, Reciclagem - Gerar energia e reaproveitar mais resinas norteiam novos programas de investimentos

    Pires articula projetos piloto nos hipermercados

    Também responsável por prospectar novas fontes geradoras dos resíduos pós-consumo, como grandes redes de super e hipermercados e lojas de departamento, entre outras, Pires anuncia testes piloto em cerca de seis lojas do Carrefour e no Extra, unidade Morumbi. Segundo ele, o Carrefour constitui o primeiro usuário da ponta da cadeia a assinar o termo de parceria com a Plastivida. À instituição cabe recolher, por meio de seus associados recicladores, todos os resíduos de Isopor gerados nas lojas pré-determinadas pelo hipermercado. A fonte geradora do material reciclado se compromete a separar todo resíduo e deixá-lo, a granel ou enfardado, em local de fácil acesso para retirada pelo associado da Plastivida.

    O piloto existe há cerca de sete meses no Carrefour e dois meses no Extra e o associado da Plastivida incumbido da coleta, em ambos os casos, é a Proeco, de Guarulhos-SP.

    Segundo Pires, o Magazine Luiza também desenvolve um teste piloto há cerca de três meses em parceria com a Termotécnica, de Sumaré-SP. “O próprio Magazine Luiza recolhe as embalagens por sistema de leva e traz, por meio de suas centrais de distribuição: na entrega dos produtos, a empresa pede ao consumidor para levar a embalagem de volta para reciclagem”, explica. Nos cálculos dele, a coleta nos hipermercados tem gerado em torno de 500 a 600 quilos mensais por loja e a do Magazine Luiza, em média, 1 tonelada mensal.

    Revalorização – Capacitada a recuperar até 300 toneladas mensais de EPS, a Proeco, criada há cerca de um ano e meio, está ainda longe de atingir seu limite. A produção atual gira em torno de 60 toneladas mensais. “A grande dificuldade para aumentar o volume de resina reciclada é a logística do consumidor; para viabilizar o transporte, o material precisa ser reduzido”, explica o diretor Gilberto Zanetti.
    A leveza do EPS, constituído de até 98% de gás, não justifica, por questões de custo, o transporte em longas distâncias. Embora a Proeco receba também rejeitos de indústrias, o foco da recicladora é o reaproveitamento de resíduos de consumo, obtidos também em cooperativas de coletadores.

    Todos os resíduos do material expandido captados passam primeiro por um equipamento de origem chinesa que os transforma em um tarugo compacto e de fácil transporte. Essa máquina mói e retira praticamente todo o gás dos restos de embalagens de consumo e descartes industriais, gerando o chamado “pãozinho”, posteriormente transformado em grãos em uma extrusora.


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