Economia

25 de novembro de 2012

Reciclagem energética reúne especialista no Sul do País

Mais artigos por »
Publicado por: Fernando C. de Castro
+(reset)-
Compartilhe esta página

    Na sua terceira edição, o Fórum Brasileiro de Reciclagem Energética de Resíduos Sólidos com Ênfase em Plásticos – Energiplast 2012 apresentou novas tecnologias e cases de sucesso de geração de energia com o uso de resíduo sólido urbano, além de temas como a reciclagem, gestão do lixo e utilização de créditos de carbono. No evento, promovido pelo Sindicato das Indústrias de Material Plástico no Estado do RS (Sinplast), o responsável por novas tecnologias da Estre Ambiental, Antônio Januzzi, abordou a experiência da UVR – Unidade de Valorização de Resíduos da empresa, localizada em Paulínia-SP, que produz combustível derivado de resíduos (CDR) preparado com resíduos não perigosos, cuja utilização visa à recuperação de energia em unidades de processamento térmico.

    Conforme Januzzi, o CDR é usado para produzir calor industrial, sendo que o potencial de geração do combustível gira em torno de 40% do resíduo sólido urbano bruto. Na fábrica da Estre Ambiental foram investidos R$ 35 milhões, com a importação de uma planta da Finlândia com especificações técnicas de atendimento à norma ambiental europeia.

    A capacidade de produção da operação industrial é de 400 toneladas/dia. Inaugurada em fevereiro de 2011, a UVR ainda opera em ritmo de teste, pois o mercado consumidor do produto ainda está se formando. Isso, entretanto, não tirou o otimismo do empreendedor que já adquiriu uma segunda planta para produção de CDR, mas ainda não definiu sua localização. Com relação ao processo industrial, Januzzi explicou que a primeira etapa é a da trituração primária, que objetiva rasgar os sacos. Logo após, o lixo é peneirado para extração das frações mais finas, com a eliminação de 55% de tudo o que entra. A matéria-prima do CDR também utiliza o resíduo industrial de escritório, composto por papel e papelão.

     

     

    O combustível é utilizado na indústria do cimento, indústria sucroalcooleira e na caldeira da unidade térmica própria da Estre. Entre as vantagens de sua utilização em relação a outras fontes de energia, Januzzi destacou a racionalização do consumo fóssil, diminuição da quantidade de resíduos que vai para o aterro sanitário e o fato de existir uma fonte contínua de matéria-prima para a fabricação do produto. O executivo ressaltou que o CDR já conta com unidades industriais na Finlândia, Polônia e Itália. “A intenção da empresa é continuar crescendo no segmento, podendo para isso fazer parcerias com prefeituras ou outras empresas”, finalizou.

    O segundo case foi apresentado pelo superintendente operacional da Solví (grupo que atua nas áreas de gestão de resíduos e saneamento), Diego Nicoletti, que apresentou a primeira termelétrica a biogás de aterro sanitário do Nordeste e a terceira do Brasil, a Termoverde Salvador. Ele informou que a usina teve o início de sua implementação em março de 2009 e foi inaugurada em janeiro de 2011, resultado de um investimento de R$ 50 milhões. A usina tem uma potência instalada de 19,72 MW e uma potência útil de 17 MW, o suficiente para abastecer uma população de 250 mil habitantes. Atualmente, a mão de obra direta é de 90 profissionais, enquanto os trabalhadores indiretos chegam a 120.

    Nicoletti ressaltou que a empresa é classificada como produtora independente de energia, com acesso à rede elétrica da Companhia de Eletricidade da Bahia (Coelba), através da subestação CIA III, em 69 KV, com uma extensão de aproximadamente 7,5 km do ponto de geração. “Isso permite que a energia produzida vá direto para a distribuidora, chegando depois aos demais consumidores”, garantiu.

    O superintendente operacional lembrou que o biogás é gerado por meio da biodigestão anaeróbica da matéria orgânica presente nos resíduos sólidos. O processo industrial na usina envolve o pré-tratamento, sopradores e sistema de monitoramento, tendo como principais contaminantes a umidade, material particulado proveniente da areia, ácido sulfídrico (corrosivo) e siloxanos (que também corroem os equipamentos). Já o princípio de tratamento se dá pela troca térmica.

    Nicoletti observou que o investimento em biogás não se viabiliza em aterros sanitários de pequeno porte. No caso da Termoverde, o investimento foi projetado para 20 anos, sendo esperado o retorno de investimento em sete anos. “Em aterro sanitário a exploração de biogás é sempre crescente, pois o local é uma fonte permanente de energia”, disse.

    Para os negócios com biogás, Nicoletti vê alguns entraves para o desenvolvimento do setor pelos poucos aterros sanitários existentes no país, bem como pelo baixo preço pago pela geração de energia definido nos últimos leilões. “As capitais que poderiam ser atrativas já têm as suas soluções ambientais corretas, e que são concorrentes do grupo Solví”, registrou.

    O último case apresentado no Fórum de Reciclagem Energética tratou da transformação de resíduos plásticos em energia utilizando o processo de pirólise. Conforme o engenheiro químico e consultor na área ambiental, Antonio Mallmann, o aumento do consumo de produtos one way tem aumentado a geração de resíduos, criando um dos grandes problemas do nosso século, pois o eficiente gerenciamento é necessário para fornecer um meio ambiente seguro e saudável para as pessoas.

    Mallmann explicou que a pirólise é um processo de decomposição de materiais orgânicos, obtido quando se aquece o material em temperaturas entre 400 e 900 graus célsius na ausência de oxigênio por um período de 40 minutos a 1 hora, que transforma a matéria em misturas líquidas e de gases em material sólido, que gera cinza e carbono fixo.


    Página 1 de 212

    Compartilhe esta página







      2 Comentários


      1. […] Reciclagem energética reúne especialista no Sul do País […]


      2. […] os polímeros nos veículosClarificantes – Nem tudo é claro na disputa entre PP e outras resinasReciclagem energética reúne especialista no Sul do País 0 comentários » […]



      Deixe uma resposta

      O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *