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9 de julho de 2008

Reciclagem de PET – Revalorização do PET pós-uso em grau alimento promete revolucionar o mercado da resina

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Publicado por: Domingos Zaparolli
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    Plástico Moderno, Manuel Aleixo Sallovitz, diretor da Morris & Morgan, Reciclagem de PET - Revalorização do PET pós-uso em grau alimento promete revolucionar o mercado da resina

    Sallovitz admite retomada de planos de investimentos

    A indústria de reciclagem de PET está no limiar de uma nova fase. Em março, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) publicou uma resolução liberando o uso do PET reciclado pelos sistemas tecnológicos superclean e bottle-to-bottle para a fabricação de novas embalagens de alimentos e bebidas. A decisão pôs fim a uma discussão iniciada no órgão público em 2002 e tem potencial, a médio prazo, para impulsionar significativamente os negócios neste segmento de mercado. Algumas recicladoras já adaptaram suas estratégias a essa nova realidade. Mas ainda é preciso resolver alguns gargalos, sendo o principal deles a oferta de PET reciclado com qualidade e a um preço vantajoso em relação ao PET virgem. A coleta adequada de matéria-prima para reciclagem é um dos desafios a ser vencidos.

    Segundo a Anvisa, quatro empresas já solicitaram autorização para disponibilizar ao mercado PET reciclado grau alimento. Mas, até o final de junho, nenhuma ainda havia sido homologada. Pelo menos duas empresas, Bahia PET e Global PET, já iniciaram estudos para investir na ampliação de suas capacidades produtivas e atender a essa nova demanda. Ao mesmo tempo, a alemã Schoeller, que em 2003 havia anunciado investimentos em uma planta de reciclagem de PET no país, volta a se mexer, conforme informa Manuel Aleixo Sallovitz, diretor da Morris & Morgan, responsável pelo projeto da Schoeller. “Os estudos para a implantação de uma unidade no Brasil foram retomados, mas a Schoeller julga que ainda seja um pouco cedo para uma entrevista sobre o assunto”, disse o executivo.

    Plástico Moderno, Ferry Rosenstock, gerente do departamento de máquinas plásticas, Reciclagem de PET - Revalorização do PET pós-uso em grau alimento promete revolucionar o mercado da resina

    Rosenstock constata forte interesse na teconologia

    O grupo Schoeller controla a OHL Engineering, empresa fornecedora de tecnologia para o processo bottle-to-bottle. No Brasil, a OHL é representada pela Man Ferrostaal e, conforme informa Ferry  Rosenstock, gerente do departamento de máquinas plásticas, as consultas sobre a tecnologia bottle-to-bottle se tornaram intensas nos últimos meses, mas ainda sem nenhuma negociação efetivada. A mesma situação é relatada por Nelson Ferreira, gerente-comercial da Krones, outra empresa alemã detentora da tecnologia. “No momento, temos pelo menos três estudos de instalação de plantas de reciclagem no Brasil”, informa. Na verdade, o momento é de expectativa em relação às primeiras homologações da Anvisa e à aceitação do PET reciclado na indústria de alimentos e bebidas.

    O potencial da nova aplicação é grande. Em 2007, foram produzidas 432 mil toneladas de resinas PET no Brasil. Estima-se que 90% deste total tenha sido destinado à produção de garrafas, principalmente para as indústrias de refrigerantes e águas. Outros 7% foram destinados às embalagens de óleos comestíveis. Estas duas aplicações somam 419 mil toneladas. Se apenas 10% deste consumo migrar para o uso do PET reciclado, uma estimativa usada por vários competidores do mercado, já terá sido formada uma demanda adicional de quase 42 mil toneladas do insumo no país, o que representaria um impulso de mais de 18% sobre a demanda de PET reciclado em 2007, que totalizou 230 mil toneladas.

    Plástico Moderno, Nelson Ferreira, gerente-comercial da Krones, Reciclagem de PET - Revalorização do PET pós-uso em grau alimento promete revolucionar o mercado da resina

    Ferreira analisa três projetos de instalação

    Coca-Cola adotará – Diretor-executivo da Associação Brasileira das Indústrias de Refrigerantes e de Bebidas Não-Alcoólicas (Abir), Paulo Mozart acredita ainda ser cedo para uma avaliação sobre a  demanda de PET reciclado na indústria que representa. Ele confirma, porém, grande movimento dos associados na procura de fornecedores do insumo. “A expectativa é de que o consumo de PET reciclado em embalagens de refrigerantes e águas seja significativo a médio e longo prazo, mas ainda é preciso muito trabalho no desenvolvimento da tecnologia e em ganho de competitividade do insumo”, informa o diretor.

    Um problema apontado pelos fabricantes de bebidas é a falta de homogeneidade na cor do PET reciclado. O flake, material picado utilizado no processo de reciclagem, é obtido de diferentes tipos de garrafas, dificultando a formação de um padrão de cor do insumo, o que pode afetar o aspecto visual das embalagens. Hermes Contesini, responsável por relações com o mercado da Associação Brasileira da Indústria do PET (Abipet), também acredita ser este um empecilho considerável a uma maior difusão do uso do insumo pela indústria de bebidas. Ele, porém, informa que, de acordo com estudos realizados, uma composição de até 10% de PET reciclado e 90% de PET virgem não afeta o padrão de cor das garrafas.

    Outro problema apresentado como inibidor do uso do insumo reciclado é o preço do material. No momento, conforme informam fornecedores, o PET reciclado grau alimento apresenta no Brasil um preço de mercado entre 10% e 15% inferior ao preço do PET virgem. Mas esse valor pode ser inflacionado pelo aumento de demanda do produto revalorizado. Nos Estados Unidos, por exemplo, o PET reciclado já é mais caro que o virgem. O uso do material reciclado naquele mercado não é impulsionado por um objetivo financeiro. Responde a uma demanda pública por uma maior sustentabilidade das atividades econômicas, com as empresas assumindo responsabilidade ambiental pelo ciclo completo de seus produtos, da matéria-prima ao descarte final. “No Brasil, as empresas também estão atentas à responsabilidade social e ambiental e o uso do PET reciclado é uma forma da indústria de bebidas contribuir para reduzir o impacto ambiental gerado pelo descarte de suas embalagens”, diz Mozart.


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