Reciclagem

14 de abril de 2008

Reciclagem – Baixa escala industrial intimida o desenvolvimento das máquinas

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Publicado por: Simone Ferro
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    Plástico Moderno, Hélio Wiebeck, professor doutor, especialista em polímeros e reciclagem em geral, Reciclagem - Baixa escala industrial intimida o desenvolvimento das máquinas

    Wiebeck destaca proposta de produzir brinquedos de PVC (ao lado) com pó de pneu incorporado

    Pesquisas e novos desenvolvimentos abrem as portas para aplicações inéditas e impulsionam a reciclagem de resinas plásticas cujos principais destinos eram os lixões e aterros, como ocorre com o poliestireno expandido (EPS), o popular isopor. Porém, nem todas as iniciativas saem do papel. No campo tecnológico e, de modo especial, na gestão dos resíduos, o Brasil ainda tem um longo caminho a trilhar quando o assunto é produção em escala industrial. Apesar das dificuldades, experiências bem-sucedidas começam a ganhar as ruas. Afinal, criar demanda é o primeiro passo para incentivar a coleta e, conseqüentemente, a reciclagem.

    A Proeco Reciclagem, de Guarulhos-SP, emprega uma máquina coreana na recuperação de EPS, e a recém-inaugurada Wisewood, de Itatiba-SP, vai produzir madeira plástica por meio da intrusão de resina reciclada sem o emprego de fibra natural. Ambas demandam tecnologias específicas, desenvolvidas exclusivamente para as aplicações.

    Plástico Moderno, Reciclagem - Baixa escala industrial intimida o desenvolvimento das máquinasO Departamento de Engenharia Metalúrgica e de Materiais da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (USP) encabeça uma série de pesquisas que visam a criar produtos com materiais plásticos ainda sem mercado na reciclagem. Entre os materiais estudados na USP estão os blisters de PVC, o polivinil butiral (PVB) – filme usado em pára-brisa automotivo – e o pó de borracha de pneu. “Atualmente trabalhamos com a reciclagem de filmes multicamadas”, explica o professor doutor, especialista em polímeros e reciclagem em geral, Hélio Wiebeck.

    O estudo consiste em encontrar aplicações comerciais para as embalagens plásticas multicamadas pós-consumo. “Transformadas em flakes, serão agregadas a outros plásticos e usadas na injeção ou extrusão dando origem a novos produtos e aplicações”, explica. A experiência deverá ser concluída até o final do ano. Segundo Wiebeck, as pesquisas realizadas pelo departamento serviram de base para ações da iniciativa privada. “Empresas usam o PVB reciclado como aditivo em vernizes de alta abrasão para assoalhos de madeira e para aumentar a flexibilidade do náilon e do PVC em peças automotivas, com base nas informações obtidas em nossos estudos.” Nesse caso, trata-se de resíduo pós-industrial moído, misturado, granulado e injetado.

    A reciclagem e o reaproveitamento de resinas termofixas ainda representam o maior entrave, em virtude das características desses materiais, que não amolecem após a conformação. Um dos estudos nesse campo, ainda sem aplicação comercial, propõe a incorporação de pó de pneu ao PVC para a fabricação de bolas infantis. “O pneu é moído até gerar um pó fino. O produto funcionou, mas ainda não apareceu um empresário interessado em adotar a idéia.”

    Plástico Moderno, Vladimir Kudrjawzew, presidente da Wisewood, Reciclagem - Baixa escala industrial intimida o desenvolvimento das máquinas

    Kudrjawzew aposta em solução sustentável

    Já a reciclagem de filmes flexíveis, como as sacolinhas de supermercados, esbarram na deficiência tecnológica e no alto custo dos equipamentos. “Além disso, o resíduo geralmente é coletado com alto grau de contaminação.” Na avaliação de Wiebeck, a indústria brasileira de máquinas melhorou muito em tecnologia para reciclagem de plásticos nos últimos anos.

    A aquisição de maquinário importado também está mais simples e menos dispendiosa. “Gradativamente, algumas máquinas nacionais ganham destaque nessa área. Porém, há muito a conquistar.” Para ele, o principal gargalo ainda é a falta da coleta seletiva ou sua execução com pouquíssima eficiência. “Creio que a população tem relativa conscientização em relação a má disposição desse resíduo plástico no meio ambiente.”

    Intrusão – O sistema adotado pela Wisewood, cuja tradução significa madeira inteligente, foi projetado e fabricado em parceria com a brasileira Krown, de Barueri-SP, e teve como ponto de partida uma formulação desenvolvida por três engenheiros formados pelo Instituto Tecnológico da Aeronáutica (ITA), com o apoio da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Trata-se de um composto de blendas formulado com resinas recicladas, aditivos e fibras. “Não incorpora fibras de madeira ou outras fibras naturais”, explica o presidente da Wisewood, Vladimir Kudrjawzew.

    Essa é uma das diferenças da madeira plástica da Wisewood. A fórmula, mantida sob sigilo, emprega toda a gama de termoplásticos reciclados em quantidades específicas, exceto o polietileno tereftalato (PET). O processo produtivo permite também o reaproveitamento das embalagens flexíveis, como as sacolas de supermercados, presentes em grande escala no lixo doméstico. Foi divulgado também o uso de pó de pneu e óleo lubrificante.

    Plástico Moderno, Reciclagem - Baixa escala industrial intimida o desenvolvimento das máquinas

    Molde para dormente tem 2.500 t de força de fechamento

    Os resíduos plásticos chegam à fábrica em fardos e são reprocessados separadamente. O início do processo, semelhante ao de diversas linhas de reciclagem, envolve a separação, lavagem, descontaminação, centrifugação e moagem. Os flakes e demais aditivos que compõem a fórmula são homogeneizados em silos. A mistura tem dois destinos distintos: a extrusão ou a intrusão. A extrusora de perfil, fabricada na Itália, é o único equipamento que não foi confeccionado pela Krown, empresa mais focada para o mercado de revalorização de PET.

    A extrusão é usada para a confecção de cruzetas para postes de linhas de transmissão de energia elétrica. Já o processo de intrusão conforma dormentes e paletes. O material aquecido entra nos moldes com uma pressão de 250 bar, ou seja, uma rosca extrusora empurra a resina que preenche a ferramenta. “Os moldes aquecidos têm 2.500 toneladas de força de fechamento”, explica Kudrjawzew. O molde dos dormentes possui três cavidades e custou R$ 800 mil. “O processo desde a fusão do material até a saída das peças demanda 30 minutos.”


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      Um Comentário


      1. Antonio

        Gostaria de comprar uma máquina de reduçâo de isopor que tira o gás,trabalho com moagem plastica e retiro muito isopor,gostaria de saber sobre a máquina que retira o gás para que possa moer e usar na injeçao, favor mandar preço e produção da maquina, como faço para ver a maquina…aguardo retorno…obrigado!!!



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