Embalagens

12 de novembro de 2016

Reciclagem: Agroquímicos têm coleta exemplar

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Publicado por: Antonio Carlos Santomauro
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    O Brasil anualmente retira de circulação cerca de 45 mil toneladas de embalagens de agroquímicos, das quais quase 60% são constituídas de embalagens rígidas de PEAD e coextrudados, com capacidades diversas, sendo as de 20 litros as mais comuns. Os demais 40% incluem outros materiais recicláveis, como embalagens rígidas metálicas e as chamadas embalagens secundárias – que não mantêm contato direto com os agentes químicos –, feitas de papelão. Há ainda uma parte que é incinerada, caso das embalagens flexíveis qualificadas como ‘não-laváveis’.

    Regulamentada em 2002, a lei brasileira relativa à destinação das embalagens de agroquímicos delega tarefas a todos os elos da cadeia produtiva agrícola, inclusive aos produtores rurais, que devem lavar as embalagens, inutilizá-las e depois levá-las às unidades de recebimento. “É preciso lavá-las três vezes – aproveitando todo produto que sobra nas embalagens para também ser pulverizado na lavoura –, porque depois disso as embalagens terão menos de 100 partes por milhão (ppm), de resíduos do agroquímico, estando portanto aptas a ser integradas a um processo convencional de reciclagem”, explica João Cesar Rando, diretor-presidente do inpEV (Instituto Nacional de Processamento de Embalagens Vazias), e da recicladora e transformadora Campo Limpo.

    Plástico Moderno, João Cesar Rando, diretor-presidente do inpEV (Instituto Nacional de Processamento de Embalagens Vazias), e da recicladora e transformadora Campo Limpo

    João Cesar Rando, diretor-presidente do inpEV (Instituto Nacional de Processamento de Embalagens Vazias), e da recicladora e transformadora Campo Limpo

    Por sua vez, os distribuidores de agroquímicos são responsáveis por indicar na nota fiscal de venda um local para o qual o agricultor deve retornar as embalagens e manter disponível este local (uma central ou posto de recebimento). Aos fabricantes dos produtos, cabe organizar a logística reversa e dar a destinação ambientalmente adequada ao material coletado. Eles delegam a gestão e a operacionalização dessa tarefa ao inpEV, entidade criada e gerida por eles mesmos – e que já disponibiliza mais de quatrocentas unidades de recebimento em todos os estados da federação, além de realizar anualmente milhares de operações de recebimento itinerantes.

    Reciclado, o plástico rígido coletado pelo Inpev pode ser utilizado em aplicações como tubos e conduítes, mas na empresa dirigida por Rando, a Campo Limpo, ele é reaproveitado em novas embalagens de agroquímicos (nas quais é misturada a 15% de resina virgem). “A resina dessas embalagens é de altíssima qualidade, até porque elas precisam receber a homologação das Nações Unidas para transporte de produtos perigosos”, destaca Rando. “Na Campo Limpo, processamos anualmente cerca de 11 mil toneladas de resina”, acrescenta.

    O Brasil, enfatiza Rando, é hoje a grande referência mundial nesse tema, pois aqui cerca de 94% das embalagens de agroquímicos são coletadas após o uso, e daí recebem a destinação mais adequada. “Nos Estados Unidos esse índice não chega a 40%, e na França e na Alemanha situa-se na faixa entre 60% e 70%”, compara.



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