Plástico

15 de dezembro de 2009

Propeno verde resolve dois problemas

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Publicado por: Maria Aparecida de Sino Reto
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    Além de produzir polipropileno por uma rota de fonte renovável, a Quattor ainda planeja, por tabela, solucionar uma questão ambiental derivada da utilização obrigatória do biodiesel. A tecnologia em desenvolvimento pela petroquímica propõe unir o ambientalmente correto com o rentável: transformar glicerina, um subproduto do biodiesel, em propeno. Segundo o presidente da empresa, Vitor Mallmann, o seu reaproveitamento atende a uma equação de custo, além de uma demanda de mercado de fontes renováveis.

    Desenvolvida em conjunto com um grupo de pesquisadores do Instituto de Química da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), a tecnologia é inédita em âmbito mundial, com processo e catalisadores patenteados e se baseia em um sistema catalítico capaz de promover uma reação que transforma seletivamente a glicerina em propeno.

    O projeto se encontra atualmente em estágio final de desenvolvimento, com projetos de montagem de uma unidade

    Plástico, Pedro Geraldo Bôscolo, gerente de tecnologia,

    Bôscolo: a indústria está disposta a pagar prêmio pelo selo verde

    piloto em Mauá-SP, de produção diária em torno de uma tonelada de propeno “verde”, já no primeiro trimestre de 2010.

    Os planos contemplam a construção de uma planta comercial em 2012, da ordem de 100 mil toneladas anuais de propeno baseado em glicerina. O país deverá gerar da ordem de 260 mil toneladas do subproduto (de uma fabricação anual estimada de 2,5 bilhões de litros de biodiesel), volume que será absorvido na planta comercial da Quattor. O local ainda não foi definido.

    Assim, a produção do propeno “verde” contribuiria para evitar um impacto ambiental negativo, já que não há mercado para tal nível de excedente de glicerina. Outra vantagem do processo de propeno “verde” fica por conta da liberação de grande volume de água de boa qualidade, passível de ser usada na etapa de polimerização ou vendida para consumidores próximos.

    As pesquisas finais em andamento envolvem testes de avaliação do biopropeno quanto às especificações adequadas para seu uso em reatores convencionais de polimerização. De acordo com o gerente de tecnologia, Pedro Geraldo Bôscolo, a avaliação visa a comprovar que essas especificações do produto de rota renovável serão convertidas nas mesmas propriedades do propeno convencional, de origem fóssil.

    Com o projeto piloto, a Quattor pretende obter dados mais consistentes tanto do processo quanto dos seus custos. De qualquer modo, o gerente acredita que o biopropeno será competitivo e que diversos segmentos da sociedade estariam interessados na solução e dispostos a pagar um prêmio pelo selo verde, de maior valor agregado. A ambição da empresa não chega a ponto de pretender a substituição plena do PP de fonte fóssil pelo de origem renovável. “A proposta seria de atingir em torno de 10% da produção em PP verde.” Segundo a empresa, as indústrias de embalagens, de cosméticos e farmacêuticas já mostraram disposição para investir no produto.



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