Ferramentaria Moderna

22 de fevereiro de 2009

Porta-moldes – Segmento lucra com a crescente exigência dos transformadores por ferramentas semiprontas

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Publicado por: Jose Paulo Sant Anna
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    Agregar valor à atividade. Essa tem sido a atual estratégia dos principais fornecedores de porta-moldes. A ideia é atender à crescente demanda do mercado por ferramentas quase prontas. Para tornar mais rápida a fabricação do molde e reduzir os custos, as empresas do ramo estão utilizando suas estruturas de usinagem de aço para entregar aos clientes conjuntos já com todas as furações e componentes necessários. O papel dos transformadores e ferramenteiros, nesses casos, se resume a desenvolver os projetos de ferramentas e usinar as cavidades.

    Plástico Moderno, Estevam Horvate, gerente de vendas da MDL-Danly, Porta-moldes - Segmento lucra com a crescente exigência dos transformadores por ferramentas semiprontas

    Porta-moldes propiciam ganho de tempo e dinheiro, diz Horvate

    A nova tendência é mais um passo importante para esse nicho de negócios, bastante promissor nos últimos anos. Há umas duas décadas, o uso de porta-moldes no Brasil era bastante incipiente. Ao criar o desenho de um molde de injeção, os projetistas partiam de ideias abstratas. As placas eram fabricadas pelas próprias ferramentarias. Hoje, estima-se que 70% das ferramentas produzidas no Brasil se utilizam de porta-moldes. O número não é oficial. Entre os especialistas, poucos duvidam do crescimento constante desse índice.

    A praticidade ajuda muito a difundir o uso dos padronizados. Hoje, para as ferramentarias, é difícil e caro manter estrutura de máquinas de usinagem para fabricar todos os componentes dos moldes. Com o avanço da tecnologia, equipamentos como fresas, retíficas e outros são constantemente atualizados e os investimentos necessários para adquiri-los são incompatíveis para quem produz um número limitado de ferramentas. A agilidade oferecida pelos modelos de “prateleira” é evidente.

    Outra vantagem se encontra no custo da matéria-prima. Como as fornecedoras de porta-moldes adquirem grandes quantidades de aço, conseguem melhores negociações. Além disso, acostumadas com o produto, trabalham com desperdício mínimo de material e não cometem erros, como o superdimensionamento de determinada placa, entre outros. “Os porta-moldes proporcionam economia de tempo e dinheiro”, resume Estevam Horvate, gerente de vendas da MDL-Danly.

    O uso de padronizados recebeu grande impulso há quatro anos, quando os fabricantes multiplicaram as opções de venda. Como exemplo, podemos citar o caso da Polimold, principal fornecedora nacional. Seguindo o conceito europeu, a empresa passou a disponibilizar 53 famílias de modelos com tamanhos diferentes, contra as 17 oferecidas antes. “Essa foi uma grande sacada, muitos possíveis clientes não compravam porta-moldes por não acharem as medidas mais adequadas”, revela Cleber Jesus Silva, gerente do departamento de desenvolvimento e marketing da empresa. Outras empresas participantes desse segmento, casos da MDL-Danly, da Miranda e da Tecnoserv, seguiram o exemplo e ajudaram a multiplicar as opções existentes no mercado.

    Plástico Moderno, Alexandre Fix, diretor da Polimold, Porta-moldes - Segmento lucra com a crescente exigência dos transformadores por ferramentas semiprontas

    Crise provocou alto índice de inadimplência e preocupa Fix

    Hoje, a diversidade oferecida é impressionante. Existem desde modelos simples até os muito complexos, voltados para a instalação de múltiplas cavidades e oferecidos com sistemas de câmaras quentes. Sem falar nos preparados para projetos de moldes dotados com modernos sistemas valvulados, para facilitar a fabricação de peças cujo formato dificulta o preenchimento dos moldes.

    Crise – Se a praticidade ajuda a expandir o mercado, os ventos da economia podem atrapalhar o desempenho dos fornecedores. A crise econômica mundial, iniciada em outubro, é um exemplo. Os problemas enfrentados por setores usuários de grandes quantidades de peças plásticas, caso das montadoras ou da indústria eletroeletrônica, inibem investimentos. O número de moldes fabricados cai e prejudica os fabricantes de padronizados.

    “Ficarei muito feliz se em janeiro de 2010 constatar que mantivemos o desempenho de 2008. Mas o começo do ano não foi bom, estimo uma queda do faturamento em 2009 em torno dos 15%”, revela Alexandre Fix, diretor da Polimold. Um outro fator vem preocupando o dirigente. A falta de crédito, característica resultante da crise econômica mundial, provocou índices de inadimplência alarmantes. “Estamos enfrentando um índice de inadimplência muito elevado, clientes de porte estão com problemas para nos pagar”, revela. A empresa cresceu 10% no ano passado.

    Plástico Moderno, José de Oliveira Miranda Neto, gerente-comercial da Miranda, Porta-moldes - Segmento lucra com a crescente exigência dos transformadores por ferramentas semiprontas

    Para Miranda Neto, o mercado volta a se aquecer a partir de abril

    A preocupação com a queda de encomendas também atinge o gerente-comercial da Miranda, José de Oliveira Miranda Neto. “Esse ano começou fraco, muito fraco. A crise assustou o pessoal”, afirma. Ele ainda comemora os mais de 30% de crescimento verificado no ano passado e torce para passar logo o momento difícil. “É susto mesmo, a falta de investimentos não tem fundamento, ao menos no nosso mercado”, avalia. Ele acredita que a partir de abril a economia deva voltar a se aquecer. “Só não sei o quanto esse índice de aquecimento vai atingir”, define.

    Opinião mais otimista é dada por Wilson Teixeira, diretor técnico da Tecnoserv. A empresa, que cresceu 12,6% em 2008, já detectou, no final do ano passado, uma pequena queda nas vendas. “Começamos o ano temerosos e as duas primeiras semanas de janeiro foram fracas, muito fracas”, informa Teixeira. A luz no final do túnel deu o ar da graça a partir da terceira semana de janeiro, quando o número de consultas voltou a crescer. “Foi uma semana quase normal, começamos a recuperar o fôlego”, acredita.

    Para Teixeira, a crise trouxe pelo menos um aspecto positivo. Os moldes importados, com a valorização do  dólar, ficaram menos competitivos. Para ele, os moldes chineses de boa qualidade hoje contam com preços muito próximos dos similares nacionais. Os orientais ainda levam alguma vantagem nos prazos de entrega, mas a proximidade do fornecedor conta a favor dos fabricantes nacionais. “Os clientes passaram a procurar alternativas aqui no Brasil”, ressalta.


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