Plástico

21 de março de 2009

Pólo Sul – Transformadores do sul desafiam a crise com criatividade

Mais artigos por »
Publicado por: Fernando C. de Castro
+(reset)-
Compartilhe esta página

    Ao percorrer as principais regiões transformadoras de termoplásticos do sul do Brasil para medir a temperatura do atual momento pelo qual atravessa a terceira geração petroquímica do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná, o sentimento é de preocupação, diante das incertezas impostas pela crise global dos mercados. Mas ninguém entrou em pânico. Dito de outra forma, os processadores de resinas termoplásticas da região mais austral do país conseguem enfrentar a crise com criatividade, algum redimensionamento produtivo e eventualmente com algum corte na estrutura produtiva.

    Lusádio Freitas, sócio-proprietário da Tecnoperfil, empresa da área de extrusão de perfis direcionados a acabamento predial, com sede em Joinville-SC, lançou mão de um eufemismo ao qualificar o momento de “pequena turbulência de leve impacto”. De maneira geral, Freitas considera a crise moderada.

    A Tecnoperfil registra 15% de queda nas vendas entre novembro do ano passado e janeiro. Porém, os relatórios produzidos pela área comercial detectam a retomada das encomendas a partir da segunda quinzena de março. Com isso, Freitas e os dois sócios decidiram manter inalterados os postos de empregos e as encomendas de matéria-prima. Intenciona ainda abrir novas frentes de negócios com a contratação de mais vendedores. “Nosso lema aqui é não fale de crise e trabalhe”, resume.

    Plástico Moderno, Lusádio Freitas, sócio-proprietário da Tecnoperfil, Pólo Sul - Transformadores do sul desafiam a crise com criatividade

    Freitas quer conquistar clientes de concorrentes de grande porte

    Para Freitas, uma pequena queda de vendas pode ser compensada com a redução de custos em áreas como consumo de energia e a diminuição de um turno de trabalho, até o mercado se normalizar. O sócio da Tecnoperfil prevê crescimento de no mínimo três por cento acima das taxas da economia até o final do ano.

    A recuperação ficará por conta do desempenho do segundo semestre. Como a crise é considerada passageira, Freitas acredita ainda nos recursos de marketing para melhorar os negócios, ampliando as ações de promoção de vendas. Com efeito, a ideia é manter aquecido o mercado de pequenas lojas de material de construção civil, que não têm condições de formar estoques.

    A Tecnoperfil atua praticamente sozinha com um total de 27 itens como cantoneiras de diversas cores, corrimãos, bate-macas usados em escolas e hospitais e cantoneiras de PVC flexível, para proteger crianças em paredes de pátios de escola. Essas peças também podem ser fixadas em pilares de garagem, pois protegem a lataria do automóvel das pequenas batidas. Além disso, a Tecnoperfil explora o mercado exterior. Abriu um canal de vendas na Venezuela, compradora de volumes apreciáveis de forro.

    Nesse meio-tempo, a firma lançou uma linha de calhas de PVC diferente das existentes no Brasil. De acordo com Freitas, trata-se de um material de fácil montagem compatível com todas as peças de conexão do mercado. Como é uma empresa média, Freitas não esconde outra estratégia para driblar a crise. Ele quer roubar clientes de empresas maiores.

    “Algumas com capital de giro para bancar demissões pararam máquinas, estocaram matéria-prima, diminuíram a produção e cortaram itens. Estou prospectando seus distribuidores e oferecendo produtos que elas não estão entregando”, confessa.

    Diante da leitura positiva em tempos de crise, a Tecnoperfil manteve o planejamento de investimentos. Sua capacidade instalada de 400 toneladas de PVC por mês será ampliada com a chegada de duas linhas novas completas de extrusão. O objetivo é dobrar a produção a cada 30 dias.

    Plástico Moderno, Derian Campos, Chief Executive Officer (CEO) da CRW, também de Joinville, Pólo Sul - Transformadores do sul desafiam a crise com criatividade

    Campos projeta queda nas vendas de 15%, no primeiro trimestre

    O Chief Executive Officer (CEO) da CRW, também de Joinville, Derian Campos, considera superada a pior etapa da retração dos mercados, pelo menos no segmento de injeção de peças técnicas. Como o dólar aumentou, muitos itens, antes importados, começam a ganhar espaço novamente dentro do parque industrial nacional, principalmente na área de peças e componentes de informática e eletroeletrônicos, um dos carros-chefe da produção da CRW.

    Com isso, a empresa, especializada em moldes e injeção de peças técnicas de alto valor agregado, compensou a queda de encomendas da indústria automotiva com o aumento da demanda de carcaças e componentes de impressoras. Campos projeta uma queda de 15% nas vendas do primeiro trimestre, porém assinala que a indústria automotiva, a primeira a parar, já começa a chamar funcionários de volta e a recontratar. “A Renault está parada, mas a Ford na Bahia está bombando”, compara.

    A CRW produz moldes e injeta peças técnicas notadamente para todas as áreas de iluminação de automóveis, mecanismos de movimentação de vidros, espelhos, freio, direção, válvula e cinto de segurança. Alguns dos itens produzidos em Joinville entram na linha de montagem da Audi, em São José dos Pinhais, no Paraná.

    Já a filial da empresa na Eslováquia abastece a fábrica da Porsche na Alemanha. A CRW tem outra filial em Guarulhos, um centro de distribuição nos EUA e um depósito em Varginha, Minas Gerais. De qualquer maneira, tudo começa por Joinville em termos de inovação tecnológica.

    A planta de seis mil metros quadrados conta com 120 injetoras por acionamento elétrico, equipadas com robôs, sistemas próprios de água gelada e aquecimento do molde. Cada máquina forma uma célula operacional independente. Para Campos, paga-se mais caro por uma injetora elétrica, mas em compensação a economia de energia é de 40%.


    Página 1 de 3123

    Compartilhe esta página







      Um Comentário


      1. DOLORES GERMANI HOFF

        TAMBEM ACHO QUE COM A CRISE TEM QUE TER CRIATIVIDADE ESTOU COM MUITAS SAUDADES ME MANDE NOTICIAS UM GRANDE ABRAÇO BEIJOS DOLORES GERMANI HOFF



      Deixe uma resposta

      O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *