Plástico

21 de março de 2009

Pólo Sul – Sinplast tem nova direção, mas os desafios são antigos

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Publicado por: Fernando C. de Castro
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    Plástico Moderno, Alfredo Schmidt, Pólo Sul - Sinplast tem nova direção, mas os desafios são antigos

    Schmidt se esforça para obter o chamado diferimento do ICMS

    O Sindicato das Indústrias de Material Plástico no Estado do Rio Grande do Sul (Sinplast) tem novo comando. No final do ano passado, o empresário da área de extrusão de filmes Alfredo Schmidt assumiu a presidência da entidade no lugar de Jorge Cardoso, que renunciou ao cargo por motivações particulares.

    Schmidt promete continuar a bater à porta dos gabinetes do governo estadual para obter o chamado diferimento do ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços).

    Trata-se de corrigir uma distorção tributária por meio da qual transformadores de outros estados, por conta da política tributária em suas regiões, retiram a resina do polo petroquímico gaúcho por um preço final abaixo daquilo que é cobrado dos industriais da terceira geração com atividade no Rio Grande do Sul.

    Há ainda a queda-de-braço com o governo federal por conta da solicitação de isonomia de impostos como IPI, pois os transformadores recebem as matérias-primas empregadas no processo à base de 5% em imposto federal. No repasse daquilo que produzem pagam 15%, sem receber os chamados créditos tributários, que seriam de 10%. Quanto à crise dos mercados, Schmidt compara: “Não é uma marolinha, mas não é um tsunami.” Ainda assim, as empresas terão de se preparar.

    No entendimento de Schmidt, os transformadores com carteira de clientes na indústria automotiva se ressentiram mais quando começou a onda de férias coletivas, demissões e suspensão do processo produtivo dentro das fábricas de veículos, no país e no mercado global, porque boa parte dos fornecedores de autopeças exporta grande quantidade de sua produção.

    Por outro lado, assinala o presidente do Sinplast, o governo liberou muito dinheiro para os bancos, mas esses não repassaram na integralidade na forma de créditos. Tal postura criou distorções no mercado, pois o sistema financeiro estocou dinheiro e o setor produtivo ficou sem condições de contrair financiamentos necessários a novos investimentos e formação de capital de giro. “Fizeram uma seleção muito forte de quem receberia créditos”, critica o presidente do Sinplast.

    No caso específico do Rio Grande do Sul, Schmidt lembra que a única montadora do estado, a unidade da GM de Gravataí, chegou a anunciar suspensão da atividade, porém em 20 de janeiro cancelou as férias coletivas e retomou a montagem dos modelos Prisma e Celta. Na visão do presidente do Sinplast, a crise dos mercados assusta por um lado, mas por outro cria oportunidades de rever custos e favorece inovações.

    Já do Paraná afloram as reclamações contundentes. O presidente do Sindicato das Indústrias de Material Plástico daquele estado (Simpep), Dirceu Galléas, critica o monopólio do beneficiamento da nafta mantido pela Petrobras. Para ele, trata-se de uma realidade perversa, pois o petróleo despencou no mercado internacional, o preço das resinas fora do país sofreu queda de 50%, porém os valores cobrados pela petroquímica nacional são os mesmos, conforme sua avaliação.

    Dentro desse raciocínio, o monopólio da Petrobras impede as flutuações normais do livre mercado. “Existe uma fórmula que nós não entendemos. A Petrobras leva 30 dias para repassar a queda de preços no mercado interno”, acusa Galléas.

    Em sua opinião, a consolidação da petroquímica não mudou preços porque ainda permanece a política de negociação antiga, com uma zona de conforto elástica para blindar a petroquímica nacional de dumping ou outras distorções do mercado. Galléas acusa a Petrobras de retornar ao setor petroquímico com força. A estatal do petróleo é minoritária na Braskem e na Quattor, pois detém uma média de 26% do controle acionário em cada uma das petroquímicas.

    Plástico Moderno, Dirceu Galléas, presidente do Sindicato das Indústrias de Material Plástico daquele estado (Simpep), Pólo Sul - Sinplast tem nova direção, mas os desafios são antigos

    Galléas se queixa da política tributária

    Entretanto, somados os dois números, segundo Galléas, a Petrobras já detém 52% das ações de petroquímica dentro do país. No cenário ideal, pondera o presidente do Simpep, deveria ocorrer a união das três gerações petroquímicas para acertar preços, prazos e uma política global capaz de atender a todos os interesses envolvidos.

    Na visão de Galléas, o industrial ficou quadrado, não tem tempo para planejar e cumprir a sua vocação de produzir. Tem de se preocupar com preço de resina, importação, exportação e burocracia. “Já perdemos a esperança da reforma tributária, que está nas mãos de quem não tem vontade política nem entende do processo”, reclama Galléas. Ainda afirma que o governo tem medo de perder receita do IPI de 5% na matéria-prima. Na visão do presidente do Simpep, a indústria opera no “fio da navalha”.

    Outra queixa é a guerra fiscal entre estados sem tradição em transformação de resinas como Goiás, Minas Gerais, Ceará e outras regiões do Norte e Centro-Oeste. Com isso, proliferam várias empresas de pequeno porte, que contratam entre 100 e 200 funcionários, e as de médio porte, com até 600 empregos indiretos. Isso tudo em projetos de curto prazo.

    Galléas entende que sem a liberação do crédito e órfão da reforma tributária, o Brasil continuará “muito aquém do consumo per capita de plásticos”, inclusive na comparação com outros países em desenvolvimento. Ele enfatiza que a terceira geração tem condições de dobrar de tamanho no país se o governo fizer sua parte. Na entrada da matéria-prima, é cobrado imposto muito baixo; na saída, muito alto. Tal distorção gera um efeito em cascata enorme e o Brasil é o único lugar do mundo onde tal problema ocorre.


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