Plástico

9 de abril de 2012

Polo Plástico Sul – Vários entraves induzem a indústria transformadora da região ao encolhimento

Mais artigos por »
Publicado por: Fernando C. de Castro
+(reset)-
Compartilhe esta página

    Na comparação com o PIB geral do setor de terceira geração petroquímica do país, o sul do Brasil esteve em retração na década passada, ainda que pelo menos um estado – Rio Grande do Sul – conteste esses cálculos da consultoria Maxiquim, especializada na aferição dos cenários e ambientes de negócios nos segmentos das commodities petroquímicas e resinas termoplásticas, entre outros assuntos do gênero. Enquanto a economia brasileira cresceu 3,39% em média de 2000 a 2010, os transformadores do sul do país cresceram 1,19%, abaixo ainda da terceira geração petroquímica nacional, que cresceu 1,28%.

     

    Plástico, Polo Plástico Sul - Vários entraves induzem a indústria transformadora da região ao encolhimento

    Ao final da década passada o Brasil atingiu uma média de seis milhões de toneladas/ano de plásticos transformados, correspondendo a US$ 25 bilhões. Nesse quesito, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul responderam por 28% das resinas transformadas. Na década de 90 essa participação chegou a 35%.

    O quadro da indústria do plástico no Brasil vem passando por transformações. Ao sul e ao sudeste, começam a ser acrescentados pequenos pontos do centro-oeste, nordeste e norte do país, sem, contudo, representar uma modificação significativa. Surgem pequenos polos de terceira geração em Goiás, Alagoas e um reforço no já consolidado polo da Bahia.

    Em Alagoas, um decreto instituiu os Arranjos Produtivos Locais (APLs) e prevê isenção total de Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) na compra de ativos fixos, e 50% do ICMS na saída dos produtos. O projeto envolve todas as empresas do setor, num total de 40 indústrias geradoras de três mil empregos diretos e uma produção pequena, de três mil toneladas por mês.

    O forte peso dos incentivos na ramificação da indústria do plástico para novas regiões envolve uma infinidade de produtos e todos dependem do crescimento da economia em geral. “A indústria do plástico é democrática, atende a várias cadeias industriais, e reflete a expansão brasileira. O que está se descentralizando é a indústria nacional em geral, afirma João Luiz Zuñeda, diretor da consultoria Maxiquim.

    Em Goiás, a expansão do agronegócio nos últimos anos, sustentada principalmente pelas exportações, atraiu muitas indústrias alimentícias para a região. Além disso, a proximidade com os grandes centros consumidores – São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte – coloca o estado em situação privilegiada dentro da estratégia de companhias que querem abrir novas unidades. Sem uma margem firme de crescimento no exterior e, como São Paulo, sem incentivos, os catarinenses contam com a pujança e a tradição de sua indústria para atrair novos investimentos.

    No Rio de Janeiro, o início das operações da Rio Polímeros motivou a expansão da indústria. E o governo estadual

    Plástico, João Luiz Zuñeda, diretor da consultoria Maxiquim, Polo Plástico Sul - Vários entraves induzem a indústria transformadora da região ao encolhimento

    Zuñeda prevê mercado mais seleto e com menos empresas pequenas

    também concedeu incentivos, como a isenção de ICMS para empresas que se instalarem na Baixada Fluminense.

    Conforme Zuñeda, a migração industrial ocorre por conta da ascensão da classe C, predominante no nordeste do país. Ela deixou de consumir apenas alimentos e produtos baratos, como material de higiene e limpeza. Essas camadas da população passaram a colocar dinheiro em produtos mais caros, tais como telefones celulares, computadores, televisores com tela de LED, carros, casas e refrigeradores frost free.

    Outro aspecto, detectado pela Maxiquim, foi a retração da indústria de máquinas e equipamentos para transformação de termoplásticos da Região Sul. Na última década, respondiam pela quinta colocação na fabricação de bens de capital do setor. Caíram para o décimo quinto lugar. Neste caso, deve-se levar em conta o efeito China e a enxurrada de máquinas e equipamentos que entram no país com preços de liquidação.

    A perda – Outro impacto importante foi a extinção da Copesul e da Ipiranga Petroquímica, empresas do Rio Grande do Sul que mantinham um quadro de competição de preços entre os fabricantes de resinas. Atualmente, a Braskem, associada à Petrobras, surfa sozinha no mercado nacional; e a importação é a forma encontrada para buscar o equilíbrio nos preços. “Copesul e IPQ fizeram parte de um capítulo importante da petroquímica brasileira na Região Sul, mas a consolidação da Braskem com a participação dos sócios Odebrecht e Petrobras é uma nova fase irreversível”, sustenta Zuñeda.

    Essa realidade de um único grande conglomerado petroquímico mudou o patamar econômico da cadeia produtiva do petróleo, impulsionada com as descobertas do pré-sal, a fim de promover a competitividade do segmento petroquímico e de petróleo em escala mundial e não mais em escala nacional ou subcontinental. “Transferir conhecimento e ganhos competitivos para a indústria de plástico no Brasil é o grande desafio”, complementa Zuñeda.


    Página 1 de 212

    Compartilhe esta página







      0 Comentários


      Seja o primeiro a comentar!


      Deixe uma resposta

      O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *