Economia

28 de setembro de 2007

Pólo da Bahia – Até a Ford ficou sem resina

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Publicado por: Jose Valverde
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    Duas economistas da Agência de Desenvolvimento do Estado da Bahia (Desenbahia), Vera Spínola e Adelaide Motta de Lima, foram a campo para saber por que ainda não são observadas sólidas interfaces entre o 2º Pólo Petroquímico e o complexo automotivo da Ford, ambos instalados no município de Camaçari-BA.

    Elas não constataram apenas que a Ford tem demandado muito pouco das empresas locais, como já imaginavam – constataram também um retrocesso neste quesito: o fim do suprimento local do composto de polipropileno usado na injeção de grandes peças e componentes da indústria automotiva, causado pela desativação da empresa que o produzia no 2º Pólo, a Basell.

    Até 2005, quando foi desativada, a fábrica da Basell elaborava o composto com o polipropileno (PP) fornecido pela então Polibrasil, posteriormente Suzano Petroquímica, agora um ativo da Petroquisa – polipropileno este do grau copolímero, cuja produção, além do propeno, exige outra olefina, o eteno, na condição de co-monômero.

    Mas com a reforma que empreendeu no sistema catalítico, para substituir o processo de produção baseado na obsoleta tecnologia licenciada pela Shell há trinta anos, essa velha fábrica de 125 mil t/ano passou a produzir apenas o PP grau homopolímero, não-adequado à produção do composto.

    Entrevistado por uma das pesquisadoras em maio, na Brasilplast, um executivo da Basell confirmou que, sem a produção local do PP grau copolímero, a produção do composto ficou inviável em Camaçari.

    “Ficamos longe da matéria-prima e do mercado”, explicou. Admitiu, entretanto, que as instalações da empresa no 2º Pólo também estavam superadas – os equipamentos estavam defasados e a pequena escala (20 mil t/ano) incompatível com as exigências do mercado, de aproximadamente 105 mil t/ano, das quais 75% para a indústria automotiva.

    Além da produção da Basell, agora restrita à fábrica de Pindamonhangaba-SP (40 mil t ano), há ainda a da Borealis, em Itatiba-SP (24 mil t/ano) e em Triunfo-RS (25 mil t/ano).

    Quanto ao PP copolímero, a produção está restrita às plantas de PP da ex-Suzano de Mauá-SP, agora um ativo da Petroquisa (360 mil t/ano) e à da ex-Ipiranga, agora Braskem, em Triunfo-RS (150 mil t/ano), com previsão de duplicação.

    Excetuando-se as prestadoras de serviços da Ford (Dow Automotiva, Faurecia e Kautex Textron e outras), são 41 as empresas apresentadas no Guia Industrial da Bahia que declaram produzir artefatos injetados de PP, polietileno (PE) e poliuretano (PU), e que fazem coisas bem diversas das requeridas na indústria automotiva.“São empresas com experiência em injeção que podem receber encomendas para a produção de peças”, revelam as pesquisadoras no artigo.

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    Mas só em situações especiais tais empresas são requisitadas pela indústria automotiva – geralmente quando o prazo é curto e as fornecedoras de outros Estados não têm interesse ou condições de atender.

    Vera Spínola cita dois empresários que já produziram nessas condições e não ficaram propriamente entusiasmados. “Afirmaram que os pedidos só são vantajosos para a contratada se houver capacidade ociosa.” Em ambos os casos, as empresas contratantes disponibilizaram os moldes.

    Mas também há casos que comprovam que, além dessas limitações, gradualmente, os transformadores passam a usufruir os benefícios criados pela implantação da Ford, a exemplo da Artespumas, empresa de pequeno porte que faz peças de espumas para vedação de portas para automóveis e computadores, com 95% da produção voltada para o mercado baiano.

    Desde maio deste ano foi certificada com a ISO 9000, aumentando assim suas possibilidades. Um executivo da multinacional GE Plastic, cujas atividades incluem a produção de componentes técnicos para o setor automotivo, comentou com as pesquisadoras que empresas de ferramentaria têm migrado de São Paulo, preferencialmente para Joinville-SC e Caxias do Sul-RS, em busca de mão-de-obra barata e qualificada encontrada nesses locais.

    Sendo assim, vê boas perspectivas para também se sentirem atraídas por Camaçari, onde o nível de remuneração é menor comparativamente ao Sudeste e também ao Sul.

    A pouca presença de fábricas de moldes e de ferramentarias é uma das situações negativas na Grande Salvador. Opinião não tão favorável é a do gerente de desenvolvimento e marketing da Polimold, Jesus Silva, fabricante de acessórios para moldes, que não vê razão para sua empresa instalar uma filial no  Nordeste, embora forneça peças a sistemistas da Ford, como a Autometal e a Arteb, esta última produtora de lanternas do EcoSport e Ford Fiesta.

    A estratégia da Polimold é desenvolver representações nos mercados regionais – a empresa mantém galpões com peças em estoque nos pólos de ferramentaria de Joinville e Caxias do Sul. A filial que tem é no México. As pesquisadoras consideram que passados alguns anos, como ainda não são observadas grandes inter-relações entre o Complexo Ford e as empresas de resina e transformação locais, cabe investigar as interfaces da indústria automotiva de Camaçari com a cadeia petroquímica plástica brasileira.

    Tal investigação é essencial não apenas para revelar as possibilidades de uma maior inter-relação entre esses dois setores na Bahia, como outras oportunidades de negócios, também provenientes de demandas do complexo Ford, onde são produzidos 250 mil veículos/ano.

     

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