Economia

7 de agosto de 2008

Pólo Camaçari 30 anos – Universidade traça perfil do Pólo

Mais artigos por »
Publicado por: Jose Valverde
+(reset)-
Compartilhe esta página

    O 2º Pólo Petroquímico é importante divisor na história econômica da Bahia, que até sua implantação, em 1978, registrava renitente marasmo, iniciado ainda no Segundo Império, com o colapso da agroindústria canavieira no Recôncavo. Esta importância explica o interesse e a preocupação que o futuro do 2º Pólo desperta entre pesquisadores e professores universitários que fizeram dessa questão tema de monografias, artigos e tese.

    Recentemente, o professor da Escola de Administração da UFBA Oswaldo Guerra, um desses estudiosos, considerou em artigo que o 2º Pólo “convive com defasagens tecnológicas em algumas plantas, escassez de matérias-primas, distância dos principais mercados consumidores e infra-estrutura deteriorada”. Além de tudo isto – ressaltou –, a Bahia “compete com outros estados que sediam ou desejam sediar empreendimentos petroquímicos, são grandes produtores de petróleo e gás natural, e possuem governadores que também fazem parte da base de apoio do governo Lula”.

    Admitindo que o governo da Bahia “reingressou na guerra fiscal, basicamente, com a redução do ICMS para alguns setores”, o professor considerou: “Não havia alternativa, diante da ausência de uma política federal que atenue os desequilíbrios regionais, de uma reforma tributária que iniba a guerra fiscal, e das desvantagens competitivas da Região Nordeste”.

    O professor adiantou: “O mais significativo presente que se pode dar à indústria responsável pela mudança de face da economia baiana é a articulação de esforços públicos e privados para superar esse quadro de desvantagens competitivas.”

    Referindo-se aos “dois fenômenos que impactam diretamente a petroquímica mundial” – a disparada do preço do petróleo e as elevadas taxas asiáticas de crescimento, especialmente da China –, o professor discorreu: “O primeiro fenômeno provoca um aumento do peso das matérias-primas petrolíferas nos custos de produção dos petroquímicos, forçando as grandes empresas petroquímicas a reorientar investimentos para regiões produtoras de petróleo e gás natural, realizar parcerias com companhias de petróleo e buscar fontes alternativas de matérias-primas. O segundo atrai investimentos para o continente asiático.”

    Ele vaticinou: “Em conseqüência, a maior parte das expansões previstas da capacidade produtiva da petroquímica mundial até 2010 se localizará na Ásia e no Oriente Médio, fábricas em regiões menos competitivas serão desativadas, e empresas sairão do negócio.”

    Referindo-se aos projetos da Braskem na Venezuela e no Peru, ele perguntou: “A petroquímica baiana irá, então, desaparecer?” E respondeu: “Não, pois dispõe de vantagens competitivas, tais como capital amortizado, escalas produtivas compatíveis com o padrão internacional, aprendizado operacional acumulado e infra-estrutura, embora deteriorada.” E concluiu: “Terá, sim, que se especializar em algumas famílias de produtos e lutar para atrair novos investimentos.”

    Plástico Moderno, Adary Oliveira, professor da Universidade de Salvador e ex-executivo de fábricas do 2º Pólo, Pólo Camaçari 30 anos - Universidade traça perfil do Pólo

    Para Oliveira, o futuro de Camaçari é incerto

    Outro estudioso, o engenheiro químico Adary Oliveira, professor da Universidade de Salvador e ex-executivo de fábricas do 2º Pólo, fez uma análise da situação à luz de duas teorias: a da evolução das espécies, do naturalista Charles Darwin; e a do desenvolvimento econômico, do economista Joseph Shumpter, que trata das influências do ambiente econômico nas organizações. “O futuro do 2º Pólo depende de sua capacidade de superar os problemas adaptando-se às novas condições de trabalho sem ser forçado a se retirar do negócio da petroquímica”, ressaltou. E ponderou: “Até agora, o 2º Pólo tem enfrentado com naturalidade as mudanças evolucionárias que influenciam seu ambiente, adaptando-se continuamente, ou abruptamente, a essas mudanças.”

    As mudanças a que se refere são: a abertura comercial – “linear e não seletiva” –, que impôs a redução das alíquotas de importação e a conseqüente eliminação da reserva de mercado; e a entrada da Bahia na guerra fiscal, como meio de atrair fábricas de transformação de plásticos e ampliar o parque da 3ª geração.

    “Seguiram-se os problemas de deterioração da infra-estrutura, como os decorrentes da falta de manutenção do sistema viário, do congestionamento do Porto de Aratu e da não realização de obras da ferrovia Camaçari/ Porto de Aratu.”

    Refere-se também ao fechamento de algumas fábricas, por perda de competitividade, gerando capacidade ociosa dos fornecedores up streams. “Persistem como principais problemas o suprimento de matérias-primas e insumos, a inovação tecnológica, a escala de produção de algumas plantas e o comércio exterior.” Aponta que a nafta, “a principal matéria-prima, enfrenta grandes incertezas quanto à sua disponibilidade”.

    Adary Oliveira concluiu: “Enfim, o futuro do 2º Pólo Petroquímico estará condicionado à ampliação de suas unidades industriais e à incorporação de novas tecnologias, em muito dependendo da criatividade de seus administradores, da capacidade de adaptação às novas situações e de diálogo permanente com o governo para superar as deficiências impostas pela infra-estrutura sofrível.”

     

    Leia a reportagem principal:

    Saiba mais:



    Compartilhe esta página







      0 Comentários


      Seja o primeiro a comentar!


      Deixe uma resposta

      O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *