Plástico

24 de setembro de 2009

Poliuretano – Com consumo per capita ainda pífio, setor esbanja espaço para sua expansão

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Publicado por: Maria Aparecida de Sino Reto
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    Em condição oposta à do mercado internacional, o fato de depender pouco da construção civil tornou a indústria brasileira de poliuretano menos suscetível aos trancos impostos pela crise econômica mundial e contribuiu para amargar menos perdas. Empatar os resultados deste ano com os apurados no ano passado é sinônimo de bom desempenho e motivo de comemoração. O ritmo favorável nos negócios, até os reflexos do colapso econômico global baterem às portas brasileiras, salvou a lavoura. O consumo nacional do termofixo conseguiu fechar 2008 na casa das 350 mil toneladas, volume 7% acima do registrado no ano anterior, enquanto a produção ficou em 250 mil toneladas, de acordo com estimativas da Comissão Setorial de Poliuretanos da Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim).

    O segmento automotivo, o de linha branca e o de espumas flexíveis (no qual predomina o mercado de colchões) capitanearam as melhores pontuações. Segundo o coordenador da comissão, Fernando Rodriguez (também diretor-comercial América Latina de Poliuretano e Termofixos da Dow), a indústria de automóveis e a de linha branca mantiveram o nível de demanda de poliuretano na fase econômica mais crítica.

    Plástico, Fernando Rodriguez, diretor-comercial América Latina de Poliuretano e Termofixos da Dow,  Poliuretano - Com consumo per capita ainda pífio, setor esbanja espaço para sua expansão

    Construção civil é a bola da vez, acredita Rodrigues

    Em comparação com os países desenvolvidos, o consumo nacional de poliuretano ainda engatinha. Não chega sequer a um quilo e meio (é da ordem de apenas 1,3 quilo) per capita, enquanto na Europa e nos Estados Unidos a taxa por habitante suplanta em ao menos cinco vezes a brasileira. Lá fora, pesa mais a favor do PU a sua forte penetração na construção civil, em especial nos isolamentos térmicos. Sua participação também é expressiva no setor automotivo.

    Não à toa, uma das principais apostas dos fabricantes do polímero aponta na direção da indústria de isolamento térmico para a construção civil. De acordo com Rodriguez, a procura imobiliária pelos projetos ditos sustentáveis, com arquitetura privilegiando a redução no consumo energético, sinaliza um movimento nesse sentido – indício de um potencial de expansão do material nesse segmento de mercado brasileiro. Atualmente, o isolamento térmico baseado em poliuretano predomina nas indústrias de linha branca e de refrigeração industrial.

    A propósito, um dos trabalhos em andamento na comissão tem por objetivo definir uma norma técnica para a fabricação de painéis rígidos e outra para a aplicação de spray de PU, ambas endereçadas à construção civil. As propostas para normatização se estendem, ainda, à produção de colchões e constam de desenvolvimento em parceria com o Inmetro, com previsão de serem implementadas no início de 2010.

    Por falar em colchões, o segmento de flexíveis, no qual essas espumas se inserem, também sobressai como um dos mercados crescentes. Nele se destacam colchões e mobiliários (sofás, por exemplo) com parcela importante de participação na demanda de poliuretano. As espumas flexíveis, proporcionalmente, têm no Brasil e nos países da América Latina maior relevância no mercado de poliuretano do que nos Estados Unidos e Europa.

    O mercado brasileiro também atribui representatividade diferente às especialidades, inseridas em um nicho denominado de sistemas – formulações desenvolvidas para aplicações específicas. “Os volumes são menores, porém, envolvem mais novidades tecnológicas”, diz Rodriguez.

    O coordenador da Comissão de PU presume em cerca de 25% a parcela pertinente às receitas elaboradas sob encomenda no país, enquanto no exterior essa fatia sobe para uma faixa entre 35% e 40%. A diferença expõe o forte potencial do mercado de isolamento térmico para construção civil no país, um segmento consumidor das casas de sistemas ainda a ser desenvolvido.

    Berço tecnológico – Um elenco de vantagens posiciona as casas de sistemas no topo das inovações. Inseridos no mercado de poliuretano como especialidades, os sistemas embutem alta tecnologia e são formulados de modo que correspondam às exigências técnicas específicas das peças que o transformador queira produzir. Os especialistas desenvolvem a receita e a entregam pronta ao cliente. Suprem esse mercado os grandes fabricantes mundiais das principais matérias-primas, entre as quais poliol e isocianato, e casas de sistemas independentes.

    O mercado brasileiro conhece bem as formulações sob encomenda ramificadas da Basf, da Bayer e da Dow.


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