Plástico

10 de junho de 2008

Polipropileno – Avanços tecnológicos sustentam demanda em alta e impulsionam ampliações da resina e do composto

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Publicado por: Maria Aparecida de Sino Reto
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    Com taxas de crescimento anuais ao redor de 7% no mundo e algo entre 8% e 10% no mercado brasileiro, o polipropileno sobressai como uma das resinas mais bem-sucedidas da indústria do plástico. Levantamento elaborado pela Comissão Setorial de Resinas Termoplásticas da Associação Brasileira da Indústria Química (Coplast/Abiquim), do consumo aparente brasileiro no primeiro trimestre do ano, aferiu um volume de 314 mil toneladas da resina, alta de 8% sobre o mesmo período de 2007. Na evolução de janeiro a abril, os dados preliminares registram um total consumido de 404 mil toneladas.

    Não à toa, os dois fabricantes locais alardeiam investimentos em expansão. Líder, a Braskem inaugurou em abril uma unidade de 350 mil toneladas/ano em Paulínia-SP. O empreendimento absorveu recursos da ordem de R$ 700 milhões e elevou a capacidade de produção da empresa, só de PP, para 1,2 milhão de toneladas/ano.

    Sua concorrente, a Nova Petroquímica (nome provisório da Suzano após sua incorporação à Petrobras) desembolsou US$ 80 milhões em um programa de ampliação que contemplou acréscimo recente de 100 mil toneladas anuais na sua unidade de Duque de Caxias-RJ e reverterá, ainda neste ano, na expansão da fábrica de Mauá-SP, de 360 mil para 450 mil toneladas/ano. Até lá, as três instalações (há outra, de 125 mil t/ano, em Camaçari-BA) da empresa estarão aptas a processar um total de 875 mil toneladas/ano de PP.

    Além de dilatar a oferta do produto, os investimentos reverteram em mudanças no processo de polimerização com o uso de catalisadores de última geração na unidade de Duque de Caxias. Com a modernização, a Nova Petroquímica ganha maior flexibilidade no desenvolvimento de grades, restritos até então à fábrica de Mauá, e aumenta seu portfólio de produtos.

    Motivos há de sobra para justificar tantos aportes na resina, que apresenta uma das mais vantajosas relações custo/benefício. Sua principal característica intrínseca, a baixa densidade, se traduz em maior rendimento por volume adquirido, sinônimo de produtividade para o transformador. Também embute um dos melhores balanços das propriedades de rigidez e impacto. Formulado em compostos, o polipropileno habilita-se à agregação de diversos tipos de cargas e aditivos e esbanja particularidades capazes de desbancar plásticos de engenharia em aplicações de alto rigor técnico, como os exigidos pela indústria automobilística, uma das principais consumidoras dessas receitas. Ainda é passível de moldagem em todos os processos de transformação.

    Por trás de tamanha versatilidade, a indústria se move de modo frenético em duas frentes. Na ala das resinas, a corrida visa a aprimorar ainda mais o balanço de suas propriedades de rigidez e impacto, a aumentar a fluidez (sinônimo de ciclos mais rápidos) e a conquistar alta transparência, brilho e barreira, requisitos cada vez mais solicitados, em especial, pelas indústrias de embalagens rígidas e flexíveis.

    Na dos compostos, cuja produção supre quase em sua totalidade o setor automotivo, o empenho tem por meta alcançar maior capacidade de absorver impactos, permitir aos projetistas elaborar designs mais complexos, além de conferir às peças moldadas maior estabilidade dimensional, melhor qualidade superficial e facilitar a pintura. Ainda embrionária no país, a nanotecnologia sinaliza potencial para sustentar grande parcela dessa evolução, tanto na resina como nos compostos.

    A passos lentos – O transformador brasileiro dispõe de nanocompósitos de PP desde o final de 2006, quando a Braskem e a então Suzano Petroquímica anunciaram os lançamentos, quase simultâneos, com muita pompa e circunstância.

    O nanocompósito de PP da Braskem (aditivado com nanopartículas de argila) supera a resina convencional nas resistências química, térmica e mecânica, e na capacidade de barreira a gases, além de oferecer outras vantagens. Para o transformador, esse avanço significa a possibilidade de produzir embalagens “inteligentes”, produtos mais leves, projetos mais arrojados e peças com melhores propriedades.

    Plástico Moderno, Sinclair Fittipaldi, gerente de marketing, Polipropileno - Avanços tecnológicos sustentam demanda em alta e impulsionam ampliações da resina e do composto

    Fittipaldi: crescimento do PP nos automóveis é significativo

    Enquanto comercializa produtos formulados com nanopartículas de prata, com ações bactericida e fungicida, a Nova Petroquímica prepara o lançamento de duas novas linhas nanoestruturadas. Em estágio avançado de desenvolvimento, devem chegar ao mercado nos próximos seis meses. Uma delas promete alta resistência mecânica e ao risco, requisitos muito exigidos pela indústria automotiva; a outra, propriedades antichama. A destinada aos automóveis deverá modelar peças estruturais e semi-estruturais, como painéis, consoles, interior de portas, capa de motor, dutos de admissão, entre outras, informa o gerente de marketing, Sinclair Fittipaldi.

    O mercado automobilístico é um dos principais consumidores da empresa. O gerente estima fornecer só para essa indústria em torno de 55 mil toneladas anuais, volume equivalente a algo entre 8% e 10% das vendas ao mercado interno. “O crescimento do setor é significativo. O plástico compõe cerca de 25% do carro e, nessa composição, o PP representa 58%”, calcula Fittipaldi. O polipropileno avança a passos largos, em competição bastante acirrada com os plásticos de engenharia.

    As exigências do mercado convergem para quatro pontos, na avaliação do gerente da Nova Petroquímica: preço competitivo e desempenho, essas duas variáveis em sintonia; ganho de competitividade; e logística, a qual, na opinião do gerente, pode se constituir em um diferencial competitivo.


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