Economia

27 de maio de 2016

Plasticultura: Plásticos tornam cultivos mais produtivos e reduzem a aplicação de pesticidas

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Publicado por: Antonio Carlos Santomauro
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    Plástico Moderno, Termofilme da Nortene baixa a temperatura nas estufas

    Termofilme da Nortene baixa a temperatura nas estufas

    A economia nacional em baixa impacta de maneira negativa os negócios das empresas dedicadas a esse nicho de mercado; mesmo assim, percebe-se o crescimento contínuo da presença do plástico nas atividades agrícolas. Na raiz dessa expansão, não está o custo – ainda considerado elevado, ao menos na fase de implantação dos projetos –, mas a expectativa de alcançar benefícios relacionados à produtividade e à qualidade dos produtos mediante: redução dos efeitos climáticos nas culturas; controle da luz e temperatura; dificultar o acesso de pragas e doenças aos cultivos, com a respectiva diminuição do uso de agrotóxicos; proteção das colheitas de modo mais ágil e eficiente, entre outros.

    Abrangido de maneira genérica pelo conceito de plasticultura – embora alguns reservem o termo apenas a cultivos integralmente desenvolvidos em ambientes estruturados com esses materiais –, esse uso do plástico na produção rural tem no Brasil aplicações já razoavelmente consolidadas (ao menos no universo dos maiores produtores de regiões onde predominam os agronegócios). Casos, por exemplo, das estufas e dos túneis de cultivo, das lonas para silagem e armazenamento, dos sistemas de irrigação, dos silos-bolsas, do mulching (cobertura de solo).

    E, estimuladas pelas empresas dedicadas ao plástico, surgem também novas possibilidades de uso, não apenas na agricultura, mas também na pecuária (ver box). Mas evoluem também as categorias de produtos com usos já consagrados, como os filmes para mulching, até há pouco tempo empregados apenas em culturas cujos ciclos são rápidos, caso do morango, tomate e pepino, mas ingressam também em lavouras mais permanentes, como como café, cítricos e uvas. “Nessas culturas perenes, o mulching requer filmes mais resistentes: mais espessos e com melhor proteção anti-UV”, destaca Antonio Bliska Junior, engenheiro agrônomo e vice-presidente do Cobapla (Comitê Brasileiro de Desenvolvimento e Aplicação de Plásticos na Agricultura).

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    Ana Paiva, especialista em desenvolvimento de mercado da Braskem, também fala sobre o avanço do mulching nas culturas demandantes de filmes mais resistentes, cuja vida útil pode superar 24 meses. “Um cafezal produz aproximadamente por dez anos; o mulching não precisa ficar na lavoura durante todo esse período, mas deve desempenhar seu papel durante os dois primeiros anos, os mais críticos para a formação dos cafeeiros”, explica.

    Surgem novos aproveitamentos do plástico em situações mais específicas: “Um uso mais recente é o ensacamento de frutos nos pés, usando um não-tecido de PP: isso já é feito com tomates, e vem sendo testado para outros frutos”, relata a especialista da Braskem, empresa fornecedora de resinas de PE, PP e PVC para transformadores que elaboram produtos direcionados para os agronegócios.

    Linhas expandidas – Apontados como indicadores importantes do avanço do uso de plástico nas atividades agrícolas, os filmes de mulching próprios para lavouras que demandam períodos mais longos são produzidos há dois anos pela Electro Plastic, que os comercializa com a marca Ecomulching. Esses filmes, detalha Nelson Iida, diretor de marketing da Electro Plastic, têm espessura de 40 micrômetros – filmes normais de mulching geralmente têm 25 micrômetros –, e uma aditivação mais intensiva para proteção anti-UV. O fabricante oferece garantia de dezoito meses – embora a vida útil possa superar dois anos –, contra oito meses dos filmes convencionais para a mesma aplicação.

    Além de produtos para mulching, o portfólio da Electro Plastic – sempre usando o PEBD – inclui itens como filmes para estufas, minitúneis, lonas para silagens e silos-bolsa. Há um silo-bolsa denominado Supersilo, feito com cinco camadas e comprimento que pode chegar a 75 metros. “Além das cores diferenciadas dos filmes com três camadas – que servem para repelir o calor na parte externa, e evitar que ela chegue ao interior –, as cinco camadas permitem também aditivações que possibilitem, entre outros benefícios, elaborar filmes mais resistente e com proteção de barreira para impedir ainda mais a passagem de gases”, explica Iida.

    Já a Pacifil, pioneira na fabricação de silos-bolsa no mercado nacional –iniciou em 2010 –, pode produzi-los com três e com cinco camadas, diz o diretor Álvaro Tashiro. Segundo ele, cresce bastante a demanda por esse tipo de produto, hoje utilizado nas culturas de praticamente todos os gêneros de grãos, das mais diversas regiões do país. “O silo-bolsa não é mais visto apenas como alternativa de armazenamento, mas como ferramenta logística, pois entre outras coisas permite o armazenamento na própria fazenda e a minimização dos custos do frete, sempre mais elevados nas épocas de safra”, justifica Tashiro.


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