Economia

3 de junho de 2012

Plásticos Especiais – com forte dependência das montadoras, o setor prospecta novos espaços para expandir negócios

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Publicado por: Maria Aparecida de Sino Reto
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    As montadoras de veículos norteiam os principais desenvolvimentos em plásticos de engenharia e resinas de alto desempenho em todo o mundo. Fato consumado, os veículos carregam bom volume desses polímeros em seu peso e tudo aponta para que essa participação aumente ainda mais, para atender aos requisitos atrelados ao binômio leveza/performance, tradução para menor impacto ambiental, com benefício extra de maior liberdade de design. As novas formulações tanto de polímeros de engenharia como de alto desempenho denotam grande preocupação em cumprir requisitos cada vez mais críticos da indústria automotiva, principal reduto dessas categorias de resinas; porém, como um bom investidor nunca coloca todos os ovos em uma só cesta, assim os fabricantes dessas especialidades divisam outras aplicações nobres, com interesses em mercados férteis para o avanço desses materiais, como a exploração do présal, setor de óleo e gás e médico/hospitalar, entre outros.

    Ovos de ouro – O descobrimento das riquezas do pré-sal não poderia ser mais oportuno e descortinador de uma oportunidade ímpar para os polímeros de engenharia e os de alta performance. Privilegiados com propriedades como alta resistência à corrosão e ao impacto, essas resinas e seus compostos podem assegurar o cumprimento de requisitos análogos aos conferidos pelos metais, com a vantagem da leveza.

    A “A exploração do pré-sal oferece aos compostos de plásticos de engenharia e aos de alta performance uma importante oportunidade de crescimento, por conta de requisitos como resistência à corrosão, à pressão e ao impacto, entre outros”, opina Alessandra Lancellotti, Research Team Leader Latin America da consultoria Frost & Sullivan. Essas propriedades aliadas à leveza do termoplástico em relação ao metal oferecem benefício particular na composição de equipamentos para uso em águas profundas, pelo agigantamento do porte.

    A gerente sugere aos fabricantes de resinas um olhar cuidadoso à circunstância conveniente para novos negócios, propiciada por esse mercado emergente. Para ela, há boas chances de o poliacetal (POM) e os compostos de poliamida conquistarem espaço na fabricação de peças técnicas endereçadas ao segmento de óleo e gás, assim como peças aplicadas no processo de exploração reservam bons negócios para as poliftalamidas (PPA), sulfeto de polifenileno (PPS), polissulfonas (PSU), entre outros polímeros de alto desempenho.

    Vários fabricantes atentos já se mostram dispostos a mergulhar em águas profundas. Expectativas de suprir em novos projetos parte da demanda gerada pelo pré-sal empolgam Marcelo Delvaux, Industrial Business Unit Manager da Ticona. Ele estima que a exploração dessas riquezas deva demandar mais de 30 mil quilômetros de tubulações flexíveis para a área de offshore nos próximos 15 anos.

    Plástico, Alessandra Lancellotti, Research Team Leader Latin America da consultoria Frost & Sullivan, Plásticos Especiais - com forte dependência das montadoras, o setor prospecta novos espaços para expandir negócios

    Alessandra Lancellotti: divisa no pré-sal uma boa oportunidade de crescimento

    O gerente fundamenta seu entusiasmo no fato de os materiais de barreira química aplicados atualmente nas tubulações não cumprirem os requisitos para a aplicação na exploração do pré-sal, de ambiente altamente agressivo, caracterizado por alta pressão (acima de 600 bar), problemas de permeabilidade, de compatibilidade química e de temperaturas muito elevadas. Questões que polímeros de alto desempenho, como o sulfeto de polifenileno, podem solucionar.

    A propósito, o material está sendo avaliado para uso conjunto com aço inox nas tubulações. Aprovado, o PPS entraria como barreira química, para atuação conjunta com o aço, responsável pela resistência mecânica (impede que a tubulação colapse). “O polímero tem grandes possibilidades de ser aprovado, pois evita que tanto o gás quanto o óleo permeiem a tubulação”, explica Delvaux.

    Ele convida o setor de óleo e gás a beneficiar-se com outro desenvolvimento para uso em cabos. Sua intenção é substituir o aço por um composto com fibra de carbono longa contínua (um semiacabado). “A proposta de valor consiste na redução brutal de peso, além da não corrosão”, argumenta.

    Outra proposta parte da DSM Engineering Plastics e também visa a substituir o aço nos cabos por material mais leve, uma superfibra, produzida com polietileno de alta densidade e ultra-alto peso molecular, negócio dentro da empresa que carrega a marca do produto (Dyneema).


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