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14 de fevereiro de 2014

Plásticos de engenharia – Artigo Técnico: Plásticos de engenharia no Brasil: a retomada

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Publicado por: Plastico Moderno
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    João Luiz Zuñeda

    O mercado de plásticos de engenharia possui uma dimensão consideravelmente menor se comparado com o enorme mercado de resinas commodities no mundo, porém seu potencial de crescimento é muito maior no Brasil. São milhões de carros, máquinas agrícolas e ônibus, que estão sendo fabricados para atender os mercados emergentes do Brasil, da China e da Índia, com veículos cada vez mais leves para consumir cada vez menos petróleo. Veículos mais leves, com cada vez mais plástico. A indústria automobilística é um importante exemplo, mas os plásticos de engenharia também estão nos celulares, em móveis, nos tablets, em notebooks, nos equipamentos esportivos, e muito mais. Os plásticos de engenharia conferem versatilidade de forma e tamanho, aliando grande produtividade com alto desempenho e baixo custo de produção dos mais variados produtos fabricados. Em um futuro breve, teremos um automóvel que fará 100 Km com 1 litro de gasolina e, com certeza, os plásticos de engenharia contribuirão muito para isso. Esses materiais também se diferenciam das resinas commodities por apresentarem propriedades físicas e químicas capazes de substituir diversos materiais e trabalhar em ambientes agressivos como temos no motor de um veículo, seja ele a gasolina ou a diesel. As riquezas do petróleo e gás natural no offshore do pré-sal brasileiro também se beneficiarão em muito com as propriedades dos polímeros de engenharia de elevada performance.

    Plástico Moderno,Artigo Técnico: Plásticos de engenharia no Brasil: a retomadaO Brasil fechou o primeiro semestre de 2013 como o quarto maior mercado de carros do mundo, só ficando atrás da China, Estados Unidos e Japão. No recente leilão do campo de Libra, vencido pela Petrobras em conjunto com as europeias Shell e Total e as chinesas CNPC e CNOOC, abre-se um leque enorme de oportunidades para os plásticos de engenharia. Libra é uma das maiores descobertas do pré-sal brasileiro e de onde serão explorados entre 8 e 12 bilhões de barris de petróleo nas próximas três décadas. Porém, o mercado brasileiro de plásticos de engenharia é deficitário. Em 2012, segundo análise do MaxiQuim Market Outlook (MMO) Plásticos de Engenharia, de um consumo aparente de 445 mil toneladas, 50% foram importadas ? considerados ABS, POM, PBT, PC, PA6 e PA66 e Compostos de PP. A maioria dos plásticos de engenharia, como ABS, SAN, poliacetal (POM) e PBT, não possui produção no Brasil. No caso das resinas que possuem produção no Brasil, como poliamidas e PC, a produção não é suficiente para ser a principal forma de oferta ao mercado. O caso de compostos de PP é diferenciado, pois a importação não é tão significativa. Mesmo com a alta presença da importação, importantes players globais, como DSM, Lanxess, Sabic, DuPont e Celanese, possuem estrutura para atendimento dos clientes brasileiros, procurando manter uma relação próxima, muitas vezes atuando em parceria com produtores de compostos. Nos últimos cinco anos, a Malásia e a Coreia do Sul têm se destacado como importantes players no fornecimento de resina ABS para o mercado brasileiro, observando significativo aumento no volume de resina destinada ao Brasil. Segundo análise da consultoria IHS, do mercado global de ABS, cerca de 70% da demanda está na Ásia. Natural então que das 80 mil toneladas importadas pelo Brasil no ano passado mais de 70% tenham vindo desta região. Quando tivermos a retomada da produção de ABS no Brasil, serão os excedentes de ABS da Ásia que irão competir duramente com os produtores no mercado brasileiro.

    Muitos movimentos empresariais estão ocorrendo nesse segmento. No caso do ABS, o mais recente ocorreu em outubro de 2013, com o anúncio da assinatura de um MOU (memorando de entendimento) para avaliar a formação de uma joint venture entre a Styrolution e a Braskem no Brasil, responsável por analisar a viabilidade econômica de implementação de uma planta para produção de ABS e SAN. A unidade será localizada na Bahia, com capacidade de produção de 100 mil toneladas. O início da construção deve ocorrer em 2015 e a produção em 2017. A Styrolution deve contribuir principalmente com sua expertise no desenvolvimento e na produção de estirênicos, com o licenciamento de tecnologia e com seus negócios já existentes na região. A Braskem deverá prover a infraestrutura da cadeia de fornecimento e o local para a planta. A concretização da joint venture está sujeita a aprovações regulatórias e concorrenciais.

    Anteriormente, as empresas Videolar e Unigel também anunciaram investimentos em unidades produtivas de ABS no Brasil. O projeto da Videolar foi anunciado em 2010, com um investimento de R$ 120 milhões, para uma capacidade instalada de 50 mil t/ano. A empresa pretende atender o mercado brasileiro e também suprir os demais países da América do Sul. Em 2011, a Unigel também anunciou um investimento de R$ 70 milhões, porém utilizando a atual planta de PS da empresa localizada no Guarujá (SP), que seria então convertida numa fábrica swing PS/ABS. O projeto passaria pela adaptação de um trem de PS para ABS com capacidade máxima total de 120 mil t/ano e capacidade máxima de ABS de 90 mil t/ano.


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