Plástico

15 de dezembro de 2009

Plástico Verde – Em prol da saúde do Planeta, a indústria do plástico injeta recursos em fontes renováveis

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Publicado por: Maria Aparecida de Sino Reto
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    Sob o mote do desenvolvimento sustentável, projetos envolvendo investimentos na produção de resinas plásticas por rotas renováveis – os chamados biopolímeros, como os derivados do etileno obtido do álcool da cana-de-açúcar –, ganharam corpo nos últimos anos. Segundo especialistas, uma tonelada de resina verde captura da atmosfera 2,5 toneladas de carbono. O maior comprometimento da indústria em gerar menor impacto ambiental também estimulou o avanço de produtos biodegradáveis.

    Quem saiu à frente nos negócios dos bioetilenos via rota alcoolquímica foi a Dow, em meados de 2007, quando anunciou com pompa e circunstância a formação de uma sociedade compartilhada (50% cada) com o grupo nacional sucroalcooleiro Crystalsev para a criação de um polo alcoolquímico integrado, destinado a produzir 350 mil toneladas anuais de polietileno linear de baixa densidade com etileno obtido do etanol da cana-de-açúcar. Prevista para começar em 2008, a construção do polo ainda não saiu do papel.

    Pouco tempo depois do anúncio da Dow, a Braskem obteve certificado internacional para fabricar polietileno de alta densidade também pela rota do etanol de cana-de-açúcar. O projeto andou e a previsão de start-up da planta de 200 mil t/ano, a ser instalada em Triunfo-RS, é o final de 2010. Antes de comemorar a chegada de 2008, foi a vez da Solvay declarar sua intenção de produzir PVC igualmente pela rota alcoolquímica. O projeto consiste numa unidade de 60 mil t de etileno, integrada ao seu parque industrial em Santo André-SP, capacitando uma produção de 120 mil t de PVC com essa tecnologia. Inicialmente prevista para 2010, a partida da nova planta foi adiada para entre 2011 e 2012, em razão da crise econômica global.

    O marketing é forte, mas as resinas “verdes” não constituem exatamente um ineditismo, como propalado aos quatro ventos, a não ser pela nova conotação ecológica embutida no termo. A bem da verdade, a produção de resinas termoplásticas com etileno derivado do álcool da cana-de-açúcar remonta à década de 60, primeiro com a Union Carbide (adquirida pela Dow). Mais tarde veio a Eletrocloro, que inaugurou no país, em 1962, uma das primeiras plantas mundiais de etileno com base no etanol, transformado depois em PVC. Nesse período, a Solvay produzia polietileno de alta densidade pela rota alcoolquímica. A matéria-prima vegetal supria a indústria do plástico diante do minguado e caríssimo eteno petroquímico. A olefina procedente do etanol deriva de uma reação química – desidratação catalítica –, pouco complexa e de alto rendimento.

    Os primeiros reveses sofridos pela alcoolquímica começaram na década de 70, com crises de escassez e alto custo para o álcool contra o eteno petroquímico, já abundante e barato, graças à entrada em operação da Petroquímica União (PQu). Logo depois, a primeira crise do petróleo injetou novo fôlego na alcoolquímica. Além de servir à indústria química, propriamente dita, a rota abastecia na indústria do plástico a produção de etileno notadamente para a fabricação de PEBD, PEAD e PVC. A indústria alcoolquímica registrou razoável expansão de seu parque até 1984, sustentada por um insumo nacional e por preços favorecidos, competitivos com a nafta petroquímica. Depois disso, o álcool perdeu os subsídios e deixou de ser financeiramente atrativo.

    Hoje, as empresas envolvidas com os projetos de etileno batizado “verde”, por sua origem vegetal, explicam que o processo avançou na catálise e na conservação de energia, alcançando melhores índices de conversão e de escala.

    Questão de apuração – No caso da Solvay Indupa, o investimento na produção do PVC via rota etanol contempla uma nova tecnologia de desidratação, mais eficiente energeticamente e com melhor rendimento em etileno, informa Édison Carlos, da comunicação e assuntos corporativos. “Ainda não definimos qual volume efetivamente produziremos no início. Vai depender das negociações com clientes e da aceitação pelo mercado.” Clientes ligados à construção civil, à indústria automobilística e à de bens de consumo já mostraram interesse no produto.

    A Braskem aproveitou parte do conhecimento tecnológico advindo da antiga instalação (já desmontada) de etileno da Salgema, uma das empresas incorporadas pelo grupo, e adicionou os aperfeiçoamentos obtidos em seu próprio laboratório. “Essa tecnologia foi modernizada e melhorada para garantir, primeiro, que o eteno possa ser polimerizado em qualquer das tecnologias existentes atualmente para a produção de polietileno e, segundo, para que a produção seja em escala industrial”, explica Leonora Novaes, gerente-comercial do projeto PE verde da Braskem.

    A empresa recebeu no começo deste ano, da Fundação de Proteção Ambiental (Fepam), a licença de instalação (LI) autorizando o início do processo de construção. Os equipamentos críticos do projeto, como compressor de gás de carga e compressor de trem frio, já foram encomendados, a fim de garantir o cumprimento do cronograma. A estrutura de concreto (pipe rack) que suportará toda a tubulação da planta também foi concluída. “A finalização dessa estrutura é um marco importante para a continuidade das instalações da


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