Plástico

3 de julho de 2013

Plástico nos automóveis: Indústria fomenta o uso de resina reciclada, em prol do menor impacto ambiental

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Publicado por: Renata Pachione
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    Plástico Moderno, Plástico nos automóveis: Indústria fomenta o uso de resina reciclada, em prol do menor impacto ambientalO crescimento da frota de carros no país é vertiginoso e deve seguir assim nos próximos anos. Impelida a assegurar que os automóveis se tornem um meio de transporte sustentável neste século XXI, a cadeia automotiva foi buscar soluções. Seu interesse maior e recorrente é o de reduzir cada vez mais o peso dos veículos, mas essa premissa vai além. Hoje a indústria também considera a natureza dos próprios materiais como condição sine qua non para minimizar o impacto ambiental dos automóveis.

    Na prática, há um aumento considerável da participação das resinas recicladas nos projetos automotivos. “O seu uso avançou nos últimos anos, e a tendência é a de crescer ainda mais”, atesta Edson Orikassa, diretor executivo da Associação Brasileira de Engenharia Automotiva (AEA). O caso notório e emblemático para este movimento da indústria é o do PET reciclado, hoje presente em praticamente 100% dos projetos das montadoras – a resina é aplicada nos carpetes e/ou tapetes dos veículos.

    Para ele, este cenário só pôde ser desenhado desta forma porque a cadeia nacional da reciclagem melhorou. Em outras palavras, a indústria automotiva, exigente como é, só passou a considerar o plástico reciclado em seus desenvolvimentos quando foram comprovados o seu desempenho e a sua adequação. “Todos os componentes dos veículos são submetidos a vários testes de engenharia”, Orikassa faz questão de reforçar.

    Os dados mais recentes sobre os índices nacionais de reciclagem mecânica dos plásticos são os da pesquisa realizada pela Plastivida em 2012 (ano base 2011). Segundo o monitoramento, a indústria automobilística consumiu 76 mil toneladas do material, algo em torno de 7% do total de plásticos reciclados no Brasil.

    Dos quinze grupos de mercados consumidores de plásticos reciclados identificados na pesquisa, o setor automotivo está em sétimo lugar. “Consideramos uma posição importante”, ressalta Miguel Bahiense, presidente da Plastivida e do Instituto do PVC. O setor de utilidades domésticas responde por 16,43% do consumo. Neste ranking, logo atrás estão a indústria agropecuária (15,3%) e o setor que o instituto classifica como “industrial” (14,9%) – no caso, o segmento engloba diversos tipos de embalagens para este ramo de atividade.

    Plástico Moderno, Knecht: aumentou a procura por resina com conteúdo pós-consumo

    Knecht: aumentou a procura por resina com conteúdo pós-consumo

    Entre as explicações para esta aceitação, segundo Bahiense, está o fato de que praticamente todos os plásticos são passíveis de serem reciclados, e seus produtos aplicados na indústria automotiva. No momento, a preferência recai sobre os polímeros mais conhecidos, entre eles PVC, PC, PE, PP, PET e PS. Estas resinas acabam se transformando em tampa de radiadores, para-choques, maçanetas de portas, peças de retrovisores, calotas, acessórios internos, peças de lanternas, tapetes, frisos e enchimentos, entre outros.

    “Devemos destacar que não são produtos fabricados exclusivamente com material reciclado, eles podem ser produzidos com plástico virgem ou mesmo com outras matérias-primas, tudo depende do projeto do carro”, observa Bahiense. De qualquer maneira, o mercado de automóveis já identificou os benefícios dos plásticos, não somente sob a ótica ambiental. “O material agrega qualidade nas peças automobilísticas, tais como design, resistência, cores etc., a um custo extremamente competitivo”, finaliza.

    A petroquímica Saudi Basic Industries Corporation (Sabic) acompanha de perto o estreitamento entre a indústria automotiva e a da reciclagem. “Na região, vemos um interesse crescente na utilização de materiais de PCR (reciclado pós-consumo)”, resume Ricardo Knecht, diretor presidente da unidade Innovative Plastics da Sabic na América do Sul.

    Um exemplo vem da América do Norte. A petroquímica participou do projeto do Volvo Trucks, que adotou a resina Valox iQ (PBT) nos suportes do sistema de deflexão lateral de ar do Volvo VN 2012. Essa foi a primeira utilização de um material pós-consumo em caminhões pesados na região. Existem diversos outros exemplos, até mesmo da indústria local, mas, por razões de confidencialidade, eles não podem ser divulgados pela petroquímica.


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