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19 de julho de 2013

Plástico nos automóveis: Em busca de leveza, setor se rende aos termoplásticos

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Publicado por: Renata Pachione
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    Uma maneira direta de reduzir o impacto ambiental dos automóveis se traduz no uso cada vez maior dos termoplásticos. Os motivos são vários. Seja pela leveza proporcionada, o que reduz o consumo de combustível e a emissão de gases poluentes, ou pela possibilidade futura de reciclagem das peças. Em outras palavras, soluções de mobilidade sustentável passam necessariamente pela perda de peso dos veículos. Simples assim.

    Plástico Moderno, Maróstica apresenta o plástico como opção ao aço

    Maróstica apresenta o plástico como opção ao aço

    A Lanxess está engajada neste desafio há algum tempo. A empresa propõe mecanismos para auxiliar as montadoras a desenvolver aplicações inovadoras e de menor peso. “A construção leve é responsável por 15% da possível economia de emissões de poluentes de um carro”, atesta Anderson Maróstica, especialista técnico da unidade de negócios HPM (High Performance Materials) da Lanxess. Ele explica que existe um princípio básico que norteia os projetos de engenharia dos veículos, segundo o qual um peso cem quilos inferior é convertido na economia de meio litro de combustível por cem quilômetros rodados e 11,65 gramas a menos de CO2 por quilômetro.

    Hoje, em média, são utilizados quatorze quilos de plásticos de engenharia por carro. Mas a tendência é este índice aumentar. A demanda por este tipo de plástico, segundo estimativas da companhia, manterá um ritmo de crescimento de 7% ao ano até 2020. Não por acaso, a produção global de veículos leves também vai subir, em torno de 30%, até 2015. Todos esses conceitos somados sustentam ainda que os veículos devem adotar cada vez mais plásticos de alta tecnologia. “O uso de materiais leves como alternativa para o aço é a melhor maneira de reduzir o peso dos veículos”, sentencia o especialista. Os plásticos de engenharia são aplicados, em geral, à carroceria, ao chassi, à transmissão, às peças do motor e à parte eletrônica do veículo.

    Para dar conta do aquecimento da demanda, a Lanxess dará partida, ainda neste ano, a uma unidade para produção de compostos de PA 6 (poliamida) e de PBT (polibutileno tereftálico), plásticos de engenharia com uso crescente na indústria automobilística. A planta terá capacidade de 20 mil toneladas/ano.

    Plástico Moderno, Maróstica apresenta o plástico como opção ao aço

    Maróstica apresenta o plástico como opção ao aço

    Já em relação ao uso de resinas recicladas, a empresa alemã conta com o Durethan Eco e o Pocan Eco. Estas resinas possuem percentuais diferentes de material reciclado, dependendo do grade. Além dos materiais serem uma opção de uso de resina recuperada no portfólio da Lanxess, todos os produtos atendem aos requisitos da RoHS (Restriction of Hazardous Substances) e da Reach (acrônimo de Registration Evaluation, Authorization and Restriction of Chemicals), pois não possuem substâncias restritas ou proibidas que possam limitar a “reciclabilidade” dos materiais. “Em algumas aplicações, realizamos a validação da peça do cliente já utilizando uma porcentagem de material reciclado na peça”, explica Maróstica.

    Em prol de mais leveza – A petroquímica Saudi Basic Industries Corporation (Sabic) conta com uma gama extensa de resinas capazes de auxiliar as OEMs a tornarem seus desenvolvimentos mais leves. Na avaliação de Ricardo Knecht, diretor presidente da unidade Innovative Plastics da Sabic na América do Sul, um dos principais meios para atingir este objetivo está nas janelas de policarbonato (PC). “Dependendo do desenho e da complexidade da peça, é possível reduzir o peso em até 50%”, aponta, comparando o material ao vidro. Uma prova está no lançamento da Volkswagen, que desenvolveu o modelo híbrido XL1, no qual utiliza a resina da Sabic, a Lexan GLX, com o Exatec, um recobrimento de plasma de alto desempenho. “Este é um grande marco na adoção de “vidro” de PC, que tem a promessa de reduzir de forma significativa o peso dos veículos e promover a eficiência energética”, destaca o executivo da Sabic.

    Plástico Moderno, Peça plástica reduz o peso dos carros

    Peça plástica reduz o peso dos carros

    Mas a solução não está apenas nas janelas, obviamente. As possibilidades são inúmeras. “Temos o módulo frontal, módulos de portas, painéis de instrumentos e interior de portas traseiras, onde reduções até três quilos de peso são possíveis; e até mesmo em aplicações como o volante – neste caso, um projeto totalmente de plástico pode significar uma economia de 20 por cento no peso”, explica Knecht.

    No setor de autopeças, a Plascar é uma das principais empresas a investir no uso de materiais plásticos. São 50 anos de experiência na transformação nacional, vendo de perto o crescente interesse da cadeia automotiva na implementação de materiais, processos e tecnologias capazes de tornar os veículos mais sustentáveis. “Existe um esforço para reverter a imagem dos automóveis de vilão do meio ambiente”, comenta Marcio Tiraboschi, gerente da engenharia avançada e materiais da Plascar.


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