Máquinas e Equipamentos

19 de abril de 2010

Injetoras – Cresce procura por máquinas para fabricar peças multicores

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Publicado por: Jose Paulo Sant Anna
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    Nos países avançados, a injeção de peças com duas ou mais cores é usada há mais de trinta anos, tornou-se corriqueira. Lá fora, em algumas aplicações, chega-se a utilizar até oito cores por peça. No Brasil, alguns transformadores adotam a tecnologia há mais de dez anos. Seu uso por aqui, no entanto, pode ser considerado bastante tímido. Poucas são as fábricas capacitadas para essa operação. Entre elas, a maioria absoluta se utiliza de duas cores.

    Apesar de ser ainda pífio, o interesse por trabalhos do gênero vem crescendo de forma moderada, em especial nos últimos dois anos. Alguns fornecedores de injetoras atestam que são procurados com maior intensidade por interessados em equipamentos com mais de uma unidade de injeção. O mesmo sentimento está presente entre os poucos transformadores e fabricantes de moldes prestadores de serviços para esse nicho de mercado.

    O crescimento da demanda tem ocorrido com maior intensidade por parte de representantes de alguns segmentos econômicos. Um exemplo: os setores de cosméticos e de produtos de higiene pessoal. A aparência dos produtos nas prateleiras dos pontos de venda, para essas indústrias, faz parte da estratégia de marketing. O uso de peças coloridas nas embalagens incentiva as vendas, ajuda a cativar os consumidores em lojas, supermercados e demais representantes do varejo. O mesmo apelo pode ser mencionado em outros itens cuja questão estética favorece os negócios. São os casos dos aparelhos eletrodomésticos e eletroeletrônicos.

    O aumento da procura não se dá apenas por questão estética, ocorre também por funcionalidade. As lanternas traseiras dos automóveis são compostas por plástico transparente e vermelho. Injetar as lanternas com duas cores em apenas um ciclo se mostra operação econômica e vantajosa, quando comparada com a produção independente dos componentes de cada cor. Outros exemplos se encontram na fabricação de produtos como aparelhos de barbear ou de escovas de dente. Recobrir os cabos desses produtos, normalmente injetados em EVA, com uma camada de TPE, um tipo de borracha, permite melhor manuseio por parte dos usuários, além de torná-los com aparência mais sofisticada.

    Aplicações como essas proporcionam bom potencial de crescimento do uso da tecnologia nos próximos anos. Alguns fatores, porém, não ajudam. Para investir na aquisição de equipamento do gênero, o uso dedicado das máquinas é quesito quase obrigatório. E o preço das injetoras é “salgado”. O maior obstáculo, no entanto, se encontra no valor dos moldes. Muito complexos, eles custam, em média, mais de meio milhão de dólares. Mesmo levando-se em conta a relação custo/benefício, muitas vezes vantajosa, o investimento assusta os industriais.

    Encontrar no Brasil ferramentarias preparadas para esse tipo de encomenda é outro desafio. Os dedos de uma mão talvez sejam suficientes para contar as empresas do ramo capacitadas. A importação é a forma de contornar o problema. Não por acaso, fornecedores internacionais de injetoras costumam oferecer aos clientes projetos completos, que incluem, além das máquinas, moldes fabricados por parceiros internacionais e até periféricos e acessórios de automação.

    Plástico Moderno, Franco Magno, Gerente técnico da Plastek, Injetoras - Cresce procura por máquinas para fabricar peças multicores

    Magno: injetoras comuns podem ser adaptadas para realizar operação

    Os “segredos” das injetoras – A injeção bicolor exige uma série de cuidados, adotados de acordo com as características das peças a serem produzidas. Um dos dilemas se encontra na escolha da injetora. Existem vários fornecedores de máquinas com duas ou mais unidades de injeção. Essas unidades podem ser montadas em paralelo, na vertical ou na horizontal, na lateral dos equipamentos. A seleção é feita caso a caso. “A escolha da melhor combinação depende das características dos moldes”, explica Christoph Rieker, gerente-geral da Sumitomo Demag, multinacional com participação marcante no mercado mundial de equipamentos multicomponentes.

    Um dos diferenciais dessas máquinas se encontra em seu controle, dotado com softwares mais sofisticados do que os presentes em modelos convencionais. Esses controles precisam garantir com grande precisão a execução de todas as operações, permitindo as temperaturas e pressões corretas de etapas como plastificação das resinas em cada unidade de injeção durante o preenchimento do molde.

    Franco Magno, gerente técnico da Plastek, multinacional especializada em transformação e ferramentaria e uma das pioneiras na fabricação de peças bicolores no Brasil, revela ser possível adaptar injetoras comuns para a operação. “Quando for vantajoso, podemos montar uma segunda unidade de injeção com controle independente”, conta. No parque gráfico da empresa no Brasil, a opção já foi adotada. “Usamos tanto máquinas especializadas quanto adaptadas e todas funcionam bem”, garante.

    Os “segredos” dos moldes – Não são poucos os atributos dos moldes necessários para o bom funcionamento dos ciclos de injeção de peças plásticas bicolores. Eles exigem enorme precisão, muitos de seus componentes contam com dimensões projetadas na casa dos milésimos de milímetros. “Um mínimo desajuste provoca problemas durante o preenchimento das cavidades e aparição de rebarbas”, lembra Magno, da Plastek.

    Essas matrizes podem ser divididas em dois grandes grupos. No primeiro, encontram-se as projetadas para sofrer uma rotação dentro das máquinas após a conclusão de cada ciclo. A rotação, comandada por sistemas de engrenagem, pode ocorrer no sentido vertical ou horizontal, conforme as características das peças a serem fabricadas e das máquinas a serem utilizadas. Nesse caso, os moldes têm o dobro de cavidades em relação ao número de peças a serem produzidas.


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