Plástico

27 de outubro de 2012

Plástico concorre com concreto na fabricação de poços de visita

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Publicado por: Jose Paulo Sant Anna
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    Ao andar pelas calçadas, as pessoas se deparam de forma constante com tampas metálicas de bueiros colocadas pelas companhias de saneamento básico. De vez em quando, também é possível encontrar nas ruas grandes cilindros de concreto, a serem usados por essas empresas em futuras obras. Essas instalações são chamadas de poços de visitas e têm como objetivo armazenar o esgoto a ser tratado em recipientes instalados a cada 80 (pode chegar até 100) metros, para desobstruir as canalizações usadas na operação.

    Em um passado longínquo, esses poços eram feitos de tijolos. O concreto ganhou espaço nas últimas décadas. Na Europa e em alguns outros países mundo afora, há alguns anos o plástico entrou na concorrência como matéria-prima para a produção desses poços. No Brasil, graças à iniciativa da Braskem, fornecedora de polietileno linear de baixa densidade, e da Asperbrás e da Brinquedos Bandeirante, transformadores, o plástico começa a ser aproveitado nessa aplicação.

    “Nossa área de inovação sempre mapeia a possibilidade de uso do plástico em novas aplicações”, conta Jorge Alexandre da Silva, coordenador de projetos de desenvolvimento de mercado do polietileno da Braskem. Ele explica que a fabricação de poços de visita por meio do processo de rotomoldagem apresenta muitas vantagens em relação ao concreto.

    Para o executivo, a qualidade dos poços feitos de concreto deixa a desejar. “Os cilindros de concreto usados são ligados com materiais de vedação usados na construção civil. Com o tempo, essas vedações se deterioram e provocam vazamentos que contaminam o meio ambiente, em especial em regiões onde existem lençóis freáticos”, diz. Além disso, esses cilindros são muito pesados, difíceis de serem transportados e manuseados.

    “As peças rotomoldadas, por sua vez, são monoblocos, não vazam e são mais fáceis de serem instaladas.” Silva garante que o investimento necessário para o uso do plástico é competitivo. “O polietileno é mais caro que o concreto, mas, levando-se em conta o custo de instalação e manutenção, o plástico é mais econômico. A economia cresce em áreas próximas dos lençóis freáticos.” Os poços feitos de plástico se assemelham a grandes garrafas, com diâmetro de um metro e altura de 1,5 a 2,5 metros. De acordo com dados da Braskem, um poço de visita de concreto pesa cerca de 700 kg, enquanto um de polietileno pesa 70 kg.

    Desde a ideia de trazer a técnica ao Brasil até o lançamento da peça, foi necessário um período de maturação e investimentos em pesquisa e desenvolvimento da fabricante de resinas e demais envolvidos. O projeto também contou com a colaboração da Sabesp, companhia de saneamento básico do estado de São Paulo, que ajudou na produção das normas que determinam os requisitos básicos das peças.

    Durante meses foi desenvolvida a resina ML360U, de alto desempenho, que chegou ao mercado no final de 2008. “Os polietilenos comuns têm como base os comonômeros de buteno. A versão usada nos poços tem como base o hexeno”, informa. Essa característica proporciona propriedades mecânicas e químicas diferenciadas. “A resina apresenta maior resistência ao impacto, à pressão e aos componentes agressivos que compõem o esgoto.”

    O potencial de mercado é gigantesco. “O esgoto é tratado em 45% do território nacional. Outros 55% necessitam de redes de tratamento”, informa. Para suprir a carência, é necessária a construção de uma rede com 180 mil quilômetros de extensão. “Serão necessários 1,8 milhão de novos poços, sem falar nas substituições dos antigos”, calcula. Para abastecer o mercado, Silva calcula ser necessária a instalação de plantas de transformação em diferentes regiões. Como são peças de grande porte, fica difícil transportá-las em um país com dimensões continentais.

    As primeiras experiências do uso de poços rotomoldados já estão em andamento. A oz do Brasil, empresa de soluções ambientais da Organização Odebrecht, também com participação acionária na Braskem, é pioneira. O projeto de saneamento da empresa em Uruguaiana, no Rio Grande do Sul, na fronteira com o Uruguai, pretende universalizar os serviços de abastecimento de água e de esgoto em cinco anos. Ao longo desse período, lá serão instalados cerca de 4 mil poços de visita rotomoldados. Outras empresas de saneamento básico estão fazendo consultas e demonstram interesse em adotar a solução.



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