Plástico

12 de fevereiro de 2007

Petroquímica

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Publicado por: Fernando C. de Castro
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    Plástico Moderno, Petroquímica

    Rio Grande do Sul traça plano de impulso às vendas regionais

    O Rio Grande do Sul transformou 400 mil toneladas de termoplásticos em 2006, contabilizada a soma das commodities, dos plásticos de engenharia e de alto desempenho, 50 mil a mais na comparação com 2005. O Estado ultrapassou novamente o Paraná (380 mil toneladas) e se posicionou na terceira colocação entre os principais representantes da terceira geração petroquímica do País ao ficar atrás de São Paulo (1,8 mil t/ano) e Santa Catarina (760 mil t/ano).

    Ainda assim existe um paradoxo. Se levado em conta apenas o volume das resinas poliolefínicas produzidas no pólo petroquímico de Triunfo, a 70 quilômetros de Porto Alegre, as vendas caíram 2,2%, de 285 mil toneladas, em 2005, para 279 mil em 2006. Isso significa que a recuperação do consumo está calcada em matéria-prima importada. Os dados indicam ainda que os transformadores gaúchos compram apenas 10% das resinas produzidas no Estado. A segunda geração petroquímica da região processa aproximadamente 2,8 milhões de toneladas/ano.

    Tal distorção é motivo de desconforto na cadeia produtiva. Na tentativa de modificar esse quadro, os três elos da cadeia petroquímica gaúcha se uniram com o objetivo de aumentar para 25% o volume de resina produzida em Triunfo a ser consumida no arranjo produtivo local, ou seja, 350 mil toneladas/ano, até o fim dos próximos quatro anos.  O pilar da proposta engloba uma série de medidas fiscais e de recomposição da matriz produtiva como estratégia no sentido de aumentar a competitividade dos transformadores.

    A primeira experiência neste aspecto responde pelo nome de RS Competitivo. Entre 2005 e 2006, os fabricantes de embalagens flexíveis gaúchos foram beneficiados com uma queda de 17% para 12% do ICMS cobrado na compra das resinas e os primeiros resultados foram nitidamente expressivos. A arrecadação de impostos em favor do Estado na cadeia petroquímica desde a Refinaria Alberto Pasqualini e nas três gerações seguintes (Copesul, fabricantes de resinas e transformadores) foi de R$ 1,788 bilhão em 2006, 13,2% de crescimento na comparação com 2004.

    Plástico Moderno, Eduardo Tergolina, diretor-comercial da Ipiranga Petroquímica, Petroquímica

    Tergolina confia na recuperação dos negócios para agricultura

    Caiu o valor cobrado, porém, o Estado recolheu mais dinheiro em cima da produção nominal.“A redução do ICMS no plástico não altera o tributo ao consumidor final. O objetivo é equalizar o imposto ao longo da cadeia produtiva de tal forma a desonerar o peso das resinas sobre a indústria de transformação”, enfatiza o secretário-executivo do Sindicato das Indústrias de Material Plástico do Rio Grande do Sul (Sinplast), Gilberto Mosmann.

    Para ele, a política de redução comprova que é possível elevar a arrecadação por meio do aumento do volume de vendas em lugar da pesada carga tributária. Contudo, o programa mais ousado em favor da competitividade da terceira geração petroquímica gaúcha ainda depende de uma difícil negociação com o governo estadual. Trata-se do Geraplast.

    Se for aprovado na íntegra, e as chances são reais, o projeto irá reduzir de 17% para 9% o ICMS cobrado, desde que a indústria de transformação invista no aumento de produção por meio de ampliação de plantas industriais, construções de novas instalações e geração de emprego e renda. Nessa contrapartida, os industriais deverão investir um total de R$ 300 milhões em novos ativos logo após a entrada em vigor do Geraplast. Somente se beneficiarão das vantagens tributárias aqueles que comprovarem a adesão efetiva ao programa com base em relatórios contendo o cumprimento das metas.

    Com efeito, o Geraplast irá oferecer outras vantagens para quem adquirir máquinas e equipamentos fabricados dentro do Estado, com isenções de alíquotas. Além disso, os transformadores teriam maiores prazos para recolhimento de ICMS com origem em outros Estados. Esse ponto é interessante porque o Rio Grande do Sul conta com três fabricantes de injetoras, dois de moinhos, construtores de roscas de extrusão e equipamentos de automação industrial, entre outros itens.
    Basicamente, o Geraplast abrange a redução do ICMS, os programas Fundopem/Integrar de incentivo à abertura de novas fábricas com vocação exportadora, financiamento e ações da própria cadeia produtiva. “Já nos reunimos em três ocasiões com o novo governo e voltaremos a conversar no começo de março”, antecipa o secretário-executivo.

    Plástico Moderno, Petroquímica

    Ipiranga Petroquímica bateu recorde histórico de vendas na região

    A intenção é estender as isenções de forma mais ousada em termos de números para todo o conjunto da terceira geração.
    Mosmann assinala que a petroquímica gaúcha é diferenciada pelo nível de integração. Numa ponta está a Refinaria Alberto Pasqualini, em Canoas, interligada à Companhia Petroquímica do Sul (Copesul) e aos quatro fabricantes de resinas poliolefínicas, a Ipiranga Petroquímica, a Braskem, a Innova e a Triunfo.

    Na outra, existem 600 indústrias de transformação, as quais geram 24 mil postos de trabalho. Quase 90%, porém, contam com menos de cem empregados. Apenas 10% das empresas empregam entre 100 e 249 funcionários, e 2%, de 250 a 500.

    A terceira geração petroquímica gaúcha se concentra em três regiões: Vale dos Sinos (Novo Hamburgo), Serra (Caxias do Sul) e Metropolitana (Porto Alegre, Canoas, São Leopoldo, Cachoeirinha).

    Como explica Mosmann, a indústria é expressivamente diversificada e atua em segmentos como: calçados, embalagens rígidas e flexíveis, utilidades domésticas, brinquedos, componentes técnicos (peças e partes para a indústria automotiva, informática, telecomunicações, máquinas e implementos agrícolas, eletroeletrônica, eletrodomésticos, moveleira), construção civil, agricultura e móveis.


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