Embalagens

26 de setembro de 2011

PET – Um milhão de toneladas: esta será a nova capacidade nacional

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Publicado por: Maria Aparecida de Sino Reto
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    Plástico Moderno, Pet - Um milhão de toneladas: esta será a nova capacidade nacional

    Só muitos anos depois de consagradas no exterior, as embalagens de PET chegaram ao Brasil. O crescimento acelerado compensou o tempo perdido e, da primeira garrafa soprada em solo nacional (flagrada com exclusividade por Plástico Moderno, estampada na capa de julho de 1988) aos dias atuais, o mercado brasileiro de polietileno tereftalato amadureceu e avança agora em ritmo mais moderado. Nesse ínterim, os volumes parcos na oferta local da resina àquela época ganharam escalas de respeito e a disponibilidade nacional do polímero deve quase dobrar e atingir um milhão de toneladas até 2013, conforme previsto sem computar eventuais atrasos na programação.

    No ano passado, o seu consumo aparente atingiu cerca de 560 mil toneladas (contra 12 milhões de toneladas em âmbito global), volume que considera resinas e pré-formas importadas e equivale a um crescimento da ordem de 7,5% sobre 2009, de acordo com dados da Associação Brasileira da Indústria do PET (Abipet). As expectativas de expansão para este ano ficam em patamar parecido, entre 6,5% e 7,0%, segundo o presidente da entidade, Auri Marçon.

    Isso porque, para ele, o PET já domina amplamente os grandes mercados: bebidas carbonatadas, água e óleo comestível. Só essas três indústrias juntas absorveram 90% da demanda doméstica. “O Brasil está bem amadurecido nesses mercados”, justifica. Não à toa. A introdução do polímero na indústria de embalagens proporcionou um avanço extraordinário à indústria de refrigerantes. Com suas alardeadas vantagens, a resina também cativou por completo os segmentos de óleo comestível e água mineral.

    A receita desse sucesso é um pacote de características que inclui propriedades atóxicas, alta transparência e brilho, excelente barreira a gases e odores, grandes resistências química e mecânica (ao impacto), além da leveza em comparação a outros materiais. Agora o PET vislumbra novos caminhos para sua escalada, entre eles os mercados de leite, de potes de boca larga e de cosméticos.

    Em tempos de sustentabilidade em alta, o presidente da Abipet defende o material nas embalagens para refrigerantes, baseado em um estudo americano. “Em análise de ciclo de vida, o PET é, em quase todas as categorias, a melhor escolha em relação a materiais concorrentes nas questões de meio ambiente”, justifica Marçon.

    A atual oferta brasileira supre até 550 mil toneladas anuais, capacidade instalada do único produtor do polímero, o grupo italiano Mossi & Ghisolfi. Single line instalada em Ipojuca-PE, a fábrica brasileira emprega a rota de PTA (ácido tereftálico purificado) e se situa como a maior do mundo, junto com a similar mexicana, construída pouco tempo antes pelo grupo em Altamira.

    Novo competidor – Mas se os projetos da Petroquisa, braço da Petrobras atuante nas áreas química e petroquímica, seguirem os cronogramas previstos, uma nova fábrica de 450 mil toneladas de PET para embalagens deve quebrar a hegemonia da M&G no mercado brasileiro no segundo semestre de2012. A estatal, porém, ainda busca um sócio para o novo complexo petroquímico, a Petroquímica Suape (Companhia Petroquímica de Pernambuco), fator que pode jogar adiante os planos de inauguração.

    A ser instalado também no município de Ipojuca, o complexo compreende a produção de PET e fios de poliéster (240 mil t/ano) integrados à produção do PTA, esta de cerca de 700 mil toneladas anuais. A sobra de PTA (cerca de 105 mil t/ano) será destinada ao mercado. Como informa o diretor superintendente da Petroquímica Suape, Richard Ward, o empreendimento seguirá em etapas, a começar pela produção do filamento texturizado, da unidade de fios de poliéster. A fase seguinte envolve a planta de PTA e as polimerizações, dividida em duas fases (fibras têxteis e resina grau garrafa), além de outros tipos de filamentos de poliéster. “Já estamos produzindo cerca de 100 toneladas mensais do fio texturizado, com o funcionamento de duas das 64 máquinas desse processo, que estarão em plena operação no primeiro trimestre de2012.”

    O presidente da Abipet aproveitou a ocasião da divulgação dos resultados do 7º Censo de Reciclagem do PET no Brasil para mostrar a radiografia atual da indústria nacional do PET e as projeções dos próximos anos. Segundo o cronograma, a capacidade instalada brasileira da resina sobe em duas etapas, das atuais 550 mil toneladas anuais, oferecidas pela M&G, para 850 mil t/ano em 2012, com a partida da primeira unidade produtiva da nova planta de PET da Petroquímica Suape.

    Por conta da nova oferta, a disponibilidade doméstica terá uma ampla folga sobre a demanda interna, o que forçará a exportação de parcela das suas produções. Nova adição é esperada para 2013, com a entrada em operação do segundo trem da Petroquímica Suape, quando a soma de capacidade de ambas as produtoras alcançará um milhão de toneladas anuais.

    Mas para o diretor superintendente da nova concorrente, o quadro de superoferta não deverá perdurar além de dois ou três anos. Richard Ward enseja um forte crescimento no consumo nacional da resina, sustentado pelos novos nichos conquistados, aumento do poder aquisitivo do cidadão brasileiro e reforçado ainda pelos jogos da Copa do Mundo de 2014 e pelos Jogos Olímpicos, em 2016, que serão sediados no país. Até lá, ele prevê crescimento para o setor a taxas superiores a 11% ao ano. Possíveis reflexos da crise econômica global não assustam o diretor. “Estamos muito otimistas com a economia brasileira e a receptividade do mercado sobre a entrada em operação em breve de nossas unidades produtivas.”


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