Petróleo & Energia

8 de abril de 2017

Perspectivas 2017 – Petrobras: Estatal quer ficar mais enxuta e eficiente para atingir metas financeiras e operacionais

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Publicado por: Marcelo Fairbanks
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    Plástico Moderno, Unidade de destilação atmosférica da Rnest, em Pernambuco

    Unidade de destilação atmosférica da Rnest, em Pernambuco

    A Petrobras faz ajustes em seus negócios e estruturas internas com o objetivo de reduzir o endividamento, aumentar a produtividade e a rentabilidade das suas operações. Isso inclui a venda de ativos considerados não-vitais, a exemplo de participações em empresas petroquímicas, de fertilizantes e produtoras de biocombustíveis (etanol e biodiesel).

    A diretoria da estatal, sob o comando do respeitado executivo Pedro Parente, adotou essa postura como resposta à difícil situação em que a companhia foi colocada, após administrações pródigas e ruinosas havidas nos últimos 13 anos. A ilusória – porque temporária e cíclica – situação de preços elevados do petróleo no mercado global, beirando US$ 150 por barril em 2008, levou o país todo a acreditar na fábula do Eldorado do Ouro Negro, representado por campos de elevada produção, porém situados muito longe da costa e a profundidades extremas, sem mencionar a complexidade operacional. A região do pré-sal seria a redenção econômica do Brasil, um cheque especial que começou a ser aproveitado antes mesmo de o primeiro óleo ter chegado às plataformas de exploração.

    A ilusão de riqueza se mostrou mais deletéria do que cair no golpe do bilhete premiado. Maximizado pelas bazófias de líderes políticos e turbinado pela corrupção em escala gigante, grande parte do parque industrial metalmecânico e de construção naval local voltou seus esforços e capitais para atender à demanda futura alardeada pelo setor petroleiro, jamais efetivada na escala prometida. Com essa frustração, essas indústrias foram arrastadas para uma crise profunda.

    Nos tempos do eldorado petroleiro, a Petrobras ampliou irresponsavelmente seu endividamento, desde os US$ 20 bilhões de 2010, até ostentar a dívida bruta de US$ 132 bilhões em 2015, para uma geração de caixa operacional próxima de US$ 20 bilhões. Nesse ano, a alavancagem da companhia (dívida líquida/Ebitda) chegou a 5,3.

    Enquanto isso, por determinação do governo federal de então, interessado em manter elevada popularidade, os preços dos principais derivados de refino foi congelado em valor abaixo do custo de obtenção, gerando um déficit de caixa considerável – atualmente, os preços de derivados são apontados com base no custo de substituição por importados. Além disso, por força do binômio corrupção-ineficiência, a companhia calcula que apenas um terço do endividamento daquela época será capaz de gerar resultados. Os dois terços restantes foram desviados ou aplicados em obras que não estão concluídas (e talvez não venham a ser).

    O sonho começou a se tornar um pesadelo com o sucesso da exploração de petróleo e gás natural de fontes não-convencionais nos Estados Unidos, englobando o shale gas e o tight oil. O baixo custo de extração de óleo e gás revelado nessa atividade tornou-a atraente para o setor petroleiro, ganhando impulso e escala a partir de 2010. Com isso, a cotação do petróleo leve despencou para a faixa dos US$ 60/barril, até o mínimo de US$ 30/barril, em meados de 2016. Os projetos da estatal brasileira, elaborados em um quadro mais risonho, começaram a adernar.

    Plástico Moderno, Parente: parque de refino só crescerá mediante parcerias

    Parente: parque de refino só crescerá mediante parcerias

    Pedro Parente observa que a chegada do shale gas e de outras fontes não-convencionais derrubou os investimentos globais do setor petroleiro desde então. É preciso considerar também os esforços mundiais para redução das emissões de carbono, que reduziram o consumo de derivados de petróleo, embora, como afirma Parente, “a grande mudança no setor foi provocada na curva de oferta”.

    “As companhias petroleiras de atuação internacional estão emagrecendo”, afirmou o presidente da Petrobras. Os grandes nomes do ramo estão vendendo ativos, reduzindo e otimizando investimentos, aprimorando suas operações e adotando rígida disciplina financeira. “A Petrobras também estaria fazendo isso mesmo que não fosse por conta da corrupção da qual foi vítima”, avaliou.


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