Economia

27 de março de 2017

Perspectivas 2017 – Infraestrutura: Graves deficiências nacionais pedem investimento em máquinas, logística e geração de energia

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Publicado por: Antonio Carlos Santomauro
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    Plástico Moderno, Perspectivas 2017 - Infraestrutura: Graves deficiências nacionais pedem investimento em máquinas, logística e geração de energia

    Profissionais das mais diversas áreas projetam, de maneira quase unânime, 2017 como período mais favorável para a economia brasileira que o ano passado. Perspectiva não muito animadora, pois o ano recém-findo foi extremamente ruim para quase todos os setores da atividade econômica; um ano, dizem muitos, “próprio para ser esquecido”. Além disso, algumas incertezas – associadas à realidade política do país – ainda impossibilitam não apenas mensurar a possível melhoria, mas até mesmo garanti-la.

    Plástico Moderno, Velloso: vendas de máquinas caíram 50% entre 2013 e 2016

    Velloso: vendas de máquinas caíram 50% entre 2013 e 2016

    Qualquer avanço significará novo fôlego extremamente bem-vindo para os fabricantes de máquinas e equipamentos industriais e para os agentes de construção da infraestrutura: afinal, diretamente dependentes de projetos de investimentos – os mais impactados nos períodos recessivos que os mercados de consumo de produtos corriqueiros –, no Brasil esses setores enfrentam conjuntura extremamente adversa ao menos desde 2014, quando aguçaram-se as crises na economia e na política nacionais.

    A indústria brasileira de máquinas, por exemplo, registrou em 2016 o quarto ano consecutivo de queda em seu faturamento. Para este ano, a perspectiva é um pouco melhor: “Essa indústria pode registrar crescimento de receita de 5% a 6%”, projeta José Velloso, presidente-executivo da Abimaq (Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos). À primeira vista, esse índice de expansão parece relevante; mas ele é sensivelmente obscurecido quando considerada a base de comparação. “Entre 2013 e 2016 o setor reduziu quase 50% de seu faturamento, com queda das vendas principalmente no mercado interno”, pondera Velloso.

    No ano passado, aliás, mais do que uma queda, houve um verdadeiro tombo na receita da indústria brasileira de máquinas e equipamentos, que relativamente a 2015 encolheu em mais de 24%. O baque só não foi maior em decorrência de uma atividade algo mais aquecida nas exportações, que caíram menos que as vendas no mercado interno (ver Tabela 1). Mas foi, segundo a Abimaq, “o pior desempenho para um ano na série histórica iniciada em 1999”, além de indício daquela que é “provavelmente a maior crise da história do setor”.

    Plástico Moderno, Perspectivas 2017 - Infraestrutura: Graves deficiências nacionais pedem investimento em máquinas, logística e geração de energia

    Para 2017, Velloso fundamenta sua percepção de possíveis melhorias nos negócios do setor não apenas no cenário econômico aparentemente mais estável – com inflação controlada e início de um processo de queda nos juros –, mas também na demanda reprimida por máquinas e equipamentos no mercado brasileiro. “Há quatro anos a taxa de investimento no país registra somente quedas, então há muita demanda reprimida por máquinas”, destaca.

    O presidente-executivo da Abimaq cita, como segmentos que nos momentos iniciais da possível recuperação da economia mais devem ver crescer a demanda por seus produtos o agronegócio – para o qual as vendas do setor podem crescer perto de 15% – e as indústrias alimentícia, farmacêutica e de artigos de plástico, entre outras.

    Mas há também possibilidades de percalços nesse provável processo de reaquecimento da economia. Entre eles, Velloso inclui a ocorrência de uma crise política, um câmbio favorável à competitividade dos concorrentes importados, e o endividamento das empresas do setor que, ao lado das elevadas taxas de juros, inibem a busca por financiamentos. Isso sem contar com os níveis atualmente elevados de ociosidade das empresas usuárias de máquinas e equipamentos industriais: “Elas têm hoje uma taxa de ociosidade de quase 40%”, estima.


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