Economia

28 de abril de 2016

Perspectivas 2016 – Indústria química: Matérias-primas baratas e taxa cambial ajudam, mas incertezas locais travam novos projetos

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Publicado por: Marcelo Fairbanks
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    Plástico Moderno, Perspectivas 2016 - Indústria química: Matérias-primas baratas e taxa cambial ajudam, mas incertezas locais travam novos projetos

    Terminou 2015, deixando poucas saudades. O ano novo ainda é uma criança, mas carrega um fardo pesado de más perspectivas, herdado de seus antecessores. Isso é verdade no caso do Brasil, enquanto os Estados Unidos ainda ostentam crescimento econômico, a Europa volta a levantar o nariz, depois de vários anos fracos, e a sempre emergente China registrou crescimento de 6% no seu PIB, percentual considerado aquém de suas necessidades.

    O cenário nacional segue obscurecido pela névoa da infindável crise política que retira do Poder Executivo sua capacidade de comando. Em um país absolutamente dependente das decisões de Brasília, isso se traduz em completo imobilismo, obrigando a postergar decisões de investimentos e o planejamento de atividades em todos os setores da vida econômica.

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    O setor químico não está imune a essa paralisia. Ao menos, poucos dias antes do Natal de 2015, a Petrobras assinou o novo contrato quinquenal de fornecimento de 7 milhões de t/ano de nafta petroquímica para a Braskem, encerrando uma infeliz novela que se arrastou por três anos. Mas, ao remunerar o derivado de refino em exatos 102,1% da cotação ARA (Amsterdã, Roterdã e Antuérpia), o acordo não trouxe grandes estímulos aos investimentos do setor. Ressalte-se que o acordo poderá ser revisto depois de três anos, uma condição inusitada nesse ramo. Pode-se dizer que foi o melhor acordo possível, no momento. “Dados o esfacelamento das condições macroeconômicas, as dificuldades enfrentadas dos nossos clientes e os problemas da Petrobras, decidimos formar esse acordo, embora consideremos o índice ARA inadequado e o prazo oferecido curto demais”, explicou Carlos Fadigas, presidente da Braskem. Ele informou que as companhias internacionais que pretendiam investir em unidades de produção de estirênicos (Styrolution) e borracha sintética (Synthos) foram avisadas sobre o novo acordo para a retomada de entendimentos sobre essas projetos.

    A queda vertiginosa da cotação do petróleo permitiu aos crackers de nafta (e outras cargas líquidas) recuperar grande parte da vantagem conquistada pelas unidades alimentadas por etano (gás). Com as matérias-primas em baixa, a rentabilidade da indústria petroquímica mundial disparou e voltou a atrair investidores. Nos Estados Unidos, país antes considerado um cemitério de plantas petroquímicas, a reativação de unidades e a proliferação de projetos de novos crackers e linhas de polimerização de eteno já aponta para o início de uma fase de excesso de oferta de resinas e corte de lucros a começar em 2018. Saliente-se que o Oriente Médio também está construindo novas capacidades, alimentadas por gás natural ainda mais econômico que o shale gas dos EUA. Analistas internacionais consideram a América Latina como alvo óbvio para receber excedentes de produção de polietilenos de baixo preço daqui a alguns anos.

    Apesar da propalada “renaissance” petroquímica americana, analistas apontam que a produção de eteno dos EUA ainda não voltou ao volume anual anterior à crise de 2008, com picos acima de 25 milhões de t/ano verificados em 2004 e 2007. Em 2013, a maior produção pós-crise, foi atingida a marca de 25 milhões de t, segundo Paul Hodges, presidente da International eChem e consultor da Icis.

    Ele considera preocupante em termos estratégicos a manutenção de taxas baixas de ocupação de capacidades químicas em todo o mundo. No período de 1987 e 2008, a taxa média de ocupação mundial chegou a 91,3%, caindo para 82,8% entre 2009 e 2015. “Percebe-se que a utilização da capacidade instalada vem diminuindo, em outubro passado, esse índice foi a 81,4%, isso é um mau sinal para 2016”, salientou.

    O risco de superprodução de olefinas, tanto C2 quanto C3, é iminente, segundo o especialista. Com isso, a competição entre resinas plásticas está ficando mais agressiva, com os derivados de eteno levando vantagem por serem obtidos de gás natural. “Houve uma sensível redução dos preços do petróleo e seus derivados de uso petroquímico. O petróleo está voltando para a média de longo prazo de US$ 26 por barril, mas ainda assim o gás natural é mais econômico para a produção de eteno”, explicou. Porém, a abundância de óleo barato pode comprometer os investimentos necessários para manter a produção de gás nos Estados Unidos e isso poderá prejudicar a expansão das capacidades de eteno.

    Na sua avaliação, a China deixou de estimular práticas de crescimento agressivo de produção, preferindo concentrar esforços em alcançar a autossuficiência em materiais e na contenção de impactos ambientais. O tigre asiático agora se preocupa com a qualidade de vida da população. Dessa forma, Hodges não espera que a China seja responsável por uma nova bolha de commodities, porém ele aponta investimentos daquele país para ter suprimento próprio de propeno, lançando mão de tecnologias diversas, entre elas a desidrogenação de propano e aproveitamento do carvão para geração de hidrocarbonetos líquidos (CTL, carbon to liquids). “Prevemos que a China deixará de importar propeno a partir de 2020 e as importações de derivados de C2 começarão a se estabilizar em 2016”, afirmou.


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