Economia

11 de abril de 2016

Perspectivas 2016 – Couro: Mercado externo surge como alternativa para empresas nacionais saírem da crise

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Publicado por: Plastico Moderno
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    Química e Derivados, Perspectivas 2016 - Couro: Mercado externo surge como alternativa para empresas nacionais saírem da crise

    Texto: Marcia Mariano

    A Lâmpada Cerimonial, que faz parte do ritual indiano de purificação e sabedoria, foi solenemente acesa durante a abertura do seminário “Oportunidades de Negócios Emergentes na Índia”, realizado em 12 de janeiro, em São Paulo, com objetivo de incrementar o comércio bilateral com o Brasil. O evento reuniu cerca de cem participantes, entre empresários, investidores e profissionais do setor de couro e calçados que estão em busca de novos mercados para seus produtos. Enquanto para os indianos as velas acesas simbolizam sorte e perseverança, para os brasileiros podem ser uma luz no horizonte, indicando o caminho para fugir da recessão brasileira.

    O evento, promovido pela Câmara de Comércio Brasil-Índia; pelo Departamento da Promoção e Política Industrial da Índia e pelo Conselho das Exportações de Couro, foi o pontapé inicial de uma estratégia que visa atrair empresas brasileiras do setor de couro para produzirem naquele país. O principal atrativo é aproveitar o crescimento da economia indiana que, entre os chamados Brics, tem apresentado crescimento do Produto Interno Bruto superior a 7% ao ano, enquanto o PIB brasileiro, segundo projeções do FMI, deve sofrer queda de 3,5% em 2016.

    Na cadeia produtiva do couro, entre 2012 e 2014, cerca de 300 empresas do ramo calçadista fecharam as portas e, segundo o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), o setor encerrou 2015 com a perda de 25 mil postos de trabalho. Dados da Secex (Secretaria de Comércio Exterior) também mostram que o ano de 2015 fechou com o total de US$ 2,265 bilhões de peles bovinas exportadas pelo Brasil, equivalente a menos 23,2% em relação a 2014. A cadeia produtiva nacional do couro – curtimento, artefatos e calçados –, segundo dados oficiais, emprega aproximadamente 300 mil pessoas.

    Talvez por conta destes dados, a maioria dos empresários brasileiros prefira manter cautela nos investimentos e não arriscar num ambiente de incertezas.

    Fernando Bellese, gerente de marketing e sustentabilidade da Divisão de Couro da JBS, um dos executivos presentes no evento, reconheceu as vantagens de se produzir no exterior. Dentre os benefícios, ele destacou o acesso a novos mercados e a oportunidade de reduzir custos. Mas também advertiu para os desafios como o entendimento da legislação local e a limitação de acesso ao crédito e sistema bancário. “O processamento da matéria-prima deve ser feito na origem, com manufatura e prestação de serviços próximos ao cliente. Os negócios só acontecem com forte conhecimento da cultura local”, disse.

    É de se destacar que, apesar do progresso dos últimos anos, a Índia é um país de desigualdades. Estima-se que apenas 6% da mão-de-obra possui emprego formal. Além disso, a baixa produtividade e a precária infraestrutura de transportes são entraves a serem superados no segundo país mais populoso do mundo.

    Química e Derivados, Lâmpada cerimonial permaneceu acesa durante o encontro

    Lâmpada cerimonial permaneceu acesa durante o encontro

    Potencial – O empresário indiano, Panaruna Aqeel Ahmed, da Florence Shoes Company, destacou a importância estratégica da indústria do couro indiana, que fatura cerca de US$ 12 bilhões por ano, com perspectiva de crescimento da ordem de 25% nos próximos cinco anos. Segundo ele, o setor emprega 3 milhões de trabalhadores, sendo 30% mulheres.

    O embaixador da Índia no Brasil, Sunil Lal, por sua vez, enfatizou que o país tem o segundo maior mercado consumidor do mundo e que, nos últimos cinco anos, a classe média indiana cresceu e já representa 35% da população, estimada em 1,25 bilhão de habitantes. “Hoje, cerca de 450 milhões de pessoas estão na faixa etária entre zero e 14 anos, indicando o enorme potencial de consumo do país. Estimamos que o mercado consumidor indiano alcance US$ 3,5 trilhões em 2020”.

    O diplomata reconheceu a qualidade e criatividade do design brasileiro, bem como o esforço das indústrias em manter uma produção sustentável. “O Brasil exporta para mercados que desejamos, como a América Latina, onde a participação dos produtos de couro indiano é de apenas 1%. As boas práticas como a reciclagem da água industrial e o tratamento de efluentes também são exemplos do que podemos aprender com os brasileiros. Sem dúvida este é o momento correto para gerar sinergia”, afirmou.

    Rafeeque Ahmed, presidente do CLE – Concil of Leather Exports, acrescentou que 78% das exportações de calçados da Índia vão para a União Europeia, que absorve 56% delas, e para os Estados Unidos, China e Hong Kong. “A Índia quer comprar couro do Brasil, pois nossa produção é insuficiente para atender toda demanda interna, mas também estamos de portas abertas para que as empresas se instalem em nosso país”, disse o executivo, acrescentando que o governo oferece todas as condições para que a indústria de produtos manufaturados cresça e se desenvolva na Índia.


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