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4 de abril de 2016

Perspectivas 2016 – Couro: Mercado doméstico é fundamental para setor calçadista

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Publicado por: Plastico Moderno
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    Texto: Marcia Mariano

    O Brasil produz cerca de 42 milhões de couros bovinos por ano. O mercado interno consome cerca de 20% dessa produção. O setor de calçados, porém, é o que tem sofrido mais com a crise. O presidente executivo da Abicalçados, Heitor Klein, traça um perfil atual da indústria de calçados brasileira.

    Heitor Klein

    Heitor Klein

    Quantas indústrias operam no país e qual é a produção anual?
    Heitor Klein: No setor calçadista são 7,9 mil indústrias que produziram 877 milhões de pares no ano passado (2015). O valor de produção passou de R$ 27 bilhões em 2014. As principais regiões produtoras de calçados são o Nordeste (43,4%) e Sul (32,3%).

    Qual é a participação do setor no PIB da indústria e no PIB do País?
    Klein: Não temos o dado da participação do setor de calçados no PIB. Na indústria de transformação, a participação foi de 1,23% em 2014.

    Com a crise como está a relação de consumo?
    Klein: No ano passado, cerca de 14% da produção foi exportada (124 milhões de pares). Nos últimos anos, o mercado doméstico foi fundamental para o setor calçadista. Com a queda na demanda, identificada a partir do segundo semestre de 2014, a indústria tem apostado no mercado externo. Em 2015, fechamos com queda de 10% no valor gerado com as exportações (US$ 960,4 milhões). Porém, com o dólar em patamares favoráveis e a recuperação de alguns dos principais mercados, a expectativa é de incremento dos embarques em 2016.

    Quais os principais mercados de exportação?
    Klein: Os principais mercados para o segmento são EUA, Argentina, França e Bolívia. Em 2005, foram exportados 190 milhões de pares de calçados que geraram US$ 1,9 bilhão. Em 2015, o número caiu para 124 milhões de pares e US$ 960,4 milhões. Por outro lado, é importante frisar que mudou o perfil do produto exportado, já que o Brasil passou a vender mais produtos com marca própria e menos private label, modalidade predominante anos atrás. Desde 2007 até 2014, o investimento da indústria calçadista pulou de R$ 383,86 milhões para R$ 594,4 milhões (+35,4%). Porém, se pegarmos o comparativo de 2013 e 2014, vamos perceber uma queda de quase 14% no investimento realizado. Com a retração no mercado doméstico, principal destino dos calçados produzidos no país, a tendência é de que a indústria freie os investimentos em 2016.

    Qual o impacto do dólar para as exportações de calçados e peles brasileiras?
    Klein: O dólar valorizado auxilia o exportador de calçados para a formação de preços mais competitivos para o mercado internacional, já que os custos são em reais. A moeda norte-americana, em valores mais elevados, também diminui as importações, pois os produtos estrangeiros ficam mais caros para o varejo brasileiro. O resultado foi que, em 2015, registramos uma queda de quase 15% nas importações, que ficaram em torno de US$ 480 milhões (33,26 milhões de pares). Especificamente da China, as importações vêm caindo desde a adoção do direito antidumping contra o calçado chinês, em 2009 (essa medida de defesa comercial taxa o produto daquele país em US$ 13,85 por par).

    O couro ainda é predominante no setor calçadista ou o consumo de materiais sintéticos vem crescendo?
    Klein: Hoje o couro é utilizado apenas em 12% da produção de calçados. O avanço dos materiais sintéticos, tanto pela questão do preço mais competitivo como pela inovação tecnológica, tem sido substancial nos últimos anos.



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