Economia

15 de abril de 2016

Perspectivas 2016 – Álcool: Gasolina cara permitiu avanço do etanol, mas endividamento alto preocupa os produtores

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Publicado por: Hamilton Almeida
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    Plástico Moderno, Perspectivas 2016 - Álcool: Gasolina cara permitiu avanço do etanol, mas endividamento alto preocupa os produtores

    A produção de etanol continua crescendo no país. A previsão é fechar o ciclo 2015/2016 com 29,8 bilhões de litros, uma expansão de 4,5% em relação ao período anterior, de acordo com informações do presidente da Datagro Consultoria, Plínio Nastari. O segmento vem registrando expansão desde 2011, quando se produziu 22,6 bilhões de litros – quase 32% de aumento em 5 anos.

    Plástico Moderno, Nastari: evolução tecnológica tornará etanol mais competitivo

    Nastari: evolução tecnológica tornará etanol mais competitivo

    O clima chuvoso favoreceu o desenvolvimento da cana-de-açúcar, que deverá apresentar uma safra “bastante robusta” este ano. A moagem da matéria-prima poderá totalizar 657 milhões de toneladas, sendo 605 milhões de t provenientes da região Centro-Sul e 52 milhões de t do Norte-Nordeste. Na safra anterior, de 2014/15, o Brasil moeu 632,19 milhões de t.

    Para a safra 2016/17, que se inicia em abril, a Datagro projeta a moagem, só no Centro-Sul, de 610 milhões a 630 milhões de toneladas. “É provável que tenhamos uma safra com canas com maior teor de sacarose”, observa Nastari. Espera-se que o fenômeno climático El Niño tenha um efeito reduzido este ano, influenciando o amadurecimento dos canaviais. Resultado: safra maior, com maior produção de etanol e de açúcar.

    O cenário positivo atual só é diluído numa visão a médio e longo prazos, quando, segundo Nastari, surgem “muitas incertezas”: o comportamento do clima, a definição da regra de competitividade entre o etanol e a gasolina, o nível de preços, o diferencial tributário…

    Ele pondera que, nos últimos três anos, houve uma recuperação gradual da participação do etanol no mercado de combustível para motores de ciclo Otto, ao nível de 42% em 2015, em gasolina equivalente. Esta participação havia caído para 30,3%, em 2012, mas já foi de 45% em 2009. Isso quer dizer que 42% da demanda total por gasolina no país é suprida por etanol anidro (27% de mistura na gasolina) e hidratado (o etanol vendido nos postos de abastecimento).

    Em outubro do ano passado, registrou-se um recorde no consumo mensal de 1,75 bilhão de litros. Sem números oficiais encerrados para o ano de 2015, a estimativa da Datagro é que o consumo de etanol hidratado atingiu 17,68 bilhões de litros em 2015, um crescimento significativo de 36% sobre 2014.

    Já o etanol anidro apresentou uma variação de consumo próxima de zero. Caiu 1,6%. O teor de mistura aumentou de 25% para 27% em março de 2015, o que gerou um efeito de compensação. Mas despencou o consumo de gasolina pura, tipo A, para 30,19 bilhões de litros em 2015. Em 2014, foram consumidos 33,27 bilhões de litros.

    Nastari explica que houve uma expansão do etanol no mercado de combustíveis mediante a recuperação parcial do diferencial de tributação com a gasolina. Em fevereiro de 2015, as alíquotas de PIS e Cofins subiram para R$ 0,22 por litro para a gasolina e R$ 0,15 para o diesel. Em 1º de maio, a Cide aumentou em R$ 0,10 por litro para a gasolina e R$ 0,50 para o diesel, recuando o PIS e o Cofins no mesmo valor, para evitar novo aumento de carga tributária.

    A Cide tem um papel de amortização nos preços dos combustíveis, instrumento que estava sem ação até então, quando ela estava zerada. A Cide foi reduzida no passado com a intenção de evitar que os aumentos de combustíveis da Petrobras aos distribuidores chegassem ao consumidor. A arrecadação do PIS e Cofins é exclusiva da União; a Cide é repartida com os estados e municípios.

    Em resumo, Nastari afirma que, a partir de fevereiro de 2015, a Cide, mais PIS e Cofins, que estavam em zero, foram recuperados para 22 centavos por litro de gasolina. “Essa recuperação parcial já foi suficiente para gerar um estímulo ao consumo de etanol em relação à gasolina”, diz. Ele se referiu à “recuperação parcial” porque, em janeiro de 2000, a carga tributária era de R$ 0,28 por litro. Se corrigida pela inflação, isso representaria hoje R$ 0,93.

    Plástico Moderno,

    Produção e consumo nacional de etanol


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