Economia

16 de março de 2015

Perspectivas 2015 – Tintas: Correção dos rumos da economia permitirá reverter a queda das vendas registrada em 2014

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Publicado por: Marcelo Fairbanks
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    Plástico Moderno, Perspectivas 2015 - Tintas: Correção dos rumos da economia permitirá reverter a queda das vendas registrada em 2014
    Conhecido pelo comportamento resiliente em relação às oscilações econômicas, embora afetado por elas, o setor de tintas e vernizes encerrou 2014 tisnado pelo mau desempenho – e pelo mau humor – dos vários mercados que atende. O setor amargou uma redução de 1,67% no faturamento dolarizado, refletindo o volume comercializado de 1.408 milhão de litros, por sua vez 1,25% inferior ao registrado em 2013.

    A expectativa setorial para 2015 aponta para uma elevação de 1% nas vendas, revertendo o encolhimento verificado em 2014. O desempenho acompanha a previsão corrente para a evolução do Produto Interno Bruto (PIB). E espera-se para 2016 um avanço ainda mais consistente.

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    Nesse sentido, soam coerentes as primeiras medidas anunciadas pela nova equipe econômica do governo federal, encabeçada pelo ministro da Fazenda Joaquim Levy, envolvendo aumento de impostos e medidas de contração de demanda interna. “As medidas anunciadas no dia 19 de janeiro devem ter um impacto forte e até negativo em um primeiro momento, mas são boas, de forma geral, e devem trazer os resultados esperados já no segundo semestre de 2015”, avaliou Dilson Ferreira, presidente-executivo da Associação Brasileira da Indústria de Tintas (Abrafati).

    O impacto inicial será acentuado pelo fato de o poder aquisitivo da população estar em um patamar baixo, situação agravada pelo alto endividamento das famílias. Além disso, com o real desvalorizado em relação ao dólar e o aumento dos impostos aplicados sobre o valor das importações, a tendência é de elevação de custos industriais e dos preços ao consumidor, com a possiblidade de acelerar os indicadores de inflação.

    “Isso vale para os itens que não possuem produção local, caso de 65% dos insumos consumidos pelos fabricantes de tintas, e há quem veja um estímulo à retomada industrial, mas isso não acontece tão rapidamente”, comentou Ferreira. Ele também observou que o mercado mundial de produtos químicos é francamente vendedor, com tendência de baixa de preços justificada pela queda nas cotações do petróleo e do gás natural.

    Essa queda nos preços globais dos hidrocarbonetos pode amenizar o impacto das medidas para os consumidores, mas Ferreira não acredita que a Petrobras repassará totalmente essas cotações para os seus produtos, dada a necessidade de a companhia fazer caixa para tocar seu plano de investimentos. Além disso, a retomada da Cide (Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico), combinada com o PIS/Cofins, elevará o preço da gasolina em R$ 0,22 e do diesel em R$ 0,15 na refinaria.

    O lado virtuoso das medidas amargas será a recuperação da credibilidade internacional do país e também da confiança dos consumidores locais, inaugurando um ciclo benéfico para investimentos. “Em 2014, houve um corte de investimentos em projetos de infraestrutura e de habitação, isso foi trágico para o país que é carente nessas duas áreas”, lamentou.

    Os resultados desse corte podem ser sentidos agora, com ameaças de corte de fornecimento de eletricidade e de água, necessidade de importação de derivados de petróleo, meios de transporte insuficientes para as necessidades do país, entre outros.

    “Começamos 2014 com expectativas positivas, pois a Copa do Mundo poderia alavancar o consumo de tintas, assim como as eleições, mas não foi o que se viu”, comentou. A Copa até absorveu um volume grande de tintas e vernizes, tanto na linha imobiliária quanto na industrial, mas esse volume foi menor do que a retração dos demais consumidores. “Sem a Copa, os resultados teriam sido piores”, considerou.

    A indústria automobilística, o segundo maior mercado do setor de tintas, teve um péssimo resultado em 2014, com a queda de 15,5% na produção nacional, em face de uma redução de 9% nas vendas de automóveis, incluindo a retração das exportações, influenciada pelo comportamento pífio do mercado argentino. “Há fábricas novas e outras ainda em construção no Brasil no ramo automotivo, isso implica demanda futura crescente por tintas, trazendo algum alento para o setor”, considerou. Na prática, a venda de tintas automotivas originais (OEM) caiu 15,5% em 2014, acompanhando o ritmo da fabricação de carros. “Em compensação, a repintura automotiva cresceu perto de 4%, mas esse dado ainda é preliminar, estamos concluindo o levantamento dos dados com as associadas”, informou.


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