Borracha

20 de janeiro de 2013

Perspectivas 2013 -Abtb – Indústria antevê ano difícil e aposta no avanço do penu verde

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Publicado por: Fernando Genova
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    Plástico, Perspectivas 2013 -Abtb - Indústria antevê ano difícil e aposta no avanço do penu verde

    O ano de 2013 promete ser mais um ano difícil para a indústria de borracha no Brasil. Não há previsão de grandes investimentos no setor, com exceção da possível chegada de novos sistemistas para atender as novas montadoras desta nova leva que chega para produzir aqui no Brasil nos próximos anos (principalmente as asiáticas), e de investimentos no setor dedicado ao petróleo. Incluindo o setor pneumático, o crescimento real não deve passar de 3%.

    Plástico, Perspectivas 2013 -Abtb - Indústria antevê ano difícil e aposta no avanço do penu verde

    Fernando Genova é presidente da Associação Brasileira de Tecnologia da Borracha (ABTB)

    Sem dúvida, a grande mudança tecnológica mundial no setor da borracha em 2013 (e o Brasil segue de perto essa tendência) é o crescimento do uso de “pneus verdes”, baseados em polímeros mais modernos e sílicas de alto desempenho. Com taxas de crescimento de + de 10% ao ano, essa tecnologia deve decolar ainda mais com uma grande mudança mercadológica que é o início do uso de Etiquetas em pneus, para mostrar ao consumidor com uma só informação como o tripé consumo-segurança-ruído pode impactar diretamente no seu dia a dia e no meio ambiente. O “labeling” já está em vigor na Europa e nos próximos três anos estará em vários outros países, incluindo o Brasil.

    Apesar dos avanços neste setor, as pneumáticas, o setor correlato de reforma de pneus – no qual o Brasil ocupa um importante segundo lugar no mundo – e o setor de borrachas automotivas vêm sofrendo os efeitos da recente política protecionista federal, que tem tornado o produto acabado nacional pouco competitivo, a ponto de um pneu reformado no Brasil ter custo próximo a um pneu novo de origem asiática.

    Em muitos casos, hoje, os custos para importar produtos acabados são menos da metade dos custos de insumos vitais para produzi-los com a mesma qualidade no Brasil. Evidentemente, o setor de borracha quer trabalhar junto com a petroquímica nacional para que ela cresça e se mantenha atual e competitiva, mas a atual estratégia aduaneira pode acabar enfraquecendo e desindustrializando outros setores que geram mais empregos e renda no Brasil.

    Menos sensível a esses problemas de competitividade internacional, o segmento de mangotes, mangueiras e outros artefatos para petróleo e gás promete ser o de maior crescimento relativo nos próximos anos no Brasil. Várias empresas estrangeiras estão construindo ou já construíram recentemente fábricas no Brasil para atuar localmente nesse setor, e este setor deve ultrapassar 10% do total de artefatos do Brasilem breve. Osetor de artefatos para mineração, apesar das dificuldades nos preços de commodities de 2012, também promete um crescimento importante e novas fábricas e expansões a partir de 2014, também chegando perto de 10% do setor. 2012 não foi um ano bom nem para o setor de artefatos de borracha em geral nem para os pneumáticos no Brasil. Ambos tiveram queda na produção, e, na metade de 2012, chegou-se a uma queda acima de 10% no setor de pneus. As exportações deste setor, que é tradicionalmente o mais significativo entre todos os setores da borracha, também sofreram queda no total em US$. Também no setor de produção de insumos não houve grande mudança.

    A maior novidade foi a importante expansão na produção de polibutadieno alto cis da Lanxess na planta de Cabo-PE, que certamente visa a atender ao crescimento previsto para o uso de “pneus verdes”. Outras borrachas sintéticas não foram alvo de novos investimentos no país; e, apesar da nova produção de monômero de butadieno da Braskem, o Brasil continua representando menos de 3% da produção mundial de borrachas sintéticas. Na área de borracha natural, apesar dos investimentos contínuos no oeste paulista, a produção brasileira continua sendo apenas cerca de um terço do consumo local, e o Brasil representa cerca de 1% da produção mundial. Muito pouco para o país que foi responsável no século XIX pelo primeiro grande ciclo do uso da seringueira, conhecida no setor pelo nome científico “hevea brasiliensis”.

    Olhando um pouco mais à frente o cenário global do setor de borracha, as previsões são de crescimento contínuo no consumo de borracha natural e sintética. Em 2012, o consumo esteve na ordem de 26 milhões de toneladas (sendo cerca de 11 milhões de toneladas de borracha natural e 15 milhões de toneladas de sintética), e em2020 aprevisão é de 36 milhões de toneladas (16,5 de natural e 19,5 de sintética). A grande maioria das novas plantas de borracha sintética estará na Ásia, embora já apareçam novos países produtores no Oriente Médio. Já a produção de borracha natural continuará crescendo no Sudeste Asiático, principalmente no já importante Vietnã e nos novos produtores Camboja, Laos e Myanmar.

    Quanto à divisão geográfica do consumo mundial, a China continuará representando mais de 30%; a Europa tem cerca de 15%; e os EUA, cerca de 13%.



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