Compósitos

24 de janeiro de 2010

Perspectivas 2010 – ABMACO – Compósitos vislumbram oportunidades nas áreas de transporte e infraestrutura

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Publicado por: Gilmar Lima
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    Plástico Moderno, Perspectivas 2010 - ABMACO - Compósitos vislumbram oportunidades nas áreas de transporte e infraestrutura

    Gilmar Lima É presidente da Associação Brasileira de Materiais Compósitos e
    diretor-geral da MVC Plásticos.

    O setor brasileiro de compósitos faturou R$ 2,24 bilhões em 2009, cifra 0,7% superior à registrada no ano passado. A crise econômica, principalmente no primeiro semestre, prejudicou o desempenho dos nossos principais consumidores, caso da indústria de transportes. Mas a economia como um todo se recuperou nos últimos meses e puxou para cima as nossas vendas.

    A demanda por materiais compósitos aumentou 28% no segundo semestre em comparação ao primeiro, totalizando 102 mil toneladas. O número de empregados, por sua vez, apresentou queda de 0,3%, com um total de 71.300 postos. Muito em razão da busca por maior eficiência operacional e pela ascensão de processos mais automatizados.

    Entre os principais segmentos consumidores, a construção civil reassumiu a liderança perdida no ano passado para a indústria de transportes – respondeu por 46% do total transformado. O mercado de energia, cujo maior representante é a eólica, ficou em segundo lugar, com 31%. As montadoras, sobretudo as que fabricam ônibus, caminhões e veículos agrícolas, caíram para a terceira posição do ranking, com participação de 12%. A seguir, aparecem as aplicações do material em ambientes corrosivos (4%), lazer (2%), náutico (2%), eletroeletrônico (1%) e outros (2%).Plástico Moderno, Perspectivas 2010 - ABMACO - Compósitos vislumbram oportunidades nas áreas de transporte e infraestrutura

    Sob o ponto de vista do faturamento, contudo, o setor de transportes ficou em primeiro lugar, com 33%, sucedido por energia (23%) e construção civil (18%). Isso se deve ao maior valor agregado das peças usadas em veículos – para-choques e capôs, por exemplo – bem como das pás eólicas, em contraste às caixas-d’água, telhas e banheiras, três das principais representantes dos compósitos nas lojas de material de construção.

    Em termos de processos de transformação, as tecnologias manuais (hand lay-up e spray-up) continuam sendo as que mais consomem matérias-primas, com 52% do total, seguidas por infusão (27%), RTM (11%) e enrolamento filamentar (3%).

    Ainda que o volume total consumido, de 182 mil toneladas, evidencie um recuo de cerca de 1% em comparação ao resultado do ano passado, o desempenho do nosso setor foi positivo. Porque crescer em receita com um consumo menor significa que estamos gerando produtos de valor agregado maior e com mais tecnologia. Vale lembrar também que viemos de uma taxa recorde de crescimento em 2008 de 13,3%. E, ao contrário de outros segmentos, não voltamos aos patamares de dois ou três anos atrás.

    Para o próximo ano, devemos faturar 3% a mais do que em 2009, totalizando R$ 2,3 bilhões, enquanto o número de empregos deve subir para 72.100.

    Planos para 2010 – Uma das primeiras ações da Abmaco em 2010 será a criação dos comitês focados na Copa do Mundo de 2014 e na Olimpíada de 2016. O nosso setor deve estar preparado para as oportunidades que surgirão, tanto na área de transporte como na de infraestrutura. Outra novidade ficará por conta do grupo de trabalho dedicado à substituição de materiais tradicionais, como ferro, aço e madeira, pelos compósitos – no mundo, há mais de 40 mil aplicações da combinação entre resina e fibra de vidro. O Brasil, infelizmente, se beneficia muito pouco da resistência à corrosão, leveza e versatilidade dos compósitos.

    Ainda em relação aos comitês, a equipe da Abmaco dedicada ao mercado da construção está preparando grandes surpresas para a Feira Internacional da Construção Civil (Feicon) de 2010. Chamaremos a atenção do público com soluções baseadas em design e inovação.

    Novos programas de qualidade, atrelados à cessão de certificados Abmaco, também fazem parte da nossa estratégia para o próximo ano. Em 2009, criamos o Programa Abmaco de Qualidade (PAQ) – Telhas e contratamos o Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) para avaliar se os participantes fabricam os produtos de acordo com a norma ABNT NBR 14.115. O programa será concluído no primeiro semestre de 2010 e os aprovados receberão o Selo de Qualidade Abmaco. Os reservatórios de água potável e as tubulações devem ser os alvos dos próximos programas.

    Já para aumentar a representatividade da indústria brasileira de compósitos em Brasília, contrataremos uma assessoria política. Muitos dos nossos pleitos não receberam a atenção devida ao longo dos últimos anos, por isso decidimos recorrer a uma assessoria profissional. A redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) das telhas de compósitos, por exemplo, é um deles. Muito embora economizem energia elétrica – fruto da translucidez –, as telhas de compósitos são taxadas em 15%, contra o IPI de 5% que incide sobre as telhas de alumínio, matéria-prima que, além de ser opaca, demanda elevada quantidade de energia durante seu processamento.

    Programa Nacional Abmaco de Reciclagem – A questão ambiental é a principal bandeira da Abmaco. Quando a nossa chapa assumiu pela primeira vez o comando da associação, já havia um esboço do Programa Nacional Abmaco de Reciclagem, que, depois de uma série de ajustes, entrou em vigor em dezembro de 2009. Trata-se, em linhas gerais, de uma associação entre 22 empresas investidoras – fornecedoras de matérias-primas e transformadoras – e o IPT. Com o apoio da equipe técnica da Abmaco, o IPT classificará as partículas que formam os resíduos de compósitos, para daí indicar a melhor forma de reutilizá-los no próprio processo produtivo. Para se ter uma ideia, geramos cerca de 13 mil toneladas de resíduos por ano, o que corresponde a um desperdício aproximado de R$ 90 milhões.


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