Plástico

23 de janeiro de 2009

Perspectivas 2009 – Abiplast – O ano que começou mais cedo

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Publicado por: Merheg Cachum
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    Plástico Moderno, Merheg Cachum, presidente da Associação Brasileira da Indústria do Plástico (Abiplast), Perspectivas 2009 - Abiplast - O ano que começou mais cedoPara a economia e setores produtivos, 2009 começou em outubro último, quando ocorreu a internacionalização da crise financeira nascida no imbróglio das hipotecas imobiliárias e dos derivativos norte-americanos. O impacto ocorrido ao cabo do terceiro trimestre foi tão agudo e abrupto que se torna impossível analisar sob os mesmos parâmetros a performance do nível de atividade nos doze meses de 2008.

    Para a indústria brasileira de transformação dos plásticos não foi diferente. Embora ainda não tenhamos os números definitivos, o seu desempenho foi bom nos três primeiros trimestres. No entanto, como todos os segmentos, a atividade sofreu os reflexos do crash mundial a partir de outubro. Esperamos que, doravante, as dificuldades sejam menores.

    É oportuno reiterar, num momento de expectativa como o atual, a importância das entidades de classe na defesa, promoção e fortalecimento dos setores. Nesse contexto, a Abiplast está mobilizada para ajudar a indústria do plástico a vencer as adversidades em 2009, atuando de maneira muito dinâmica, como sempre tem feito. Um exemplo: em decorrência de seu empenho e atuação abrangente, a entidade foi escolhida para representar toda a cadeia nas negociações travadas no Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. Decidiu-se, então, que a indústria de transformados plásticos e as petroquímicas apresentariam, inicialmente, um diagnóstico dos seus segmentos em separado.

    Graças à união das associações em torno da Abiplast, foi possível encomendar à Fipe e à Unicamp um estudo sobre a indústria de transformados plásticos. Nosso objetivo é dar uma panorâmica do nosso segmento, destacando os entraves ao maior crescimento, seja no mercado interno como no externo. Com os resultados obtidos, o setor terá melhores condições de encaminhar ao governo suas reivindicações. Veremos com maior clareza onde estão os nós e começaremos a desatá-los. Também em 2008, inauguramos nosso escritório em Brasília, que tem a missão de defender os interesses dos associados.

    Todas as iniciativas voltadas a estimular os negócios e ativar o mercado são ainda mais significativas em momentos de retração. É o caso da 12ª Brasilplast (Feira Internacional da Indústria do Plástico), que será realizada de 4 a 8 de maio, no Pavilhão de Exposições do Anhembi, em São Paulo. O evento terá mais de 1.300 expositores, de 30 países, e a presença de aproximadamente 65 mil visitantes, de 60 nações. A despeito das dificuldades de todos os setores em meio à turbulência mundial, acreditamos que a indústria de transformação do plástico tenha boas oportunidades de manter desempenho satisfatório.

    Por outro lado, independentemente dos problemas conjunturais, o setor precisa enfrentar, em 2009, algumas questões estruturais, como a exagerada carga tributária e problemas do mercado interno, que interferem no seu equilíbrio. Prova disso se encontra nos números de sua balança comercial no acumulado de janeiro a outubro de 2008: déficit de US$ 839,9 milhões, equivalentes a 118 mil toneladas, um recorde desde o início da série histórica desse dado, em 1996. A marca é 58,15% maior do que a registrada em igual período de 2007 e supera o saldo negativo integral do último exercício (US$ 645,68 milhões), até então o maior. Nem mesmo a desvalorização do real ante o dólar, determinada pela atual crise globalizada, atenuou a curva ascendente do déficit, que cresceu 8,41% em outubro (US$ 116,3 milhões) em comparação com setembro (US$ 109,16 milhões). É importante entender que esse desequilíbrio, embora possa ser agravado pela tempestade financeira que acomete o mundo, não está relacionado à presente conjuntura global de dificuldades.

    No período, as exportações totais dos produtos transformados de plástico registraram US$ 1,17 bilhão, correspondente à comercialização de 288 mil toneladas, com preço médio de US$ 4,08 mil por tonelada. Comparando-se às exportações totais do ano anterior, houve crescimento de 18,5% em valor e 3% em peso. As importações totais nesse mesmo período registraram US$ 2,01 bilhões, correspondentes a 406 mil toneladas, apresentando preço médio de US$ 4,96 mil por tonelada. Importamos os produtos transformados por valor FOB superior ao dos fabricados nas indústrias brasileiras, pois os itens comprados no exterior têm, na média, maior valor agregado. Este é um detalhe que evidencia o desequilíbrio verificado no mercado.

    Os números demonstram, sem qualquer dúvida, a necessidade premente de se restabelecer o equilíbrio da indústria transformadora do plástico. Para isso, seria importante a adoção de medidas absolutamente viáveis, como a isonomia do IPI e o aumento do prazo de recolhimento dos impostos, acesso mais amplo a financiamento e com o mesmo nível dos juros internacionais, de modo que suscite a igualdade de preços com os praticados no exterior. Tais providências são imprescindíveis para a competitividade de um setor presente em praticamente todas as cadeias de suprimentos da indústria e, portanto, com sensível impacto nos índices inflacionários e na oferta de bens de consumo e de produção. A mobilização com foco nessas medidas será uma das pautas prioritárias da Abiplast no ano novo.


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