Embalagens

23 de janeiro de 2009

Perspectivas 2009 – Abief – Como a indústria de embalagens plásticas flexíveis se comportará em 2009?

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Publicado por: Rogerio Mani
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    Plástico Moderno, Rogério Mani, presidente da Associação Brasileira da Indústria de Embalagens Plásticas Flexíveis (Abief), Perspectivas 2009 - Abief - Como a indústria de embalagens plásticas flexíveis se comportará em 2009?Sem dúvida, esta é a pergunta mais recorrente na cabeça dos empresários do setor. A resposta, contudo, é totalmente incerta. Os acontecimentos econômicos ocorridos em 2008, especialmente em nível internacional, desencadearam uma reação de queda de consumo no Brasil já no último trimestre do ano, especialmente em outubro e novembro.

    E o ano já vinha arrastando consigo alguns problemas. O primeiro deles, mais fortemente sentido na primeira metade, foi a alta do preço do barril do petróleo com efeito direto sobre o preço de insumos petroquímicos fundamentais para a cadeia do plástico – nafta, eteno e propeno. No final de fevereiro de 2008, o barril já tinha batido o recorde e superado os US$ 100.

    Outras ameaças pertinentes a 2008 foram o possível racionamento de energia e a consequente elevação de seu preço – que felizmente não aconteceram. Em contrapartida, uma fiscalização mais acirrada foi sentida e os impostos mantiveram seu ritmo galopante, com aumentos, até mesmo, nos dissídios coletivos.

    Alia-se a isso o fato de 2008 ter sido um ano de parada das centrais petroquímicas para manutenção, desgargalamento e aumento de produção. Também foi o ano de consolidação do setor petroquímico, um processo que culminou em apenas dois grandes players. E a concentração, como sempre, acaba sendo uma ameaça para os convertedores ao limitar seu poder de barganha.

    Em meio a este cenário, as previsões do início do ano definitivamente não se concretizaram. Em vez de um crescimento superior ao do PIB, a indústria brasileira de embalagens plásticas flexíveis estima ter aumentado suas vendas, em valor, em cerca de 3,5% (sobre os US$ 3 bilhões faturados em 2007).

    Em resumo: a história não se repetiu. Ou seja, o segundo semestre que é sempre melhor, não foi, e a primeira metade do ano foi, digamos, “razoável”. Podemos dizer que a demanda ficou bastante aquém do previsto durante todo o ano, com picos bastante pontuais de aquecimento. Em volume, o setor deve ter fechado 2008 com uma produção bastante próxima à de 2007, cerca de 680 mil toneladas de materiais transformados.

    Do ponto de vista de mercado, a estagnação da indústria de alimentos teve uma participação significativa na performance da indústria de embalagem, e não apenas da plástica flexível. Trata-se de um setor maduro, com crescimento contido. Nos últimos anos, a Fundação Getúlio Vargas registrou que o setor cresceu timidamente: 1,8% em 2006 e 2,51% em 2007. Mas não resta dúvidas de que esta indústria, juntamente com a de bebidas, continua sendo nosso principal cliente, consumindo entre 50% e 60% de todas as embalagens produzidas no país.

    Mas a simples análise dos números pouco otimistas não leva a nada. Certamente 2009 será um ano de dificuldades, como tantos outros que os empresários brasileiros já viveram. E, por isso mesmo, precisamos buscar no passado os ensinamentos para garantir o futuro.

    Contamos com um perfil bastante positivo em relação aos empresários de países desenvolvidos: sabemos lidar com crises desde sempre. Somos flexíveis em nossas decisões. O que precisamos é manter nossas empresas com uma contabilidade enxuta e rever os processos de negociação em andamento e futuros.

    Também precisamos passar para o mercado a importância da embalagem. Fazer nossos clientes perceberem que sem embalagens não há produtos e que um desabastecimento do mercado por falta de embalagem ou um abastecimento com embalagens de má qualidade e mal dimensionadas pode agravar a crise da economia brasileira.

    Com relação às tendências tecnológicas para o próximo ano, posso informar que, apesar de todo o cenário ruim que temos pela frente, faz-se necessário o investimento em tecnologias mais avançadas e embalagens mais integradas à vida moderna.

    Por este motivo é que estamos assistindo no Brasil a um crescimento muito rápido das embalagens barreira, coextrudadas e laminadas (stand-up pouche, retort). Existe uma intenção natural, principalmente nas transformadoras de grande porte, de acompanhar as evoluções.

    Estamos seguindo esta evolução e cada vez mais nossa indústria tem se preparado para poder atender a essas demandas. Não é à toa que estamos trabalhando fortemente nas questões ambientais, embalagens sustentáveis (maior durabilidade e conservação dos produtos) e inovação.

    Os empresários do nosso setor, assim como todos os outros, estão em compasso de espera, ou seja, aguardando os mercados se acalmarem para poder voltar a investir, porém aquelas empresas que já haviam planejado investimentos estão dando continuidade.


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