Compósitos

13 de janeiro de 2007

Perspectivas 2007 – Abmaco – Compósito em usos consagrados no mercado externo

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Publicado por: Rose de Moraes
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    O céu não impõe limites para os materiais compósitos de moldagem estrutural e alto desempenho. Na trilha de astros, planetas e corpos celestes, peças fabricadas em compósitos participam de importantes missões no espaço, ocupam posições estratégicas em naves e foguetes, compondo a estrutura de tanques de combustíveis.

    Plástico Moderno, Henrique José Andrade Ferraz, presidente da AbmacoPerspectivas 2007 - Abmaco - Compósito em usos consagrados no mercado externo

    Ferraz: utilização do material cresce em todos os continentes

    Em aviões, constituem material de uso nos sistemas de frenagem. Em satélites, entram em órbita com freqüência, participando de toda a sua construção. Compósitos de resinas termofixas e fibras de vidro há várias décadas são reconhecidos por sua avançada eficiência na fabricação de radomes para aviões.

    Contudo, um dos feitos mais instigantes dos compósitos no mercado mundial talvez esteja na tecnologia de fabricação de aviões “invisíveis”, que não são detectáveis por radar, cada vez mais presente na fabricação de navios e sistemas para blindagem. A propriedade de transmitância das ondas eletromagnéticas inerente aos compósitos é um dos seus grandes trunfos.

    Um dos novos modelos das aeronaves produzidas pela Air Bus, o A380, se tornou referência do setor, pois já teria mais da metade de seu peso em materiais compósitos. Na Associação Brasileira de Materiais Compósitos (Abmaco – ex-Asplar e ex-Abrapoli), instalada dentro do IPT, o Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado de São Paulo, é possível acompanhar de perto essas e outras aplicações desses materiais, revelando grandes conquistas internacionais, com potencial de uso também no Brasil.

    “O mercado internacional tem guiado nosso otimismo e motivado nosso desenvolvimento, demonstrando que a utilização de compósitos tem crescido em todos os continentes, principalmente nos países desenvolvidos”, afirmou Henrique José Andrade Ferraz, atual presidente da Abmaco.

    Ele admite ser um otimista inveterado, tendo por estrela-guia inúmeras conquistas dos compósitos em várias partes do mundo. A diretoria da Abmaco e seus associados esperam mesmo é enxergar um céu de brigadeiro no Brasil, ensejando novas oportunidades de desenvolvimento ao setor e aos empresários para alçar vôos mais altos já a partir de 2007.

    A tarefa, é preciso reconhecer, será árdua. Basta observar alguns números: enquanto os Estados Unidos consomem 40% dos compósitos produzidos no mundo, seguido pela Europa (35%) e Ásia (22%), o consumo brasileiro está na casa de 1%. Enquanto o consumo per capita anual na Europa e nos Estados Unidos atinge, respectivamente, 6 kg e 4,5 kg, ao brasileiro cabe a fatia de 600 gramas.

    O consumo de materiais compósitos na indústria aeronáutica nacional ainda é muito pequeno, segundo Ferraz. “Sabemos que a Empresa Brasileira de Aeronáutica (Embraer), considerada uma das grandes empresas aeroespaciais do mundo, fabricante de aeronaves comerciais, de defesa e jatos executivos, embarca, em média, 13% em peso de materiais compósitos em suas aeronaves. Se desejarmos manter a competitividade desse setor, serão necessários investimentos em centros de inovação e tecnologia em compósitos mais avançados e também direcionados à formação acadêmica, tal qual previsto no projeto elaborado em parceria entre a Embraer, o ITA e o IPT”, informou Ferraz.

    Apesar de ser também pequena, a participação dos materiais compósitos no setor de energia traz à tona potencialidades e prova até onde os recursos da engenharia aliados aos compósitos são capazes de chegar e beneficiar os usuários. Nesse caso se encontram as novas pás eólicas feitas de compósitos com fibras de vidro. Além de mais leves e resistentes, tornam os geradores de energia eólica mais eficientes.

    Ferraz considerou também que com o maior conhecimento das vantagens oferecidas por esses materiais, quanto à resistência mecânica e química e também por sua contribuição para reduzir as paradas para manutenção nas plantas industriais, a participação dos compósitos nas indústrias químicas e petroquímicas tende a aumentar cada vez mais. Ele lembrou que as plataformas de petróleo da Petrobrás utilizam componentes e peças fabricados com compósitos em pelo menos 20% das construções, substituindo o aço em componentes como grades de pisos.

    Se nas petroquímicas os compósitos ganham cada vez mais adeptos, no cenário náutico brasileiro ocorre justamente o contrário: “Nesse setor navegamos contra a correnteza, pois é quase impossível acreditar que o mercado náutico em nosso País, que apresenta o maior índice de rios navegáveis do planeta e uma costa imensa, possa representar apenas 3% no consumo de compósitos, enquanto nos Estados Unidos esse consumo é superior a 21%. É fato que não temos cultura náutica, mas também contamos com uma distorção tributária que classifica os bens para o setor naval como artigos de luxo, sem analisar o quanto seria possível gerar em empregos diretos e indiretos. Até iatistas como Torben Grael têm lutado muito para alcançar o desenvolvimento no setor náutico. Em sua participação, em 2006, na Volta ao Mundo, promovida pela Volvo Ocean Race, ele conquistou o 3o lugar na prova com um barco construído com compósitos no Brasil, graças à sua própria determinação, garra e apoio de empresas do nosso setor”, relatou Ferraz.

    No setor de transportes, o panorama é bem mais favorável: “Como um dos maiores fabricantes mundiais de veículos, como ônibus, microônibus e vans, considerando os investimentos feitos pelas montadoras internacionais e o constante crescimento observado nesse setor, o Brasil sinaliza horizontes promissores, podendo oferecer grande impulso ao desenvolvimento das indústrias de compósitos”, considerou o presidente da Abmaco.


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