Máquinas e Equipamentos

13 de janeiro de 2007

Perspectivas 2007 – Abimaq – Faturamento deve ser recuperado, mas com moderação

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Publicado por: Simone Ferro
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    As previsões para o segmento de máquinas para o processamento de plásticos são retraídas e espelham as projeções globais do setor de bens de capital mecânico, divulgadas pela Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) em dezembro de 2006.

    Plástico Moderno, Newton de Mello, presidente, Perspectivas 2007 - Abimaq - Faturamento deve ser recuperado, mas com moderação

    Mello: mercado tende a se manter em desacelaração

    A entidade prevê aumento de 3,4% na produção de bens de capital mecânico em 2007. O crescimento deve ser alto em virtude do fraco desempenho do setor nesse quesito nos últimos três anos.

    Já o faturamento vai apresentar recuperação moderada da ordem de 1% em relação aos valores registrados nos anos anteriores.

    “As margens estão muito reduzidas”, afirma o presidente Newton de Mello. Na avaliação de Mello, se um conjunto de políticas desenvolvimentistas, com incentivo aos investimentos, não for adotado pelas autoridades econômicas, a possibilidade de recuperação do setor pode ocorrer apenas no fim do segundo semestre de 2007.

    Segundo o presidente da Câmara Setorial de Máquinas e Acessórios para a Indústria do Plástico (CSMAIP) da Abimaq, Giordano Romi Júnior, o câmbio e o aumento das importações de produtos manufaturados estão entre os principais vilões. “A importação de produtos acabados prejudicou a transformação nacional e minou o potencial de investimento, afetando fortemente os fabricantes de máquinas no ano passado”, afirma.

    De acordo com Romi, a importação de manufaturados plásticos foi mais nociva que a de máquinas, sendo que esta aumentou 22,9% de janeiro a setembro, no comparativo com o mesmo período de 2005. “Com o dólar e os juros nesses patamares fica impossível crescer.”

    Outros indicadores da CSMAIP são negativos. De janeiro a setembro, o faturamento caiu 16,6%; passando de quase R$ 582 milhões para pouco mais de R$ 485 milhões. Os pedidos em carteira recuaram 5,6%; o nível de utilização da capacidade instalada encolheu 2,2%; e o número de empregos, 10,3%. As expectativas de geração de empregos se mantêm negativas em 2007.

    Nas contas de Romi, o mercado de injetoras corresponde a um terço do faturamento das máquinas para o processamento de plástico. Na seqüência, por ordem de grandeza, estão as extrusoras, as sopradoras e os demais segmentos.

    A indústria de bens de capital mecânico suspendeu a escalada de crescimento e registrou a primeira queda no faturamento desde 2000. De janeiro a outubro de 2006, o setor faturou 2,5% a menos no comparativo com o mesmo período de 2005. Nas estimativas da Abimaq, encerrou o ano com queda de 2,9% no faturamento. Até o fechamento desta edição, o balanço anual da entidade ainda não havia sido divulgado.

    Ainda de acordo com as estimativas para o fechamento de 2006, o consumo aparente deverá cair 1,8% e o nível de emprego, 3,1%. A situação só não ficou mais grave para alguns segmentos por causa do aumento das exportações da ordem de 12%. “Apesar do dólar, muitas empresas continuaram exportando para manter escala e os mercados desenvolvidos com muito sacrifício”, diz Mello.

    Infelizmente, esse não foi o caso das máquinas para o processamento de plásticos, cujas vendas externas encolheram 16,3%, de janeiro a setembro de 2006 em relação ao mesmo período de 2005. “A desaceleração do mercado foi mantida ao longo deste ano e, permanecendo o cenário atual, deverá ter continuidade em 2007”, afirma Mello.

    Na avaliação da Abimaq, com exceção das máquinas agrícolas e de bens sob encomenda, que terão baixa no nível de emprego de 3,3% e 2,8%, respectivamente, os demais segmentos deverão apresentar queda de 0,1% no próximo ano.

    Ameaça externa  As importações de bens de capital mecânico da China avançaram mais de 97%. “Aumentaram em máquinas seriadas e baratas e foram impulsionadas pela desvalorização artificial da moeda chinesa e pela valorização do real”, explica Mello. Dentre os segmentos mais afetados, cita as injetoras para plástico.

    Sem obter sucesso no pedido de salvaguarda em relação às injetoras chinesas, a Abimaq estuda a possibilidade de mover uma ação anti-dumping. De acordo com Romi, os insumos para a fabricação de injetoras custam entre U$ 5,8 a US$ 9 o quilo, e os equipamentos da China são vendidos no Brasil com preço entre US$ 2,5 e US$ 3,5 o quilo. “As injetoras chinesas representam 73% do total das importações desse segmento”, diz Romi.

    Plástico Moderno, Giordano Romi Júnior, presidente da Câmara Setorial de Máquinas e Acessórios para a Indústria do Plástico (CSMAIP) da Abimaq, Perspectivas 2007 - Abimaq - Faturamento deve ser recuperado, mas com moderação

    Romi: Indústria nacional pode lucrar com a cina

    De acordo com a Abimaq, quase 40% da produção de bens de capital mecânico é exportada. Os principais destinos são os Estados Unidos, Argentina e Alemanha. As vendas para a China cresceram 11% entre janeiro e outubro de 2006, no comparativo com o mesmo período do ano anterior. “Trata-se de um mercado com excepcional potencial para as indústrias brasileiras”, diz Romi.

    No ano passado, a Abimaq inaugurou um escritório comercial em Pequim, na China. A iniciativa visa assessorar e dar atendimento aos associados interessados em vender e comprar bens de capital mecânico naquele país.

    “O escritório está ajudando a identificar revendedores e fornecedores para as indústrias brasileiras. Trata-se de uma ação muito eficaz com baixo investimento”, defende Romi.(Leia mais sobre o escritório chinês da Abimaq em PM, edição nº 380, de junho de 2006, pág. 60.)

    As estatísticas apresentadas pela Abimaq foram obtidas com novo método de cálculo e prometem maior precisão, segundo Mello. O novo modelo econométrico, desenvolvido por economistas e estatísticos da Websetorial e coordenado pela consultora Patrícia Marrone, usa como variáveis a taxa de câmbio real e de juros, além de dados da produção da indústria brasileira como um todo. “É a primeira vez que a Abimaq faz previsões científicas. O método ainda é pouco usado entre as entidades de classe”, diz Mello. As primeiras previsões foram feitas para o fim de 2006, primeiro e segundo semestres de 2007.

    Entidade ganha credibilidade com conquista da certicação ISO 9001

    A Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) recebeu certificação do Sistema de Gestão de Qualidade – ISO 9001, conferida pela Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) até 2009.Para o presidente da Abimaq, Newton de Mello, a certificação traduz a credibilidade que a entidade alcançou em quase 70 anos de trajetória. “Trata-se de um marco importante. Temos um sistema de qualidade que controla todos os serviços prestados. São poucas as associações com esse diferencial.”

    Uma prova disso, segundo ela, refere-se ao resultado da Pesquisa Anual sobre o Padrão de Atendimento. A entidade atingiu novo recorde com a marca de 95,8% de satisfação dos associados. A Abimaq possui 9 regionais, 19 diretorias e 27 câmaras setoriais. Em dezembro, a entidade apresentou o novo estudo econométrico de projeção estatística, considerado outro marco da instituição pelo presidente Newton de Mello, e o livro História das Máquinas. A publicação traça a trajetória da indústria de bens de capital e da Abimaq, que comemora 70 anos de existência.

    Tendência aponta queda das importações de máquinas

    Voltar a crescer e recuperar a fatia de mercado perdida para as importações estão entre os objetivos dos fabricantes de máquinas para o processamento de plástico em 2007. Embora as estatísticas sejam pouco favoráveis, o presidente da Câmara Setorial de Máquinas e Acessórios para a Indústria do Plástico (CSMAIP) da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) e diretor da unidade de negócios injetoras de plástico da Romi, de Santa Bárbara D’Oeste-SP, Giordano Romi Júnior, aponta algumas tendências positivas.

    Na avaliação de Romi, o mercado brasileiro já sinaliza a retração nas importações. “Gradativamente, os transformadores estão constatando o baixo índice de confiabilidade das injetoras chinesas, além de avaliar que a relação custo/benefício não é vantajosa.” Para confirmar a teoria, apresenta os dados de um estudo elaborado pela Romi.

    O estudo traça um comparativo prático do desempenho de injetoras brasileiras e chinesas durante seis meses de produção, com as mesmas condições de operação, com e sem manipuladores automáticos. Dentre os casos, Romi cita a produção de peças do setor eletroeletrônico em poliestireno (PS), em polipropileno (PP) e em ABS, com injetora de 150 toneladas de força de fechamento.

    Depois de seis meses, a injetora brasileira sem robô apresentou produtividade 26,3% superior nas peças com 175 gramas de PS, de 25,56% na produção com PP (200 g) e de 21,4% no ABS (100 g), no comparativo com similar chinesa também sem manipulador. Com as injetoras automatizadas o salto da produtividade variou de 28,62% a 30,02%.

    Em seis meses, a produção de sete máquinas nacionais foi equivalente ao volume obtido em dez injetoras chinesas. Com base nesse resultado, os técnicos da Romi avaliaram o investimento necessário para comprar, instalar e operar uma fábrica com sete injetoras nacionais e dez chinesas que na prática produzem a mesma quantidade de peças. Na aquisição das máquinas, o investimento com a importação fica em torno de R$ 750 mil contra R$ 1.330 mil das máquinas nacionais. A história começa a mudar quando são computados os gastos com infra-estrutura, espaço físico, mão-de-obra, encargos trabalhistas, moldes, periféricos e energia elétrica. “A economia com as máquinas brasileiras chega a R$ 180 mil por ano. É o barato que sai caro”, diz. De acordo com Romi, só em moldes o transformador vai investir 45% a mais. Em torres de resfriamento os gastos são 43% superiores. “O custo adicional de montagem das três injetoras chega a 4% do montante, em virtude do aumento de espaço. Os números são reais e estão à disposição dos transformadores.”



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