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12 de julho de 2017

Operações da Braskem exibem bons números, mas multas pesam

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Publicado por: Marcelo Fairbanks
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    A Braskem divulgou seus resultados de 2016, ainda dependendo de auditoria final, atraso explicado pelo andamento das investigações de má conduta da empresa no Brasil e nos Estados Unidos. Nesses dois países, foram firmados acordos de leniência que fixaram multas elevadas para a companhia (R$ 3,1 bilhões, no total), permitindo a continuidade de suas operações. O impacto desses desembolsos afetou o resultado financeiro da companhia, mas nada alterou quanto aos indicadores operacionais e comerciais.

    De forma geral, 2016 foi um bom ano para a Braskem. Seus crackers brasileiros rodaram com ocupação média de 92% no ano, um recorde histórico. Saliente-se ter sido efetuada uma parada programada de manutenção no cracker da Bahia no último trimestre de 2016. As plantas de polipropileno nos Estados Unidos e Europa rodaram completamente cheias, enquanto a recém-inaugurada operação mexicana, seguindo a curva de aprendizado, já registrou 42% de ocupação média anual, porém esse índice chegou a 73% no quarto trimestre do ano, sem a ocorrência de problemas.

    A produção brasileira de resinas petroquímicas da Braskem (polietilenos, polipropileno e PVC) também foi inédita: 4,9 milhões de t em 2016. Os petroquímicos básicos somaram 8,5 milhões de t (3,5 milhões de t de eteno). A produção internacional de PP chegou a 2 milhões de t, enquanto os polietilenos mexicanos somaram 443 mil t.

    No entanto, as vendas locais de polímeros plásticos registraram queda de 0,7% em 2016, em relação ao ano anterior, somando 3,4 milhões de t. As exportações, por sua vez, tiveram bom desempenho, com 1,7 milhões de t, volume 24% superior ao alcançado em 2015. Em parte, a desvalorização do real deu mais competitividade às vendas externas. As vendas de PP na Europa e nos EUA tiveram aumento de 2% sobre o volume de 2015, somando em 2016 2 milhões de t. As vendas das resinas mexicanas foram de 432 mil t, das quais 46% direcionadas para aquele mercado.

    Resinas plásticas – O mercado nacional para as poliolefinas ficou estável em 2016 (em relação a 2015), na casa de 3,9 milhões de t, com destaque para os polímeros aplicados em produtos para fins agrícolas. Para a Braskem, as vendas dos polietilenos não registrou grande variação, porém houve queda de 2% na colocação de polipropileno. Com isso, as vendas de poliolefinas da companhia recuaram 1% em compração com o ano anterior.

    Em valor de vendas dolarizadas, as poliolefinas registraram receita 6% inferior à de 2015, somando US$ 4 bilhões, por causa da retração de preços do PP no mercado internacional. Em moeda local, o faturamento de R$ 13,9 bilhões foi apenas 1% inferior ao do ano anterior.

    As exportações de PE e PP cresceram 22% em 2016, com volume de 1,59 milhão de t. Esse desempenho se explica pelo fato de ter havido a paralisação do site de São Paulo no terceiro trimestre de 2015. Além disso, as exportações de PE para a América do Norte foram aumentadas para intensificar o pré-marketing da operação mexicana. Os preços internacionais dessas resinas foram menores que os registrados em 2015, mas o aumento de volume e a desvalorização cambial permitiram ampliar a receita líquida com vendas ao exterior em 3% (em dólares) e 8% (em reais).

    Na caso do PVC, a produção chegou a 594 mil t em 2016, 10% acima do total obtido em 2015. O mercado brasileiro apresentou uma retração de consumo de 2%, refletindo a menor atividade da construção civil, grande consumidora de tubos e esquadrias. Apesar disso, as vendas da Braskem em PVC não apresentaram variação significativa, ficando na casa das 528 mil t, aumentando, portanto, sua participação no mercado para 52%.

    A receita líquida nacional cresceu 4%, totalizando R$ 2,7 bilhões em 2016. Em dólares, houve queda de 1%. As exportações deram um salto de 79% em relação a 2015, passando de 116 mil t, compensando a retração nas vendas locais. Com isso, a receita líquida das vendas ao exterior de PVC aumentou 69% (em dólares) e 65% (em reais).

    Plástico Moderno, Operações da Braskem exibem bons números, mas multas pesamResultados – A Braskem obteve crescimento de 23% em Ebitda, somando R$ 11,5 bilhões. Com isso, sua alavancagem (medida de endividamento) foi reduzida de 1,91 (em dez/2015) para 1,61 (dez/2016). “A aplicação das multas resultantes dos acordos de leniência no Brasil e nos Estados Unidos nos obrigaram a buscam novos empréstimos e isso piorou nossa alavancagem, que agora é de 1,95”, explicou Fernando Musa, presidente da Braskem.

    Os bons resultados operacionais foram por ele explicados pela manutenção de diferenças de preços (spreads) entre matérias-primas (nafta e etano) e os produtos finais. “A depreciação do real durante o ano também nos ajudou, por reduzir custos com a importação da nafta”, salientou. Com tudo isso, a Braskem deu prejuízo consolidado de R$ 768 milhões milhões.

    Musa considera que os spreads tendem a declinar suavemente nos próximos anos, pois os países produtores de petróleo estão limitando sua produção global e isso poderá redundar em aumento de preço da nafta no mercado internacional. Além disso, estão sendo inauguradas novas capacidades de produção de polietilenos no mundo, que poderão ter algum impacto mais significativo nos preços depois de 2020.


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