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10 de junho de 2008

Notícias – Videolar investe na fabricação de BOPP

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Publicado por: Renata Pachione
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    Videolar, fabricante de mídias gravadas e virgens, resina plástica e comércio eletrônico, decidiu diversificar sua área de atuação. A empresa investiu US$ 100 milhões na construção de uma fábrica de polipropileno biorientado (BOPP), em Manaus. A nova planta deve entrar em operação no segundo semestre de 2009 e terá capacidade de produção de 75 mil t. O gerente de divisão de resinas plásticas, Cláudio Rocha, no entanto, prevê que no primeiro ano a unidade irá produzir metade do total. “Em doze ou dezoito meses, após a partida, teremos os adicionais 50% de capacidade incorporados”, afirma.

    O interesse nesse novo negócio se justifica de duas maneiras. Uma delas se refere à necessidade de estar em novas frentes, por conta da queda das vendas da mídia gravada registrada nos últimos tempos. Outro fator diz respeito ao poder de atração do mercado nacional de BOPP. O setor é estimado em 130 mil toneladas/ano (dado de 2007) e cresce, em média, entre 8% e 10% ao ano. A Videolar projeta atender, num primeiro momento, somente à demanda doméstica.

    Plástico Moderno, Cláudio Rocha, gerente de divisão de resinas plásticas, Notícias - Videolar investe na fabricação de BOPP

    Rocha: produção será variada

    Além de abastecer o mercado nacional de embalagens flexíveis, sobretudo o segmento alimentício, responsável pelo consumo de cerca de 70% de BOPP, a companhia irá destinar parte da fabricação para seus próprios produtos, no caso, embalagens para os CDs e os DVDs da marca. De acordo com Rocha, o consumo cativo depende muito do cenário do mercado de entretenimento nos próximos anos. Mas, de antemão, propõe que o consumo interno da Videolar não irá superar 20% da capacidade da planta. As aplicações convencionais do BOPP são variadas: embalagens (sobrembalagem, cigarros, embalagens para alimentos, como biscoitos, entre outros), rótulos e etiquetas e laminação de produtos gráficos.

    A nova planta terá duas linhas de produção de BOPP e, segundo o fabricante, possui equipamentos de última geração que prezam pela eficiência e redução do custo do quilo produzido. Para se ter uma idéia, em relação aos modelos convencionais, os recursos da unidade consomem 30% a menos de energia elétrica.

    “Estaremos aptos a produzir todos os filmes consumidos no mercado, sobretudo os de matriz plana, co-extrudados, perolizados, metalizados etc.”, garante Rocha.

    A empresa iniciou suas atividades com a fabricação e gravação de fitas VHS. Hoje, possui um conglomerado de quatro unidades de negócios: Mídias Gravadas (Serviço Sob Encomenda), Resinas Plásticas – produz poliestireno –, Mídias Virgens e Comércio Eletrônico. Em 2007, a companhia registrou faturamento de R$ 1,2 bilhão.

     

    Pesquisadores criam borracha revolucionária

    Imagine se alguns dos inúmeros imprevistos do dia-a-dia pudessem ser evitados. Algo como consertar, instantaneamente, o brinquedo quebrado do próprio filho, recompor um cálice trincado ou manter o bom humor diante de um par de meias-calças desfiadas ou ainda de um pneu furado.

    Uma equipe de pesquisadores franceses anunciou, recentemente, uma novidade que promete não só revolucionar diversos segmentos industriais mas, muito provavelmente, exercerá um grande avanço no tradicional ciclo de vida de um produto. Trata-se de um material sintético que o professor Ludwik Leibler, em um artigo publicado na prestigiosa revista Nature, chamou de “Self-healing and thermoreversible rubber from supramolecular assembly”. Em outras palavras, ele desenvolveu um material muito semelhante à borracha convencional, mas com uma peculiaridade: a capacidade de regenerar-se voluntariamente em caso de corte ou rachadura. O coordenador do “Matière Molle et Chimie”, laboratório parisiense criado em 2001 e formado por uma equipe de pesquisadores do CNRS (Centre National de la Recherche Scientifique) e da ESPCI (École Supérieure de Physique et de Chimie Industrielles), garante que, em temperatura ambiente, bastará aproximar as duas extremidades do objeto danificado para que elas se atraiam como imãs de pólos opostos, unindo-se e recompondo-se.

    O magnetismo molecular ocorre em poucos minutos e sem a necessidade da utilização de qualquer produto químico ou de recorrer ao calor ou à pressão para recompor o objeto. Um grande passo adiante no campo da química supramolecular, destinada à exploração do papel das interações intermoleculares na produção de arquiteturas moleculares complexas. Um setor que começou a conquistar maior visibilidade depois que Jean-Marie Lehn, Donald Cram e Charles Pedersen receberam o prêmio Nobel de Química em 1987. Naquela ocasião, Lehn definiu a Química Supramolecular como “a química da ligação intermolecular”. Do mesmo modo que moléculas são construídas unindo átomos por meio de ligações co-valentes, compostos supramoleculares são construídos ligando moléculas por meio de interações intermoleculares.

    O pesquisador Ludwik Leibler – ex-colaborador de Pierre Gilles de Gennes, prêmio Nobel de Física em 1991 – explica que o poder autocicatrizante do novo material pode ser atribuído às pontes de hidrogênio, ou melhor, às ligações entre as moléculas presentes na borracha. Ele afirma que “enquanto as borrachas convencionais são o resultado de longas cadeias de polímeros, a nova borracha é composta por pequenas moléculas unidas em uma rede supramolecular de ligações de hidrogênio”.

    A matéria sintética é obtida de um composto à base de matérias-primas de origem vegetal, não tóxicas e renováveis como ácidos graxos, amidos, uréia e imidazolidina, capazes de criar as pontes de hidrogênio. “A nova borracha sintética é de aparência translúcida e às vezes amarelada, é reciclável e se auto-regenera continuamente”, sublinha Leibler. Há um único inconveniente: o objeto deve ser reparado nas primeiras doze horas depois da quebra.

    Além da habilidade de agir como um imã, a borracha possui uma elasticidade idêntica às encontradas em matérias plásticas. Pode ser esticada facilmente até cinqüenta vezes sem quebrar, e até vinte vezes após a sua regeneração.

    A novidade entusiasmou a empresa francesa especializada em nanotecnologia, a Arkema Group, que, atualmente liderada por Thierry Le Hénaff, apressou-se em adquirir os direitos para comercializar o produto.

    O grupo Arkema está presente em 40 países e possui mais de 17 mil empregados e seis centros de pesquisas na França, nos Estados Unidos e no Japão, com um faturamento que supera os 5,7 bilhões de euros. No Brasil, o grupo está presente há mais de trinta anos.

    “Desde o início das pesquisas, um de nossos objetivos era que o sistema desenvolvido não se restringisse a uma curiosidade científica, porque este é um risco enfrentado em muitos projetos de química supramolecular” – comenta Leibler – “enquanto a outra prioridade era o baixo custo do material”, completa.

    Já Christian Collette, vice-presidente de Pesquisas e Desenvolvimento do Arkema Group, afirma que “este trabalho demonstra como a cooperação entre a pesquisa fundamental e aquela aplicada ao setor industrial podem produzir uma grande inovação e que, em breve, fará parte do cotidiano de todos nós”.

    Até agora, a borracha sintética está enfrentando uma bateria de testes, mas o seu emprego está previsto em diversos setores industriais. Graças ao seu caráter childfriendly, além de revelar-se um produto interessante para os fabricantes de brinquedos e de outros artigos infantis, a borracha sintética poderá ser utilizada no ramo da medicina porque as suas propriedades autocicatrizantes podem prestar grande auxílio na fabricação de ossos e cartilagens artificiais de última geração e também no campo das próteses. E os benefícios não param por aí.

    A nova borracha sintética poderá dinamizar as indústrias de revestimentos, vernizes, tintas e adesivos e os pesquisadores também pensam, por exemplo, na criação de um vidro inquebrável, em tintas à prova de riscos, no náilon que se auto-remenda e em uma evolução na indústria da moda e dos pneumáticos, com roupas que não se rasgam e pneus que não precisam ser substituídos.

    Com esta invenção, provavelmente, o conceito de bens duráveis e não duráveis não será mais o mesmo. Com produtos com um ciclo de vida longo, muitas empresas deverão rever o próprio negócio, linha de produtos e investir ainda mais em pesquisa, inovação e política de preços.

    Uma possibilidade que o meio ambiente e o bolso dos consumidores agradecem.

    Anelise Sanchez

     

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