Plástico

3 de julho de 2012

Notícias – Versatilidade do náilon assegura nova aplicação

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Publicado por: Domingos Zaparolli
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    O predomínio do PVdC (policloreto de vinilideno) no mercado de embalagens para carnes e queijos pode estar com os dias contados. Pelo menos é o que prevê a japonesa UBE, uma das líderes mundiais em poliamidas e copoliamidas, que aposta em um rápido avanço do terpolímero Terpalex (Co PA 6/6.6/12) nessas aplicações. O diretor de marketing Carlos Catarozzo relata que a expectativa da empresa é conquistar 20% do mercado brasileiro de embalagens de carnes e queijos em dois anos e chegar a 50% num período de cinco anos.

    No momento, o Terpalex, que foi lançado no Brasil em 2011, ainda está em fase de apresentação aos compradores industriais. No início de julho, a UBE realizou um evento em São Paulo para 50 convidados das indústrias de carnes, queijos e embalagens, com o objetivo de demonstrar as potenciais vantagens do náilon na embalagem dos alimentos. Na ocasião, Sergi Salvá, executivo da UBE Espanha, unidade responsável por atender o mercado brasileiro de extrusão, afirmou que o Terpalex apresenta características que o tornam bastante competitivo em relação ao PVdC, apesar de a resina apresentar um preço até 20% maior.

    Duas características tornaram o PVdC líder nesse segmento de mercado. O fato de poder entrar em contato direto com os alimentos, sem a necessidade de formação de estruturas tipo sanduíche, e sua barreira a gases, aromas e à umidade, o que aumenta seu tempo de sobrevivência nas prateleiras dos varejistas. Salvá ressaltou, porém, que a tendência no mercado de embalagens de alimentos é a busca por maior flexibilidade produtiva, por meio de uma maior oferta de quantidade de embalagens e formatos. Se possível, filmes específicos para cada tipo de alimento. Nesse ponto, segundo o executivo, as características do náilon começam a prevalecer. Primeiro por permitir a produção de filmes com até 11 camadas e com uma maior variedade de tamanhos e formatos, desde pequenas tripas para salsichas até filmes planos de quatro metros. Sendo assim, a poliamida permite a produção de uma grande variedade de embalagens: tripa artificial, bolsa encolhível, filme termoformado para tampas, filmes para embalagens flow pack e filmes multicamadas para a substituição de laminados.

    O Terpalex, afirmou Salvá, iguala o PVdC em sua barreira a gases e tempo de prateleira, mas supera o rival em algumas características importantes. Entre elas, está a maior resistência térmica e mecânica, o que permite menor espessura nas embalagens com a mesma qualidade, reduzindo custo e melhorando a produção. “Cada aplicação tem suas características, mas a economia pode chegar até a 30%”, afirmou o executivo. Além disso, a maior resistência do náilon reduz riscos de perfuração, um dado importante quando se embala, por exemplo, materiais com ossos, como é o caso de determinados cortes de carnes. Nos queijos, o diferencial do produto é a sua capacidade de manter a barreira aos gases, permitindo que o alimento “respire”, o que viabiliza a permeação ao CO 2 .

    Outra questão em que Salvá aponta performance superior é na aparência dos alimentos nas prateleiras. O material permite uma melhor impressão, além disso, é mais transparente, tem menor turbidez, e apresenta menor amarelamento no decorrer do tempo.

    Benoit Dalizon, executivo da Mitsui Plastics, avalia que o náilon apresenta uma performance superior ao PVdC nos filmes encolhíveis para embalagens. Ao embalar uma carne, por exemplo, o PVdC a comprime, ocasionando um vazamento de sangue dentro da embalagem, enquanto o náilon permite uma menor tensão, melhorando a aparência do produto. Dalizon, no evento da UBE, falou sobre a coextrusão do náilon com o EVOH (copolímero de etileno e álcool vinílico) para a embalagem de carnes, peixes e queijos. “Enquanto o náilon garante o perfeito encolhimento, o EVOH garante excelentes barreiras a gases, odores e sabores. E o resultado é uma embalagem com alta resistência química, melhores propriedades de termoformagem, maior transparência e qualidade de impressão, e ausência de cloro com menor tensão de encolhimento.”

    Segundo Dalizon, hoje os filmes encolhíveis para embalagens tipo “pele” (skin), que usam o sistema de vácuo e a tecnologia de atmosfera modificada (MAP), já são líderes no mercado de carnes e queijos. “A combinação náilon e EVOH também dá excelentes resultados em bolsas encolhíveis, filmes barreira de cinco a nove camadas, pouches assépticos, filmes termoformados e outras tantas estruturas.”

    Carlos Catarozzo relata que o Terpalex foi lançado oficialmente em 2007 na feira K, na Alemanha, porém, desde então, já passou por evoluções tecnológicas em seu formato e aditivação. No primeiro ano após o lançamento foram comercializadas 50 toneladas do produto e hoje as vendas giram em torno de 600 toneladas anuais. No Brasil, onde a indústria de alimentos em 2010 consumiu 565 mil toneladas de resinas plásticas para embalagens, o produto foi lançado durante a Brasilplast 2011, mas os resultados ainda são tímidos, apesar de já ter conquistado seus primeiros clientes, cujos nomes não são fornecidos pelo executivo da UBE.

    No segmento de embalagens à base de poliamidas, Catarozzo informa que a companhia também desenvolveu, e já trabalha com vendas na América Latina, aplicações para congelados, verduras, frutas, peixes, mariscos, massas frescas, pet food e alimentos pré-cozidos, aqueles prontos para o consumo.

    A UBE, companhia centenária que teve origem em Yamaguchi, no Japão, atua nos negócios de especialidades químicas, plásticos, cimento, materiais de construção, máquinas, energia e meio ambiente. Com fábricas no Japão, Tailândia e Espanha, em 2011 faturou US$ 6,6 bilhões. A área de químicos e plásticos respondeu por 29% das vendas totais, ou seja, US$ 1,9 bilhão. A empresa se instalou no Brasil em 2010 por meio de um escritório comercial em São Paulo, que é responsável pelo atendimento da América Latina. As vendas são realizadas pela equipe própria e também pela representante Belsul. Por enquanto, relata Catarozzo, os negócios no país são dedicados ao mercado de extrusão, com produtos importados da Espanha. Também é comercializada a poliamida 12, importada do Japão, para atender a indústria automobilística. As poliamidas de baixa viscosidade, PA 6 e PA 6.6, ainda não estão sendo comercializadas na América Latina. Por ora, a companhia não tem planos de produção no mercado local.



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