Economia

8 de dezembro de 2014

Notícias: Vendas crescem, mas lucro líquido cai

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Publicado por: Marcelo Fairbanks
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    Os números do terceiro trimestre mostram que a Braskem conseguiu elevar a produção e aumentar as suas receitas, chegando a R$ 12 bilhões líquidos. Porém, embora tenha rodado suas unidades a 90% da capacidade nominal, a companhia registrou lucro líquido de R$ 230 milhões, 42% menor que o obtido no mesmo trimestre de 2013.

    Em uma visão geral, o panorama de negócios mudou para melhor. A queda das cotações internacionais do petróleo e, consequentemente, da nafta petroquímica, permitiu recuperar a rentabilidade das resinas (spread), situação melhorada com o aumento da produção e das vendas. Isso se refletiu na geração de caixa, com o Ebitda do terceiro trimestre somando R$ 1,5 bilhão (US$ 660 milhões). A alavancagem (dívida líquida/Ebitda) teve ligeira queda, apresentando-se agora em 2,71.

    Plástico Moderno, Fadigas: produção cresceu com a retomada do polo de Triunfo

    Fadigas: produção cresceu com a retomada do polo de Triunfo

    A produção petroquímica da Braskem cresceu no trimestre, fato evidenciado pelo aumento de seis pontos percentuais na taxa de ocupação de capacidade, que alcançou o índice de 90%. Em 2014, a Braskem realizou paradas gerais de manutenção nos complexos de Triunfo-RS e Santo André-SP. A parada gaúcha afetou os números do segundo trimestre, enquanto a da unidade paulista foi menos sentida, pois ficou fora de produção entre setembro e outubro, mas o índice de ocupação total aumentou. “Enquanto o polo paulista estava parado, as instalações de Triunfo já estavam rodando a plena carga e conseguimos aumentar a ocupação das plantas do Rio de Janeiro mediante a importação de gás natural liquefeito, uma operação de ocasião”, explicou Carlos Fadigas, presidente da Braskem.

    Herdado da RioPolímeros, o conjunto gás-químico fluminense tem capacidade nominal para 500 mil t/ano de polietilenos, mas não conseguiu ainda atingir a plena operação por problemas de suprimento de etano por parte da Petrobras. “Em média, as unidades do Rio rodam com 70% a 80% da sua capacidade, como conseguimos gás com preço atraente, elevamos a taxa de ocupação, mas esse movimento não será permanente”, afirmou.

    Como explicou, trata-se de operação complexa. O gás entra no país por navios, na forma líquida, e precisa passar por regaseificação, sendo introduzido nas linhas de transporte da Petrobrás em Cabiúnas-RJ, para ser encaminhado à Baixada Fluminense. Tudo isso agrega custos. Fadigas comentou que a companhia poderá repetir essa importação desde que as contas fechem, ou seja, o preço e volume adicional de venda das resinas compense o investimento.

    A nafta, ainda o principal insumo consumido pela Braskem, passou por um ponto de inflexão da curva de preços. Nos primeiros meses do ano, as cotações internacionais apontavam para mais de US$ 950/t, mas durante o terceiro trimestre esses valores recuaram para US$ 650/t, ainda longe dos históricos US$ 450/t, mas bem mais confortáveis para o setor. “O preço da nafta ajuda, mas não resolve o problema da competitividade da indústria brasileira”, salientou Fadigas. O preço da nafta caiu, mas também regrediram os preços internacionais das resinas termoplásticas. E o shale gas dos Estados Unidos tem um custo equivalente a 40% da nafta. Há uma grande ameaça no horizonte, representada pela entrada em operação de grandes projetos gás-químicos norte-americanos, com data de partida esperada para meados de 2017. São unidades de grande escala, alimentadas com gás barato.

    A negociação do preço da nafta petroquímica com a Petrobrás segue em banho maria. Desde junho, as compras do insumo estão sendo feitas com base num acordo de extensão de contrato, mediante o qual a Braskem aceitou pagar pela nafta com base na média móvel dos últimos três meses anteriores. O acordo definitivo com a estatal deverá ser firmado até fevereiro de 2015. “E o preço que ficar definido terá aplicação retroativa, exigindo a compensação de eventuais diferenças”, explicou.

    A Braskem importa diretamente cerca de um terço de todas as 10 milhões de t/ano de nafta que consome no Brasil. A queda no preço da nafta ajuda a reduzir custos, mas também tem um impacto financeiro. Como explicou Fadigas, a empresa mantém estoques de matéria-prima, intermediários e resinas. “O que estava no estoque antes da variação dos preços foi comprado ou produzido a um preço mais elevado, há um reflexo nas margens”, considerou. No entanto, ele mesmo admitiu que a queda de preços da nafta não repercute imediatamente e na mesma proporção nas cotações das resinas.

    Mercado fraco – O consumo nacional de resinas termoplásticas (PE, PP e PVC) acumulou 1,4 milhões de toneladas no terceiro trimestre do ano, com aumento de 5% sobre o período anterior. As vendas da Braskem no mercado interno cresceram 7% na mesma base de comparação, evidenciando uma pequena (1%) retomada de market share. As unidades de polipropileno da companhia instaladas nos EUA e na Europa colocaram no mercado 470 mil t, quantidade 2% abaixo do trimestre anterior, indicando os efeitos da aproximação do inverno.


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