Plástico

22 de novembro de 2011

Notícias – Velho continente expande debates sobre biopolímeros

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Publicado por: Anelise Sanches de Roma
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    Ainda é muito prematuro afirmar, incondicionalmente, que a indústria química europeia está imune às consequências provocadas pela crise econômica mundial. Ainda vulneráveis e com receio de sucumbir à recessão, as empresas do Velho Continente, em especial aquelas sediadas na Itália, Grécia e Espanha – que sofrem com o redimensionamento de seus respectivos mercados internos –, acreditam que expandir seus negócios em países emergentes e apostar em pesquisa e desenvolvimento podem ser uma boa alternativa para escapar da turbulência financeira global.

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    Poliamida de cadeia alifática longa, o EcoPaXX consiste 70% de óleo de rícino

    Tudo indica que, apesar do substancial aumento dos custos de matérias-primas e da necessidade de reduzir seus estoques, a cultura empresarial europeia, apostando na renovação, ganhou ainda mais força nos últimos meses. Uma pesquisa realizada em junho de 2011 pela Federchimica (Federazione Nazionale dell’Industria Chimica) demonstrou por exemplo que, entre 75 empresas químicas italianas, 79% delas declararam ter aumentado recentemente os próprios investimentos em pesquisas para introduzir no mercado produtos até então inéditos na concorrência.

    Nesse cenário, os bioplásticos conquistaram o status de a “bola da vez”. Com expansão em ritmo acelerado, em 2020 o consumo de bioplásticos para embalagens deverá atingir 900 mil toneladas anuais.

    De acordo com o relatório intitulado The Future of Bioplastics for Packaging to 2020: Global Market Forecasts, publicado pela consultoria britânica Pira International, até 2015 o segmento crescerá cerca de 24,9% ao ano; um percentual que sofrerá uma redução e deverá se estabilizar por volta de 18,3% nos cinco anos seguintes.

    Os pesquisadores ingleses sustentam que os responsáveis por um grande avanço tecnológico no setor serão os PHAs ou polihidroxialcanoatos, bioplásticos obtidos de organismos geneticamente modificados, e também o chamado “polietileno verde”, polímero não biodegradável, mas produzido com eteno obtido de recursos agrícolas renováveis. Juntos, estima-se que esses materiais possam cobrir um quarto da produção total de biopolímeros para embalagens na próxima década, enquanto, por outro lado, também é previsto um decréscimo para as bioplásticos à base de amidos, celulose ou poliéster.

    A Europa continua sendo a maior porta de entrada para o setor. Fatores como prioridade na questão da sustentabilidade, políticas que desencorajam a exposição de resíduos no ambiente, a existência de entidades fiscalizadoras e a manutenção de usinas para a compostagem industrial transformaram o Velho Continente na região responsável pela metade do consumo mundial de biopolímeros para embalagens.

    Uma prova concreta de que o interesse pelos biopolímeros cresce cada vez mais no continente europeu é o número de eventos dedicados ao setor. No último dia 21 de setembro, por exemplo, a cidade industrial de Turim, no norte da Itália, foi sede da Bioplastics Conference e, na mesma data, Bruxelas hospedou a conferência Plastics and the Bio-Economy – The Evolution of Plastics. Já no mês de novembro, entre os dias 22 e 23, a cidade de Berlim será palco da European Bioplastics Conference, que reunirá mais de 350 expositores.

    O que antes era um nicho de mercado, hoje almeja transformar-se no core business de muitas empresas europeias. Consciente dos grandes progressos alcançados em termos de propriedades e funcionalidades, a indústria de bioplásticos espera desempenhar um papel significativo na economia do Velho Continente. “Os biopolímeros são materiais variados, eficientes e prontos para acelerar o desenvolvimento do segmento de plásticos e o crescimento de uma sociedade baseada na sustentabilidade”, acredita Lambert van Nistelrooij, membro do Parlamento Europeu. Para ele, é vital que a política da União Europeia se esforce para implementar medidas de apoio aos bioplásticos no curto e médio prazo.

    Plástico Moderno, Lampert van Nistelrooij, Membro do parlamento europeu, Notícias - Velho continente expande debates sobre biopolímeros

    Nistelrooij pede política de apoio para os bioplásticos

    Segundo a associação European Bioplastics, com sede na Alemanha, atualmente não existe, em nível europeu, uma legislação específica a favor dos bioplásticos, mas há muitas iniciativas políticas que influem indiretamente sobre esse segmento. É o caso da estratégia chamada Europa 2020 – cujo objetivo é transformar a União Europeia em uma economia inteligente, sustentável e inclusiva –, além do suporte à “bioeconomia” e da atividade Lead Market Initiative for Europe, idealizada para incentivar a inovação em seis mercados-chave, incluindo aquele dos bioprodutos (bio-based products).

    Em nível prático, por exemplo, em muitos países o programa Green Public Procurement, que estimula entidades públicas a selecionar fornecedores de produtos amigos do meio ambiente, já é uma realidade consolidada. O que ainda falta é coordenação entre os diversos protagonistas do setor, assim como evidenciado durante o encontro Bioplastics Conference, em Turim. O evento promovido pelo Consórcio Proplast antecipou alguns dos temas que, provavelmente, em novembro, serão colocados novamente em pauta na próxima edição da renomada European Bioplastics Conference.

    Durante o evento italiano, Kristy Barbara Lange, assessora de imprensa da European Bioplastics, lembrou que, para a associação, são considerados bioplásticos os polímeros produzidos com matérias-primas renováveis e também os plásticos biodegradáveis e compostáveis de acordo com a normativa UNI EN 13423.


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