Plástico

16 de agosto de 2010

Notícias – Transformação avança no oeste catarinense

Mais artigos por »
Publicado por: Fernando C. de Castro
+(reset)-
Compartilhe esta página

    A expansão da indústria de terceira geração em Santa Catarina parece não ter limites. Segundo estado transformador de termoplásticos do país – somente atrás da maior economia, São Paulo –, em dois dias de visita à região de Chapecó – oeste do estado – é possível conhecer de perto mais um polo de produção de termoplásticos.

    Plástico Moderno, Márcio Vaccaro, Presidente do Sindiplast, Notícias - Transformação avança no oeste catarinense

    Vaccaro credita a expansão aos negócios associados à agroindústria

    O oeste catarinense responde por aproximadamente 120 mil toneladas por ano de resinas virgens e mais 40 mil toneladas de materiais reciclados. Quem lidera a expansão de empreendimentos é o recém-criado Sindicato da Indústria de Material Plástico do Oeste Catarinense (Sindiplast). A entidade foi fundada no começo de 2010. Portanto, começa a dar seus primeiros passos e se move por conta da gigante agroindústria, mola propulsora da economia regional.

    Segundo o presidente do Sindiplast, Márcio Vaccaro, atualmente, grande parte das cargas agroindustriais, como grãos, sementes e fertilizantes, é transportada em caçambas graneleiras. Mas de 13% a 15% do transporte agora ocorre em ráfia ou big bags e, com isso, cresce a demanda por produtos em polietilenos, polipropileno, náilon e outros plásticos empregados para a extrusão, laminação, embalagens para fertilizantes, pedras, sal, milho de pipoca e algumas misturas de ração animal.

    Plástico Moderno, Djalma Velho Azevedo, da Azeplast e diretor do Sindiplast, Notícias - Transformação avança no oeste catarinense

    Azevedo vê necessidades específicas entre os transformadores da região

    “Se o grão é muito fino a resina é o polietileno de alta, o linear ou o de média densidade, e tem de colocar dois sacos, um dentro e um fora”, ensina o presidente do Sindiplast. A resina virgem consumida em Chapecó e região é adquirida no complexo petroquímico de Triunfo, no Rio Grande do Sul. Vaccaro conta que o polo do oeste começou a atividade nos anos 80 e reuniu, primeiramente, empresas de Caçador e Chapecó. Atualmente, engloba empreendedores de Xaxim, Xanxerê e Joaçaba, que vão do extremo-oeste catarinense até o meio-oeste, num raio de 150 quilômetros.

    O principal motivo para a criação do Sindiplast, agora em 2010, depois do desligamento do Sindicato da Indústria de Material Plástico de Santa Catarina (Simpesc) é a distância de 600 quilômetros entre o oeste do estado e Joinville, no Vale do Itajaí, o que dificultava o deslocamento para as reuniões sindicais. Além disso, em Joinville, predominam empresas voltadas à transformação de plásticos de engenharia e produção de peças técnicas – que atendem empresas da linha branca, segmento automotivo, motores industriais e compressores, entre outras. De tal forma que as necessidades de matérias-primas, de aquisição de equipamentos e de formação de mão de obra são diferenciadas, criando interesses distintos, como acrescenta Djalma Velho Azevedo, da Azeplast e diretor do Sindiplast.

    A Azeplast é uma recicladora de diversas famílias de resinas, que também atua em extrusão de sacos plásticos. Azevedo explica que atualmente os produtos do oeste catarinense chegam a todas as regiões do país. Para ele, um dos gargalos é a presença de muita máquina sucateada do período de implantação da indústria no começo dos anos 80. Em compensação, tem muito equipamento de última geração encomendado com entrega prometida e atrasos constantes.

    Azevedo reclama ainda do custo da energia e dos pesados encargos sociais. Afirma que em uma visita ao Ministério do Meio Ambiente, em Brasília, encontrou lixo seco misturado com lixo orgânico. Para ele, se o exemplo deveria vir de cima e não vem, para quem reclamar.

    Outra divergência do empresário se refere às dificuldades de financiamento para capitalizar a produção. No ano passado, relata Azevedo, ao perceberem o fim da crise, os empresários do oeste catarinense buscaram financiamentos em bancos oficiais para promover a modernização do parque industrial, porém não encontraram linhas de crédito compatíveis. “Não havia dinheiro para os pequenos no BNDES”, acusa Azevedo.

    Outra empresa voltada à reciclagem e agora ingressando no ramo da transformação é a Alcabras. Situada em Xanxerê, extruda filmes para embalagens, reembalagens, sacos para lixo, sacolas para supermercado e lonas para cobertura em construção civil. Opera com base na recuperação de 50 resinas diferentes, notadamente polietilenos, poliestireno, polipropileno, PVC, ABS entre outros. A firma conta com linha completa de moinhos, lavadores, aglutinadores e extrusoras, sendo totalmente verticalizada no processo de reciclagem.

    O entusiasmo dos empresários do plástico do oeste catarinense é tamanho que motivou a criação da Feira de Metalmecânica e Plásticos – Metalplast –, realizada de 16 a 19 de junho em Chapecó, mas a presença de empresas da cadeia produtiva do plástico foi tímida. Os organizadores do evento dizem que na primeira edição em 2004, num universo de 70 expositores, 18 eram do segmento plástico, sendo que nesta última apenas quatro estandes eram do ramo. Eles desconfiam que a consolidação da Plastech em Caxias do Sul e da Interplast, em Joinville, fechou o espaço para novos eventos do plástico no sul do país.

    Mesmo assim, pelo menos uma empresa fabricante de injetoras fez questão de prestigiar o evento. A Megattonplástico, do grupo Megatton. Segundo o gerente-comercial da área de injetoras, extrusoras e sopradoras do grupo, Marcelo Pruaño, a primeira etapa de consolidação do polo plástico catarinense contemplou o processo de extrusão. Entretanto, a necessidade de produção de utilidades domésticas, de embalagens rígidas, entre outros produtos, começa a ser percebida.


    Página 1 de 212

    Compartilhe esta página







      0 Comentários


      Seja o primeiro a comentar!


      Deixe uma resposta

      O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *