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24 de janeiro de 2010

Notícias – Taiwan promove feira para vender máquinas econômicas

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Publicado por: Marcelo Furtado
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    Enfrentar 30 horas de voo para estar entre os dias 5 e 9 de março em Taipei, a capital de Taiwan, situada na Ilha de Formosa, ao sul da China, pode valer a pena para quem estiver realmente interessado em alternativas mais econômicas – sem prejuízo técnico muito grande – de máquinas para a indústria do plástico e da borracha. É nesse período que ocorre a feira Taipei Plas 2010, em sua 12ª edição bianual, na qual estará reunida a nata dos fabricantes taiwaneses de extrusoras, injetoras e sopradoras, reconhecidos por eles mesmos como os melhores “copiadores” de máquinas de alto padrão do mundo.

    Plástico Moderno, Notícias - Taiwan promove feira para vender máquinas econômicas

    Chang faz injetoras do jeito que o cliente quiser

    “Em Taiwan nós costumamos brincar que as empresas daqui não têm um R&D [research and development], mas sim um ótimo R&C [research and copy]”, afirmou Eric Chang, assistente de diretoria da Jon Wai Machinery Works, durante uma das visitas de press-tour para promover a Taipei Plas, da qual a reportagem de Plástico Moderno participou com exclusividade em dezembro de 2009. Uma das principais fabricantes de injetoras do país asiático, a Jon Wai, segundo Chang, que estará na Taipei Plas como expositora, além das máquinas de linha, tem como foco principal produzir injetoras sob encomenda, em soluções turn-key, com a tecnologia e a cor que o cliente quiser. “Fizemos uma injetora de duas placas em 2008 que a alemã Krauss Maffei disse ser igual à deles. Não é não, é só 99% igual, 1% é ideia nossa”, brincou.

    Plástico Moderno, Notícias - Taiwan promove feira para vender máquinas econômicas

    O prédio Taipei 101 é o segundo mais alto do mundo

    Independentemente das diferenças culturais, porém, a Taipei Plas vai reunir cerca de 375 expositores (em um total de 2 mil estandes) nos 18 mil metros quadrados de área útil do Taipei World Trade Center Nangang Exhibition Hall. Deve atrair também, segundo espera Moses Yen, o diretor-executivo da Taitra, organizadora do evento, cerca de 20 mil visitantes, sendo 17.500 domésticos e o restante de estrangeiros. Apesar de notadamente ter sentido os efeitos da crise internacional, o que fez com que houvesse retração no número de expositores (foram 429 em 2008), a expectativa com a visitação é superior à da edição anterior, quando 17 mil pessoas (2.342 estrangeiros) foram a Taipei. Isso se deve, de acordo com Yen, a um reforço no trabalho de divulgação internacional (o que inclui, aliás, a press-tour para jornalistas de todo o mundo que foram convidados pela primeira vez para um evento desse tipo).

    China preocupa – Na avaliação da Taitra, a Taipei Plas está entre as três principais feiras de plástico da Ásia, junto com a Chinaplas, em Xangai/Guangzhou, na China, e a feira japonesa International Plastics Fair (IPF). Sua preocupação em ser mais reconhecida no mundo, segundo a informação de profissionais habituados ao mercado asiático, se deve principalmente à ascensão da feira chinesa, que além de ser anual (um ano em Xangai e outro em Guangzhou) tem crescido a cada edição, esvaziando as atenções globais sobre a Taipei Plas. Não custa ressaltar que os expositores taiwaneses também marcam presença na exposição da China comunista, visto que normalmente esses grupos também contam com filiais naquele país, e que os visitantes de continentes distantes dificilmente se sentem atraídos a ir duas vezes por ano à Ásia.

    A preocupação de Taiwan com a Chinaplas, que em sua última edição ultrapassou os 1.900 expositores e trouxe 70 mil visitantes a Guangzhou, sintetiza um sentimento comum dos taiwaneses, que temem ser comparados com os “chineses comunistas”, em virtude da fama que estes possuem de produzir máquinas de qualidade duvidosa. É comum ouvir nas empresas taiwanesas comentários não muito amistosos sobre os equipamentos e a conduta dos vizinhos, que, aliás, fazem parte do mesmo povo, apenas separado politicamente desde que Chiang Kai-shek e sua tropa nacionalista foram expulsos por Mao Tsé-tung em 1949. Para os taiwaneses, em geral, os chineses “copiam” suas máquinas, fazendo versões mais baratas, aviltando o mercado.

    Isso não impede, porém, que os fabricantes de Taiwan tenham unidades produtivas na China. Pelo contrário, para vender àquele imenso mercado, eles precisam montar fábricas por lá. Afinal de contas, por ser muita pequena, Taiwan depende do mercado externo, para onde manda 80% das máquinas produzidas. Um caso emblemático ocorre na Fu Chun Shin (FCS), de Tainan, no sul de Taiwan, que tem também duas sedes na China, em Dongguan e outra em Ningbo.

    Apesar da ligação étnica, Taiwan – considerada pela China uma província rebelde – gosta de reiterar sua maior preocupação com a tecnologia, procurando seguir as tendências europeias e japonesas, em detrimento dos chineses, cuja ênfase declarada é no custo reduzido de suas máquinas. Não por menos, a grande tônica atual das empresas é fabricar sistemas de alto desempenho com menor consumo de energia, a um custo inferior ao dos concorrentes europeus e japoneses. No caso da injeção, isso significa que os taiwaneses se empenham em criar modelos de máquinas elétricas e híbridas com preços mais competitivos.

    Competitiva – Para conseguir competitividade e reduzir os custos de suas máquinas, Taiwan recentemente começou a produzir servomotores elétricos, por meio de pesquisa do Taiwan Industrial Technology Research Institute em conjunto com a empresa Teco Electro e que passou a ser utilizado por várias fabricantes. O grande mérito da nacionalização foi reduzir em 20% o preço dos servomotores (de 3 e 7.5 kw) em comparação aos feitos pelo Japão, onde a maioria deles importava os motores para suas máquinas. A novidade faz com que as injetoras fiquem de 40% a 60% mais baratas do que as europeias e japonesas.


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