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16 de agosto de 2010

Notícias – Simpósio alerta para modernização

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Publicado por: Marcio Azevedo
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    Organizado a cada dois anos, o Simpósio Internacional de Injeção de Plásticos, promovido pela organizadora de eventos Específica, trouxe a São Paulo um extenso programa de palestras técnicas que mostraram ao público, em dois dias de programação, a necessidade pelo aperfeiçoamento tecnológico dos processos de transformação de plásticos. Mais do que isso, o evento provou que toda a sociedade precisa ficar atenta às modificações que novos plásticos e novas tecnologias introduzem em nosso cotidiano, como no caso dos nanomateriais e dos plásticos biodegradáveis.

    O longo ciclo de palestras foi aberto por Merheg Cachum, presidente-executivo da Associação Brasileira da Indústria do Plástico (Abiplast). Cachum apresentou estatísticas sobre a indústria de transformação local, alertando para o baixo consumo per capita de resinas no país, na casa de 27,94 kg/habitante em 2009, ao passo que na região do Nafta e no oeste Europeu o consumo já chegou à casa dos 100 kg/habitante. O faturamento do setor atingiu R$ 35,9 bilhões no ano passado, mas, prejudicado pela crise mundial, foi menor que o de 2008, de R$ 40,92 bilhões. No entanto, o presidente-executivo previu condições econômicas mais favoráveis em 2010, e apostou em uma retomada do crescimento do faturamento, sem, entretanto, arriscar números.

    O histórico déficit da balança comercial do segmento, que vinha seguindo uma tendência crescente desde 2003, também apresentou uma pequena redução em 2009, de US$ 996 milhões para US$ 918 milhões. Apesar do tímido avanço, o dirigente da Abiplast se mostrou otimista quanto às chances de diminuições mais intensas no déficit comercial nos próximos anos.

    Plástico Moderno, Oswaldo Luiz Alves, do Laboratório de Química do Estado Sólido do Instituto de Química da Unicamp, Notícias - Simpósio alerta para modernização

    Palestra de Alves envolveu as pesquisas sobre as nanopartículas

    Mas, além de melhorar os indicadores econômicos da transformação de plásticos, o Brasil também precisa, com alguma pressa, de mudanças para se adequar às novidades tecnológicas que a indústria do plástico proporciona, como foi possível perceber em outras duas palestras.

    O professor doutor Oswaldo Luiz Alves, do Laboratório de Química do Estado Sólido do Instituto de Química da Unicamp, incumbido de discorrer sobre a nanotecnologia, apresentou algumas das vertentes das pesquisas sobre o uso de nanopartículas em resinas poliméricas. Ele expôs alguns casos já bem conhecidos do público, principalmente o mais especializado, como a prata nanoparticulada e suas propriedades bactericidas e de barreira, e as nanoargilas. Aliás, Alves declarou que existem no país muitas reservas do material com qualidade adequada à aplicação em nanotecnologia. O sul do Pará, por exemplo, dispõe de argilas com grau de alvura elevadíssimo, da ordem de 99,99%, bastante adequadas aos usos industriais. “É só passar uma água que dá até para usar em alimentos”, disse, brincando, o professor doutor.

    O emprego de plásticos aditivados com nanopartículas, cujas propriedades de barreira a gases e umidade podem ser muito superiores às de plásticos convencionais, abre grandes possibilidades para o “assalto” final dos plásticos ao mercado de cerveja, que exibe a atrativa cifra de 300 milhões de garrafas consumidas por ano, em todo o mundo. O náilon 6 carregado com argila nanoparticulada, como revelou o pesquisador, já mostrou em testes que, graças ao seu maior poder de barreira, eleva o tempo de prateleira da bebida para 26 semanas. “É um alvo tentador para a indústria do plástico”, afirmou Alves.

    Os nanocompósitos têm demonstrado potencial para alterar os paradigmas acerca da fluidez dos plásticos, abrindo possibilidades tanto para a produção de peças maiores quanto para um processamento mais econômico em termos de consumo energético. Outras propriedades, como o módulo de flexão, podem igualmente sofrer grande influência quando da adição de nanopartículas. Um campo em que essa característica seria particularmente útil é a produção de catéteres de termoplásticos e elastômeros, pois as partículas elevam a flexibilidade do produto, o que é desejado, sem grandes influências em suas propriedades mais importantes, uma vez que as quantidades adicionadas são bastante pequenas. Alves afirma que teores menores que 3% de nanopartículas podem multiplicar o módulo de flexão por duas vezes.

    A maior parte da apresentação do pesquisador da Unicamp, porém, foi direcionada a um segmento menos conhecido da nanotecnologia, o dos nanotubos de carbono. Segundo ele, em pouco menos de vinte anos, a produção mundial de nanotubos passou de alguns quilos para cerca de 1.200 toneladas anuais. E onde todo esse material vai ser usado? Para o pesquisador, a resposta está clara: em conjunto com as resinas poliméricas. “Já há cerca de 10 mil patentes sobre nanotubos de carbono, e quase 25% delas são relacionadas com polímeros”, disse Alves. Nas estimativas do palestrante, em pouco tempo a maior parte das resinas utilizadas na indústria de transformação empregará os nanotubos, no mundo e também no Brasil, e esse fato requererá a atenção dos transformadores, pois a introdução das nanopartículas em polímeros implica mudanças nos processos de moldagem.

    Os nanotubos de carbono podem ser fabricados com materiais derivados do grafite, artificialmente produzidos. Entre eles, está o grafeno, uma “folha” com espessura de um átomo de carbono, formada por átomos arranjados em estrutura hexagonal e unidos por ligações do tipo sp2. Com base no grafeno, já foram criadas novas substâncias, como o grafano, semelhante, mas com átomos unidos por ligações sp3, e o grafono, uma espécie de grafeno parcialmente hidrogenado. Essas substâncias possuem propriedades distintas: enquanto o grafeno e o grafano são, em intensidades diferentes, semicondutores de eletricidade, os grafonos são semicondutores magnéticos, e essas propriedades podem ser estendidas aos plásticos pela adição dos nanomateriais.


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