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8 de agosto de 2008

Notícias – Setor calçadista propõe normas de segurança

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Publicado por: Fernando C. de Castro
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    Uma comissão técnica da Associação Brasileira das Indústrias de Máquinas e Equipamentos para os Setores do Couro, Calçados e Afins (Abrameq), entidade com sede em Novo Hamburgo, no Rio Grande do Sul, quer criar normas específicas para o item segurança dos bens de capital do setor calçadista. Com efeito, foi criado o Programa de Desenvolvimento de Avaliação da Conformidade e Normatização em conjunto com o Inmetro e o Sebrae.

    A iniciativa motivou uma reunião realizada no escritório da Abrameq com a presença de representantes de diversas entidades nacionais vinculadas à indústria do calçado. O encontro ocorreu na segunda quinzena de junho. O objetivo, entre outros, é criar barreiras para a entrada no país de bens de capital importados do extremo oriente, os quais, para muitos especialistas do setor, burlam de maneira sutil as leis trabalhistas do país no quesito relacionado com a segurança operacional.

    A norma de regulamentação número 12 do Ministério do Trabalho para máquinas e equipamentos estabelece as medidas de prevenção de segurança e higiene do trabalho a serem adotadas pelas empresas em relação à instalação, operação e manutenção de máquinas e equipamentos. A fundamentação legal, ordinária e específica, que fornece base jurídica à existência desta NR, está contida nos artigos 184 e 186 da CLT (Consolidação das Leis do Trabalho). A partir daí, a idéia é emitir um atestado de aprovação das máquinas quanto à obediência dos quesitos de segurança operacional.

    São cinco famílias de máquinas envolvidas na discussão do tema segurança: corte, prensa, costura, montagem e as de peças pré-fabricadas. Nesta última lista constam as injetoras de termoplásticos utilizadas na confecção principalmente de solados e contrafortes. A indústria calçadista emprega basicamente três famílias de injetoras termoplásticas: as horizontais, as verticais e as carrossel. A medida se restringe às empresas filiadas à Abrameq.

    O diretor-executivo da Abrameq, Marcelo Adriano, esclarece que esta atividade faz parte de um processo que contempla também o projeto Abrameq Tecnologia, uma parceria com o Sebrae, com vistas a promover a presença dos fabricantes de máquinas nos principais pólos produtores do Brasil, levando conhecimentos em segurança de máquinas, além de manutenção preventiva e gestão do processo. “Os asiáticos não chegam aos pés dos brasileiros nessas questões”, provoca Adriano.

    Para o diretor da Abrameq, essas normas, além de contribuírem para a maior segurança do trabalhador, deverão ajudar no ingresso de máquinas brasileiras em mercados como o da Europa. E acrescenta: “Esperamos que as regras também sejam aplicadas nas importações de máquinas, evitando que entrem no Brasil produtos que não ofereçam segurança a quem trabalha.”

    Plástico moderno, Rogério Dreyer, diretor-executivo da Abicalçados, Notícias - Setor calçadista propõe normas de segurança

    Dreyer confia no sucesso do programa

    Ainda segundo ele, o Ministério do Trabalho não fiscaliza a entrada das máquinas no país, porém realiza auditorias em chão de fábrica. Ao fazer o atestado, os fiscais definem quais máquinas atendem às especificações de segurança e quais estão fora dos padrões. As irregularidades podem resultar na interdição de um equipamento ou até da fábrica inteira.

    Rogério Dreyer, diretor-executivo da Abicalçados acredita no sucesso do programa porque conseguiu englobar fabricantes das diversas famílias de máquinas do setor em favor da adoção de soluções práticas. Pontua que se trata de um trabalho contínuo, porque os processos de produção se alteram constantemente, por causa da implantação de novas tecnologias.

    Avaliação – O debate sobre as normas de segurança das máquinas do setor calçadista trouxe ao Brasil a consultora Filipa Lima, do Centro de Apoio Tecnológico à Indústria Metalomecânica (Catim), com sede na cidade do Porto, em Portugal. Ela iniciou auditoria nas empresas do Vale dos Sinos em 9 de junho e encerrou a atividade no dia 19 do mesmo mês. A perita portuguesa considerou a realidade brasileira positiva, com soluções técnicas bem elaboradas, embora ainda sejam necessários avanços em alguns aspectos, sob a ótica das regras européias.

    Por ocasião da reunião na Abrameq, Filipa acrescentou que as normas gerais existentes no Brasil são equivalentes aos dispositivos em vigor na Europa. Ela apenas sublinhou a idéia de promover a criação de normas específicas para o setor calçadista, para que a máquina brasileira não tenha dispositivos de segurança a mais nem a menos do que o necessário.

    Até agosto, Filipa deverá ter concluído um relatório com sugestões para as normas brasileiras de segurança de máquinas. Suas propostas poderão ser incluídas no texto do grupo de trabalho formado pela Abrameq e Abicalçados, o qual está em fase de elaboração para posterior encaminhamento ao Ministério do Trabalho.

    Como a NR-12 está em período de revisão, a idéia é inserir as normas específicas para o setor alinhadas com as exigências européias, referências mundiais em segurança. Na União Européia existem normas específicas para um braço giratório, ou um balancim de uma máquina. Isso facilita a vida dos projetistas. Poderão ser discutidas novas especificações sobre dimensões da área de molde das injetoras.


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