Plástico

3 de maio de 2011

Notícias – Projeto propõe manuseio correto de lixo eletrônico

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Publicado por: Fernando C. de Castro
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    A prefeitura de Porto Alegre, por intermédio do gabinete de Inovação e Tecnologia (Inovapoa), em parceria com a Cetrel – empresa de Proteção Ambiental do grupo Braskem, que opera no Polo Petroquímico de Camaçari-BA –, trabalha para que a capital gaúcha seja a primeira cidade brasileira a implantar um sistema de coleta, triagem e reaproveitamento de resíduos tecnológicos. Conforme o coordenador geral do Inovapoa, Newton Braga Rosa, o projeto surgiu da necessidade de se dar um destino correto ao lixo eletrônico formado, principalmente, por computadores e aparelhos de telefonia celular.

    Rosa destaca também que a entrada em vigor da Política Nacional de Resíduos Sólidos em agosto de 2010, que criou a obrigação da logística reversa (que determina que fabricantes, importadores, distribuidores e vendedores realizem o recolhimento e destinação das embalagens usadas), agilizou o assunto.

    O técnico ressalta que a capital gaúcha realizou uma experiência de recolhimento de lixo eletrônico com a Feira do Resíduo Tecnológico, em dezembro de 2010. O evento recolheu em um dia 13 toneladas de resíduos, que lotaram quatro caminhões para reaproveitamento das peças pelo Centro Social Marista, no seu programa de inclusão digital no Bairro Mário Quintana, na região nordeste da cidade, além de um caminhão pela metade com equipamentos de informática em perfeito estado de uso.

    Paralelo a isso, foram criados três postos de recolhimento do lixo eletrônico, além de buscar convênios com empresas privadas para realizarem essa tarefa. Esse estágio avançado em relação ao processo de logística, com a parceria de cooperativas de triagem e reciclagem já existentes, além de uma empresa privada do setor, atraiu o interesse da Cetrel em buscar uma negociação com a prefeitura de Porto Alegre para implantar uma unidade de reciclagem de produtos eletrônicos.

    Conforme o líder de pesquisa, desenvolvimento e inovação da Cetrel, Alexandre Machado, essa facilidade de logística de Porto Alegre é o grande atrativo para o Brasil investir nesse processo, que há anos é aplicado em outros países mais desenvolvidos; e por isso estão buscando parceria com diversas entidades como a Finep para obter os recursos necessários para o investimento.
    Segundo Machado, atualmente um metro cúbico de resíduos eletrônicos vale US$ 25 mil, acrescentando que reciclar é ainda mais vantajoso, sobretudo por causa dos metais nobres, como ouro, cobre e paládio, contidos nas placas eletrônicas.

    Ele ainda ressaltou que, com o volume de lixo eletrônico descartado no Brasil, atualmente de 996,8 mil t/ano, seria possível um faturamento de no mínimo R$ 6 bilhões/ano, se for processado apenas o ouro contido nesses resíduos. Para o líder de pesquisa, desenvolvimento e inovação da Cetrel, o Brasil está vendendo para o exterior ouro, prata e uma lista de 14 metais nobres contidos nas placas eletrônicas como lixo, que poderiam ser reaproveitados para produzir riqueza para o nosso país, aumentando a geração de emprego e renda para os recicladores, bem como protegendo melhor o nosso meio ambiente.

    O lixo dos produtos eletrônicos, de acordo com o coordenador do Inovapoa, é composto por plásticos, metais e placas de circuito impresso. Desses componentes, o plástico e os metais têm compradores certos, restando apenas a necessidade de se investir em tecnologia para que se aproveitem as riquezas existentes nas placas de circuito que hoje estão presentes em 50 milhões de aparelhos de computadores e 200 milhões de aparelhos celulares.

    Segundo Alexandre Machado, diversos elementos químicos já têm excelente resultado no processo de reciclagem. Ele cita, por exemplo, o enxofre, do qual, por meio do processo de hidrometalurgia, com a utilização do solvente, é possível recuperar 70% do produto original, que pode ser vendido para as indústrias de cosméticos e farmacêuticas, destinando as impurezas para os fertilizantes.

    Em relação ao mercúrio, o pesquisador líder da Cetrel destaca que duas soluções foram encontradas. A primeira é estabilizar o produto; a outra, torná-lo insolúvel para ser usado novamente mais adiante. Para o ouro, prata e cobre – metais de alto valor –, a pesquisa desenvolvida pela empresa apontou que a melhor medida é lixiviar os produtos individualmente, limpando as suas impurezas.

    De acordo com Alexandre Machado, a Cetrel investe em pesquisa 7% do seu faturamento total. Instalada no Polo Industrial de Camaçari, na Bahia, a empresa é responsável pela operação dos sistemas de proteção ambiental do local, com um investimento de US$ 250 milhões. Criada em 1978, foi privatizada em 1991. Atualmente, a Cetrel tem 75% das suas ações no controle do grupo Braskem e 25% pertencem ao Governo do Estado da Bahia.



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